Em editorial do JN, Globo defende a ciência e diz que Bolsonaro é negacionista e inconsequente

Jornal Nacional
Em editorial do JN, Globo defende a ciência e diz que Bolsonaro é negacionista e inconsequente (Imagens: Reprodução – Globoplay – Facebook / Montagem – RD1)

Neste sábado (19), dia em que o Brasil chegou à marca assustadora de 500 mil mortos pelo novo coronavírus, o Jornal Nacional dedicou um editorial criticando a ineficiência do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) em conter o avanço da pandemia, tachando essa postura como negacionista e inconsequente.

William Bonner começou lembrando do editorial feito em 2020, descreveu o estado severo em que o país se encontra desde então e lastimou pelas centenas de milhares de vidas perdidas:

Em agosto do ano passado, quando o Brasil ultrapassou o registro escandaloso de 100 mil mortes pela Covid, o Jornal Nacional se manifestou sobre essa tragédia num editorial. Parecia que o país tinha superado um limite inalcançável: 100 mil mortos! Hoje, são 500 mil. Meio milhão de vidas brasileiras perdidas. O sentimento é de horror, e de uma solidariedade incondicional às famílias dessas vítimas. São milhões de cidadãos enlutados”.

Na sequência, o âncora do JN destacou os erros incontáveis do governo Bolsonaro nessa fase crítica da saúde brasileira e apontou as falhas incontestáveis que nos trouxeram a esse cenário de mortes:

Hoje é evidente que foram muitos e muito graves os erros cometidos, e eles estão documentados por entrevistas, declarações, atitudes, manifestações. A aposta insistente e teimosa em remédios sem eficácia, o estímulo frequente a aglomerações, a postura negacionista e inconsequente de não usar máscaras. E o pior: a recusa em assinar contratos para a compra de vacinas a tempo de evitar ainda mais vítimas fatais”.

Renata Vasconcellos tomou a palavra e citou a CPI da Covid-19 para falar sobre os responsáveis por essa catástrofe sanitária e expôs a esperança de que estes sejam punidos:

Dissemos que era preciso apurar de quem é a culpa. Dissemos textualmente que esse momento chegaria. Desde o início de maio, o Senado está investigando responsabilidades. Haverá consequências, e a mais básica será a de ter levado ao povo brasileiro o conhecimento sobre como e por que se chegou até aqui”.

A apresentadora do telejornal da Globo não deixou de exaltar o esforço da parcela responsável da população que tem seguido às medidas de prevenção contra o vírus:

Quando todos nós olharmos para trás, quando nos perguntarem o que fizemos para ajudar a evitar essa tragédia, cada um de nós terá a sua resposta. A esmagadora maioria vai poder dizer, com honestidade e com orgulho, que fez de tudo: fez a sua parte e mais um pouco”.

Bonner falou sobre a linha de jornalismo da emissora, em mostrar de maneira contundente as notícias relacionadas ao estrago que o coronavírus tem feito e rebateu os críticos negacionistas dessa realidade:

Nós, do jornalismo da Globo, estamos há um ano e meio com base na ciência, cumprindo nosso dever de informar sem meias palavras. Muitas vezes, nós pagamos um preço por isso. Com incompreensões de grupos que são minoritários, mas barulhentos. Não importa. Nós seguimos em frente, sem concessões. E seguiremos em frente, sem concessões. Porque tudo tem vários ângulos, e todos devem sempre ser acolhidos para a discussão”.

Por fim, o jornalista deixou claro que o único “lado” é aquele que se coloca a favor da vida dos brasileiros e que esse entendimento é o que norteia o Jornal Nacional e outros noticiários da Globo:

Mas há exceções: quando estão em perigo coisas tão importantes como o direito à saúde, por exemplo, ou o direito de viver numa democracia. Em casos assim, não há dois lados. E é esse o norte que o jornalismo da Globo continuará a seguir”.

Confira:

Matheus Henrique MenezesMatheus Henrique Menezes
Oficialmente redator desde 2017. Experiências como editor e social media. Já escrevi sobre famosos, TV, novelas, música, reality show, política e pauta LGBTI+. Vídeos complementares no YouTube, no canal Benzatheus.
Veja mais ›