Âncora da CNN, Luciana Barreto fala sobre podcast identitário e mudanças no jornalismo

Luciana Barreto
Luciana Barreto, âncora da CNN Brasil, estreou uma nova temporada do seu podcast (Imagem: Divulgação / CNN Brasil)

Uma das 100 pessoas negras mais influentes do mundo em 2021 pela Organização das Nações Unidas (ONU), Luciana Barreto estreou na última semana a segunda temporada do Entre Vozes, podcast da CNN Brasil. Em mais uma leva de episódios, a atração pretende provocar a sociedade para debater temas importantes.

O programa conta com 12 edições onde Luciana, junto de convidados especialistas em diferentes áreas, discute sobre história, sociedade, saúde, finanças e mercado de trabalho sob a perspectiva de raça, classe e gênero.

Em entrevista exclusiva ao RD1, a jornalista ressalta que a ideia do Entre Vozes é aprofundar temas que precisam ser tratados com uma necessidade urgente. “São temas que fazem vítimas cotidianamente de forma indireta e, muitos, escancaradamente. O racismo mata! A transfobia mata!“, dispara.

Estamos um tanto mais ‘intensos’. Minha avaliação é que o ouvinte vai receber um produto que não tem intenção de dourar a pílula“, comenta ainda a apresentadora da CNN Brasil, que frequentemente é alvo de haters nas redes sociais, mas não se deixa abalar.

Nessa entrevista, Luciana Barreto ainda garante ter observado algumas mudanças na imprensa depois dos graves casos de racismo no mundo, como o da morte George Floyd. “O jornalismo vem se modificando, vem entendendo que não tem mais espaço para falta de diversidade de vozes e olhares para a notícia“, diz.

Confira a entrevista na íntegra:

RD1 – Luciana, quando surgiu a ideia e a oportunidade em levar temas tão necessários para serem discutidos em um podcast?

Luciana Barreto – Durante toda minha trajetória profissional venho tratando da necessidade urgente de aprofundar alguns temas, explicar, entrevistar especialistas, enfim, fazer uma prestação de serviços para a sociedade.

São temas que fazem vítimas cotidianamente de forma indireta e, muitos, escancaradamente. O racismo mata! A transfobia mata! Estamos destruindo nosso entorno, o ambiente. Aniquilando mentalmente pessoas por pressão social. Em suma, é uma emergência, por isso propus o podcast assim que a TV começou.

Como sentiu que foi a resposta e a receptividade do público com a primeira temporada?

Acho que foi incrível! O Entre Vozes ajuda as pessoas. Traduz questões complexas de forma didática. Apresenta possibilidades.

O que as pessoas podem esperar dessa nova leva de episódios?

Estamos um tanto mais “intensos”. Minha avaliação é que o ouvinte vai receber um produto que não tem intenção de dourar a pílula.

Como enxerga que o jornalismo pode ajudar no combate ao racismo? Percebe mudança na imprensa brasileira após episódios graves de violência contra negros, como o da morte de George Floyd?

O jornalismo vem se modificando, vem entendendo que não tem mais espaço para falta de diversidade de vozes e olhares para a notícia. A sociedade está pressionando. O caso George Floyd desnudou redações no Brasil. Colocou um espelho na nossa frente e tirou a venda dos nossos olhos. Viram nossas redações brancas. Não sei dizer ainda se é uma mudança consistente, estruturada, mas certamente chacoalhou.

Você foi reconhecida este ano como uma das 100 pessoas negras mais influentes do mundo. Mesmo assim, recentemente, revelou que ainda é alvo de discursos de ódio. Algum comentário ou discurso chegou a fazer você pensar em sair das redes sociais? Sofre muito com os haters?

Nunca pensei em sair das redes sociais, não pelo ódio. Já considerei o cansaço, a demanda, mas não o ódio. Estudei para entender de quais mecanismos se utilizam os haters. Mapeei os recursos discursivos. Listei os objetivos deles. Tudo isso me deixou mais forte. Leio comentários de ódio com olhar de pesquisadora.

Estamos muito habituados com a ideia de um jornalista ser imparcial. Como você faz para ser ativista e também ser destaque de um dos principais canais de notícias do Brasil?

Faço jornalismo com premissa de fidelidade aos fatos. Fatos são fatos, como dizemos por aqui. E os fatos nos pedem ações enérgicas contra injustiças.

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Luiz Fábio Almeida
Luiz Fábio Almeida é jornalista, produtor multimídia e um apaixonado pelo que acontece na televisão. É redator e colunista do RD1. Está nas redes sociais no @luizfabio_ca e também pode ser encontrado através do email [email protected]
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