Copa do Mundo de 1994 afetou grade da Globo e causou adiamento de novela

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Cláudia Abreu (Alice), Renata Sorrah (Natália) e Rodrigo Santoro (Nando) em Pátria Minha; novela foi adiada por conta da Copa 1994 (Imagem: Divulgação / Globo)

Qualquer evento atípico, de Carnaval e eleição à pandemia de coronavírus, causa alterações na grade das emissoras de TV. Não foi diferente em 1994, especialmente entre a segunda quinzena de junho e a primeira de julho, com a Copa do Mundo dos Estados Unidos. A Globo, em razão do torneio, adiou a estreia de Pátria Minha. Por consequência, protelou o término de Fera Ferida.

A novela de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares chegou ao fim no sábado anterior ao da vitória do Brasil sobre a Itália nos pênaltis, 16 de julho. A exibição do desfecho num sábado – com reapresentação no domingo (17), logo após o Fantástico – se deu justamente por conta das alterações de grade impostas pela Copa do Tetra.

As mudanças na grade tiveram início em 17 de junho, mesma sexta-feira em que a minissérie Memorial de Maria Moura chegou ao fim. Naquele dia, 15h20, logo após a reprise de Rainha da Sucata (1990) em Vale a Pena Ver de Novo, teve início a cerimônia de abertura do torneio futebolístico, seguida pelo embate entre Alemanha e Bolívia (com vitória de 1 a 0 para Alemanha).

Tropicaliente, trama das 18h, veio na sequência, em seu horário habitual. No dia seguinte, no entanto, a novela foi levada ao ar às 19h, empurrando A Viagem para 19h50. A situação se repetiu em outras seis ocasiões. O folhetim de Walther Negrão também foi ao ar às 19h35, em 2 de julho, por conta do jogo Espanha (3) x Suíça (0); aqui, a narrativa de Ivani Ribeiro chegou ao fim às 21h.

Já Fera Ferida chegou a ser exibida às 22h35, entregando direto para o Jornal da Globo – como no 24 de junho em que o canal emendou Brasil (3) x Camarões (0), A Viagem, Jornal Nacional e Suécia (3) x Rússia (1), suspendendo Tropicaliente, o noticiário local e a linha de shows. A novela das 18h também deixou de ir ao ar em 5 e 13 de julho.

A grade voltou à normalidade em 18 de julho, quando a Globo pode enfim estrear sua nova novela das oito. O primeiro capítulo de Pátria Minha foi ensanduichado pelo histórico Jornal Nacional do Tetra e a Tela Quente com a primeira exibição do clássico Uma Linda Mulher (1990), com Julia Roberts e Richard Gere, na TV aberta.

Pátria Minha foi concebida como resposta a uma questão lançada por Gilberto Braga em seus dois trabalhos anteriores, Vale Tudo (1988) e O Dono do Mundo (1991): valia a pena, sim, ser honesto no Brasil. O autor, no entanto, não foi feliz com a finalização de sua tese sobre a honestidade.

O enredo padeceu com o tom panfletário, o afastamento de Vera Fischer (Lídia Laport) e Felipe Camargo (Inácio) por problemas pessoais e as acusações de racismo por parte de entidades que se revoltaram com o tratamento que Raul Pelegrini (Tarcísio Meira) dispensou a Kennedy (Alexandre Moreno), um de seus empregados, ao acusa-lo de roubo numa sequência pesadíssima.

Ainda assim, Gilberto conseguiu corrigir erros do trabalho anterior: a debatida virgindade de Márcia (Malu Mader), de O Dono do Mundo, voltava à tona através de Alice (Cláudia Abreu). Natália (Renata Sorrah), ao perceber que a filha estava em vias de transar com o namorado, a presenteava com uma cama de casal; Alice, sem a real noção de seus intentos, não sabia o que fazer com o presente.

Você pode relembrar essas e outras histórias de Pátria Minha clicando aqui.

Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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