Chico Diaz reclama de estereótipos na TV: “Me dão personagens rurais e violentos”

Chico Diaz
Belmiro da novela Velho Chico foi uma exceção na carreira de Chico Diaz, marcada por personagens violentos (Divulgação / Globo)

Aos 61 anos de idade, 42 deles dedicados às artes, o ator Chico Diaz teve a oportunidade de interpretar os mais variados tipos de personagens no cinema e no teatro. Na televisão, porém, teve que recusar muitos trabalhos para não ser reduzido a um estereótipo que o perseguiu por muitos anos.

Durante uma live com a atriz Maria Zilda no Instagram, Chico reclamou dos poucos papéis destinados aos atores com mais 60 anos de idade e das limitações de perfis que insistem acontecer nas novelas. Ele já interpretou personagens agressivos em tramas como O Dono do Mundo (1991), Força de um Desejo (1999), Celebridade (2003) e Gabriela (2012), e acredita que na TV não teria a chance de viver personagens tão sensíveis quanto os que fez fora dela, como o protagonista vivido por ele no filme O Ano da Morte de Ricardo Reis, baseado na obra de Fernando Pessoa.

“É um pensamento de prateleira, né? Se você faz aquilo, você faz aquilo. Nunca me dariam um heterônimo de Fernando Pessoa com alta potência poética, já me deram gente rural e violenta. Eu tive que dizer muito ‘não’ na minha vida pra poder ir ganhando novos matizes, novas possibilidades, porque senão eu seria reduzido a um tipo de personagem. O teatro é que salva, né?”, desabafou o ator, mencionando o Belmiro dos Anjos da novela Velho Chico (2016) como um dos personagens mais marcantes de sua carreira.

Diaz também lamentou os atrasos de lançamentos dos filmes nacionais por conta da pandemia e os cortes na cultura promovidos há meses pelo governo federal. O ator é protagonista de vários longas-metragens que ainda não foram lançados, como Homem Onça, Rondon, O Ano da Morte de Ricardo Reis e Vermelho Monet.

“Estão para lançar e não vão lançar nunca, né? O Brasil acabou, acabou! Não sei o que vai acontecer”, lastimou o veterano, que antes da pandemia também estava em cartaz com o monólogo A Lua Vem da Ásia, que retrata a rotina de um homem hospedado em um local que mistura um hotel de luxo, manicômio e campo de concentração.

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Daniel Ribeiro cobre televisão desde 2010. No RD1, ao longo de três passagens, já foi repórter e colunista. Especializado em fotografia, retorna ao site para assinar uma coluna que virou referência enquanto esteve à frente, a Curto-Circuito. Pode ser encontrado no Twitter através do @danielmiede ou no danielribeiro@rd1.com.br.