Glória Perez defende reprise de América e acredita que Globo apagou beijo gay

Glória Perez
Glória Perez revelou bastidores sobre cena polêmica de América, há 15 anos (Imagem: Divulgação / Globo)

Durante uma live com o jornalista Jorge Luiz Brasil, promovida no perfil Mais Novela no Instagram, Glória Perez relembrou momentos marcantes da sua carreira, e dentre os assuntos comentou sobre as suas novelas de sucesso que nunca foram reprisadas pela Globo.

Questionada se não estranha o fato de América nunca nunca ter sido reprisada no Vale a Pena Ver de Novo, embora tenha feito grande sucesso em 2005 no horário das oito, a autora minimizou. “Antes houve uma opção por novelas mais recentes, tanto que eu vi reclamações das pessoas querendo que repetissem novelas mais antigas. […] Mas o Viva já passou Barriga de Aluguel (1990), Explode Coração (1995), acho que qualquer hora eles passam América. Foi uma novela muito bonita”, lembrou.

Glória comentou também sobre a possibilidade de uma futura reprise corrigir um erro histórico e exibir a cena de beijo entre os personagens Júnior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro), vetada originalmente no último capítulo da trama, mas revelou que os arquivos originais podem ter sido apagados.

“O beijo não deve mais existir, porque eles gravam em cima das fitas. Gravamos sete vezes, de todos os jeitos. Eu estava lá, inclusive na hora da decisão foi uma discussão, uns eram contra, outros eram a favor e acabaram decretando que não iria pro ar. Isso é uma coisa normal, em todo lugar do mundo as emissoras decidem o que vai ao ar de acordo com a visão que tem de seu público, mas é claro que ficamos muito frustrados, né? Porque era bonito, não era um beijo que veio do nada, era um romance construído”, defendeu.

A escritora também relembrou o fato de os protagonistas Sol (Deborah Secco) e Tião (Murilo Benício) não ficarem juntos no final. “À medida que conquista vida própria, a personagem também vai dirigindo o seu destino. Em algum momento ali não adiantou que eu quisesse juntar os dois. Sol e Tião eram personagens contraditórios, porque Tião era o homem da terra e a Sol era a brasileira que queria ir pra longe. Para que eles acabassem juntos, ou ele deixava de ser ele ou ela deixa de ser ela. E para que continuassem sendo eles, eles terminaram separados”, explicou.

Ainda sobre a discussão de temas polêmicos em novelas, Glória revelou que não gosta de personagens militantes, e que prefere apostar primeiro na construção do drama para ser melhor compreendido pelo telespectador.

“No caso da Ivana/Ivan [Carol Duarte em A Força do Querer], para contar a história que eu gostaria, ela teve voz. Mas eu acho que a gente tem que olhar as questões por vários ângulos. Isso que leva o público a pensar. Eu não gosto quando personagem faz discurso, quando milita. Eu não gosto de personagem militante. Se você quer que a personagem seja compreendida, você tem que mostrar empatia por ela, mostrar o que está acontecendo no íntimo dela. Isso é um trabalho bordado”, frisou.

Próxima novela

Glória Perez evitou dar detalhes sobre a sua próxima novela das 21h, prevista para o primeiro semestre de 2022, com a justificativa de que quer surpreender o público com um tema novo. “Eu não quero adiantar nada porque demora muito ainda para entrar no ar. Eu quero que seja surpresa. O elenco está fechado há mais de um mês”, concluiu.

No início do ano, em entrevista ao RD1, a autora contou que a tecnologia será pano de fundo deste novo trabalho. “Sempre me interessou observar como o avanço da tecnologia modifica nossa vida cotidiana e introduz dramas novos, que as gerações anteriores não viveram. Falei disso em Barriga de Aluguel, Explode Coração, O Clone. No próximo trabalho, a revolução tecnológica será o pano de fundo para o exercício das velhas paixões humanas”, contou.

Há alguns dias, o colunista Duh Secco, do RD1, trouxe novas informações sobre a sinopse e adiantou que um serial killer será um dos personagens centrais da trama. O criminoso deverá usar os recursos mais avançados da tecnologia para atrair suas vítimas e não deixar rastros.

América
Beijo gay ficou de fora do último capítulo de América (Imagem: Divulgação / Globo)
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Daniel Ribeiro cobre televisão desde 2010. No RD1, ao longo de três passagens, já foi repórter e colunista. Especializado em fotografia, retorna ao site para assinar uma coluna que virou referência enquanto esteve à frente, a Curto-Circuito. Pode ser encontrado no Twitter através do @danielmiede ou no danielribeiro@rd1.com.br.