Globo estuda medida drástica contra patrocínio de bet’s no BBB 2027

BBB
Betano patrocinou provas do BBB 26 (Imagem: Reprodução/Globo)

O avanço desenfreado e as recentes polêmicas envolvendo as propagandas de casas de apostas esportivas acenderam o sinal de alerta máximo nos bastidores do Grupo Globo.

A emissora carioca estuda adotar uma postura rígida e cogita rejeitar contratos de patrocínio de bets para o BBB 2027, previsto para estrear em janeiro do próximo ano.

A restrição drástica faria parte de um novo manual de conduta comercial que a direção da empresa analisa colocar em prática.

A recomendação tem forte caráter jurídico.

A meta é proibir terminantemente que os reality shows do canal realizem ações de conteúdo e dinâmicas com empresas de apostas,

A expectativa é evitar que essas plataformas ganhem destaque editorial na grade da TV aberta.

A cúpula da emissora quer evitar, a todo custo, que o público e os órgãos de fiscalização do governo interpretem que o canal se omitiu diante dos riscos de endividamento e vício gerados por essa atividade.

Sinal de alerta na Globo

A preocupação da Globo acelerou após a última temporada do reality show sob o comando de Tadeu Schmidt.

O programa contou com ações testemunhais de uma famosa casa de apostas — que, por sinal, é também a patrocinadora master de A Fazenda, principal reality da concorrente Record.

Por causa da exibição insistente de propagandas da modalidade no horário nobre, o Ministério da Justiça interveio e reclassificou o BBB para “não recomendado para menores de 16 anos”,.

A intervenção gerou imenso incômodo interno nos Estúdios Globo.

Apesar da possível barreira às bets, a diretoria comercial avalia que o programa não sofrerá perdas financeiras significativas.

O BBB é considerado um fenômeno de faturamento inigualável na TV brasileira e, somente na última temporada, arrecadou mais de R$ 1 bilhão em publicidade.

Além disso, manteve uma longa fila de grandes marcas de outros segmentos esperando por uma vaga para anunciar aos jovens.

Escândalo em transmissões esportivas

O debate sobre os abusos comerciais do setor estourou de vez durante a cobertura da Copa do Mundo de 2026.

Após enxurradas de reclamações dos telespectadores contra a publicidade abusiva de bets nas telas da CazéTV (LiveMode), o canal digital foi obrigado a mudar seu protocolo às pressas.

O canal acabou virando alvo de um processo instaurado pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária).

Na esteira do escândalo, a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), órgão ligado ao Ministério da Justiça, também abriu procedimento de investigação contra as redes que transmitem o Mundial.

O SBT, N Sports e a própria Globo entraram na lista de investigados para apurar se houve práticas publicitárias irregulares.

Procurada oficialmente pela coluna, a Globo manifestou-se por meio de nota oficial, adotando um tom corporativo e institucionalizado:

Toda publicidade veiculada pela rede segue a legislação brasileira, as normas dos órgãos reguladores, as regras de autorregulamentação publicitária e nossas orientações comerciais internas. A empresa acompanha com atenção a evolução da regulamentação e das melhores práticas para o setor.”

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mariaclara

Maria Clara é jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco. Passei por redações de jornais produzindo notícias para os portais, fiz gerenciamento de redes e já fui a campo como repórter de rua em emissoras de televisão aberta. Instagram: @clarajordao_