Sérgio Chapelin
Sérgio Chapelin, talento e competência à disposição do Globo Repórter e do público (Imagem: João Cotta / Globo)

Foram 47 anos de serviços prestados à TV. 46 ao Globo Repórter. Ao concluir a edição desta sexta-feira (27), Sérgio Chapelin sai de cena. Aos 78 anos vai, enfim, aproveitar o merecido descanso, publicamente reivindicado desde 2013, ocasião em que o ‘GR’ completava quatro décadas. Fim de uma era para o jornalístico, para Chapelin e para o telespectador, tão habituado ao companheiro de toda sexta-feira.

Sérgio Chapelin chegou à Globo em 1972, vindo do rádio. Estreou no Jornal Hoje – noticiário de onde saiu uma de suas substitutas no Globo Repórter, Sandra Annenberg. Meses depois, foi escalado para compor a bancada do Jornal Nacional com Cid Moreira. Foram duas temporadas – de 1972 a 1983 e de 1989 a 1996 – no telejornal de maior audiência do país.

Em 1973, conduziu o primeiro Fantástico. Em 1974, o primeiro Jornal da Noite. Em 1979, o primeiro Jornal da Globo. Em 1981, o primeiro Jornal Nacional – 2ª Edição. E até um atípico JN exibido no domingo, 21 de abril de 1985, por ocasião da morte de Tancredo Neves. Tanto pioneirismo nos dá a dimensão da confiança da Globo no talento e na competência de Chapelin.

Foi ele também quem apresentou o primeiro Globo Repórter, em 3 de abril de 1973. Em depoimento ao portal Memória Globo, brincou sobre a gravação do episódio piloto, para a qual se dirigiu de sandália e paletó – conforme comparecia ao Jornal Nacional. “Cheguei e tinha um cenário, com poltrona, sentei lá. Só vesti paletó e gravata. Lembro que recebi um bilhete bem humorado, mas dizendo assim: ‘Chapelin, amanhã vamos gravar de novo, mas vem de sapato, meia, calça, cueca, camisa, gravata’”.

Foram dez anos de ‘GR’ nesta primeira fase. O programa que começou às terças-feiras, 23h – e foi classificado pelo renomado Artur da Távola como “um dos acontecimentos mais importantes do ano televisivo” –, ganhou a faixa nobre em 1974: 21h, logo após a novela então das oito. E compreendeu, nesta primeira década, fases distintas, como a dos blocos temáticos e dos documentários dirigidos por cineastas do naipe de Eduardo Coutinho, Luiz Carlos Maciel e Walter Lima Jr.

Em 1983, Sérgio Chapelin migrou para o SBT. Enveredou pelo entretenimento – com o qual havia flertado numa participação em Espelho Mágico, novela de 1977. Passou um ano à frente do Show Sem Limites. E voltou à Globo com status de estrela, capitaneando o Fantástico, numa demonstração de prestígio por parte de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, poderoso chefão da emissora na ocasião, que temia perder Chapelin para a recém-inaugurada Manchete.

O regresso ao Globo Repórter se deu em 1986. Conciliou o jornalístico com o Fantástico por três anos, quando foi reintegrado ao Jornal Nacional, de onde saiu em 1996, retornando ao ‘GR’. Durante suas ausências, a atração esteve a cargo de Eliakim Araújo, falecido em 2016, e Celso Freitas, hoje na Record.

Em 2005, Sérgio Chapelin deixou o estúdio pela primeira vez, numa visita às gravações do Sítio do Picapau Amarelo (2001) para o especial de 40 anos da Globo. Repetiu o feito em outras ocasiões, como na série Céus do Brasil, na qual acompanhou biomas a bordo de um balão.

Ao Estado de São Paulo, de 5 de abril de 2013, declarou sobre as matérias externas: “Eventualmente, me convocam. Faço algo como uma pseudo reportagem. Se me chamam, eu não recuso. Eles (a produção) são muito camaradas, não me exigem muito. Nesta minha fase da vida eu estou pisando no freio”.

Na ocasião, Chapelin deixou clara sua intenção de diminuir o ritmo. Dias depois, 21 de abril, voltou ao assunto em conversa com o jornal O Globo: “Penso em aposentadoria todo dia, mas não é um pensamento tão sério. […] O dinheiro entra todo mês na conta. É confortável. Quem é que na minha idade ainda está no mercado de trabalho?”.

A hora da despedida, lamentavelmente, chegou: “Estive na maior parte dessa história primorosa do ‘Globo Repórter’ e isso me deixa muito feliz. Da primeira fase do programa, mais documental, passando pela fase em que éramos mais factuais, até o momento atual, quando falamos sobre todos os assuntos. Saio com a sensação de dever cumprido”.

Minha trajetória na televisão era tudo o que eu poderia desejar na vida. Sou muito grato ao público e aos colegas por todo esse carinho e simpatia. Me sinto muito honrado”, completou, em comunicado oficial da Globo. Nós é que agradecemos a honra destes quarenta e tantos anos de convívio, de talento e competência a serviço do público.

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