Caetano Veloso fala sobre filho evangélico e critica termo usado por Bolsonaro

Caetano Veloso
Caetano Veloso falou sobre filhos e Bolsonaro (Imagem: Reprodução / TV Cultura)

Caetano Veloso participou do Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (20), e criticou o termo “terrivelmente evangélico”, usado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). A fala do político ocorreu no dia da nomeação de André Mendonça como ministro do STF.

O cantor, então, ressaltou que um dos seus filhos, Zeca, faz parte da Igreja Universal. “Acho a expressão do presidente muito ruim e desrespeitosa. Mas ser desrespeitoso é do jeito do presidente. A expressão não é feliz e não funciona. É uma expressão que não dá conta, é uma homenagem do presidente ao preconceito”, declarou.

“O Tom, quando criança, começou a ir na igreja com a babá, arrastou o Zeca. O Tom não vai mais pra igreja, não diria que ele seja evangélico. Zeca sim, frequenta a igreja, mas pra mim é um enriquecimento, que eu tenha tão de perto e profundamente acompanhado essa movimentação da mente brasileira, porque é uma transformação na mente brasileira”, destacou ele.

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Caetano Veloso ainda disparou: “É algo que tem a ver com a história, com o surgimento do protestantismo. Eu e Zeca temos um diálogo muito bom sobre tudo, música, vida, pessoas, porque ele é muito conversador. Tom não, ele só fala o essencial. Pra mim eu sinto que tô vivendo uma vida rica e real”.

O famoso também garantiu que a relação dos dois com Moreno Veloso, filho de Caetano Veloso que faz parte do candomblé, é ótima.

Zeca e Tom Veloso são filhos do veterano com a atriz Paula Lavigne. Já Moreno Veloso é fruto do relacionamento com Andréa Gadelha. Em 1979 os dois também tiveram uma filha, Júlia, que morreu bebê após nascer prematura.

Caetano Veloso detona Bolsonaro

Na atração, o artista falou sobre o presidente da República e censura: “Acho que é óbvio que muito homem comum brasileiro pode se identificar com o Bolsonaro. Essa ideia de que brasileiro é alegre, pra uma pessoa da minha idade, ela é nova. Desde pequeno aprendi que éramos o resultado da união de 3 raças tristes”.

“Esse tipo de ideia de que o Brasil era muito presente, quem inventou isso de Brasil alegre foi o Vinicius de Moraes. Todos os sambas de carnaval da tradição eram de historias de amor que não deram certo”, comentou.

O cantor ainda lembrou: “Essa frase que eu disse no Roda Viva de 25 anos atrás (‘Há um desejo de direita truculenta no Brasil, fingindo-se de liberal, que é brutal e que nos ameaça cotidianamente’) foi profética. Eu tinha experiência porque fui preso, confinado, exilado, isso durou 3 anos, durante parte do exilio. Eu não sabia se ou quando eu poderia voltar ao Brasil”.

Caetano completou sobre a falta de posicionamentos de alguns artistas. “A criação artística é um negócio que não pode ficar aos serviços de qualquer ideologia, de uma luta de outro âmbito, entende?“, disparou.

“O que não quer dizer que os artistas devem silenciar. Mas os que precisam, às vezes é legítimo. Agora isso não quer dizer que eu apoie. Mas eu detestaria ver uma onda de silenciamento, porque isso é uma forma de censura coletiva”, concluiu.

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Luiz Fábio Almeida
Luiz Fábio Almeida é jornalista, produtor multimídia e um apaixonado pelo que acontece na televisão. É redator e colunista do RD1. Está nas redes sociais no @luizfabio_ca e também pode ser encontrado através do email luizfabio@rd1.com.br
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