Nos 25 anos do último capítulo, 25 curiosidades de As Pupilas do Senhor Reitor

As Pupilas do Senhor Reitor
Juca de Oliveira como Padre Antônio, em As Pupilas do Senhor Reitor (1995) (Imagem: Marco Pinto / Editora Abril)

1 – Segunda incursão do núcleo de teledramaturgia do SBT sob o comando de Nilton Travesso – a primeira foi Éramos Seis (1994) –, As Pupilas do Senhor Reitor estreou em 6 de dezembro de 1994, se estendendo até 8 de julho de 1995. A expectativa era lançar a novela em 14 de novembro; posteriormente, 21 e 28 de novembro. Os atrasos foram causados pela demora na pré-produção, bem como pelas dificuldades na finalização de Éramos Seis (como uma intoxicação da protagonista, Irene Ravache, com um produto para “embranquecer” os cabelos).

2 – ‘Pupilas’ partia da adaptação do romance homônimo do português Júlio Dinis, feita por Lauro César Muniz para a Record, em 1970. O SBT condensou os quase 300 capítulos originais em 186.

As Pupilas do Senhor Reitor
Luciana Braga e Débora Bloch como Clara e Guida, protagonistas de As Pupilas do Senhor Reitor (Imagens: Lourival Ribeiro / SBT – Marco Pinto / Editora Abril)

3 – A opção por tal remake se deu em junho de 1994, cerca de um mês após a estreia de Éramos Seis. Os trabalhos tiveram início com a contratação do elenco, priorizando atores e atrizes com passagens recentes pela Globo. Casos de Eduardo Moscovis (Daniel), da minissérie A Madona de Cedro (exibida entre abril e maio); Rosamaria Murtinho (Ressurreição), de Memorial de Maria Moura (no ar de maio a junho); Cláudio Fontana (Manoel do Alpendre), Juca de Oliveira (Padre Antônio / Sr. Reitor) e Tuca Andrada (Pedro), de Fera Ferida (encerrada em julho); Denise Del Vecchio (Joana), de A Viagem (veiculada até outubro); Daniela Camargo (Amália) e Elias Gleizer (José das Dornas), de Sonho Meu (finalizada em maio). Também de ‘Sonho’, Carlos Alberto e Priscila Camargo, que não acertaram com a casa. Bia Seidl, Carla Camuratti, Paula Burlamaqui e Patrícia Perrone estiveram entre as sondagens.

4 – Nomes como Adriana Esteves, Cristiana Oliveira, Isabela Garcia e Lizandra Souto foram cogitados para as protagonistas, Margarida (Guida) e Clara. Por fim, a opção por Débora Bloch – afastada das novelas desde Cambalacho (1986) – e Luciana Braga, destaque em ‘Éramos’ como Isabel, filha de Dona Lola (Irene Ravache).

5 – O êxito da novela antecessora, atestado pela amiga Denise Fraga, influenciou Débora Bloch a aceitar o convite do SBT: “A Globo tinha feito uma proposta para mim pouco antes do SBT, mas as condições de trabalho e o salário aqui eram melhores e eu fiquei impressionada com a competência de “Éramos Seis””, declarou a atriz em entrevista ao jornal O Globo, de 14 de agosto de 1994. Débora, na época em cartaz nos teatros de São Paulo, também pretendia manter próximas sua mãe, morando na “terra da garoa”, e sua filha recém-nascida, Júlia.

6 – Bloch pode ser vista na emissora-líder, após assinar com o canal de Silvio Santos, no episódio-piloto de A Comédia da Vida Privada, exibido em 23 de agosto de 1994. Já Elias Gleizer e Paulo Goulart (Dom Arlindo) estiveram no ar nas duas casas, durante o mês de dezembro, com trabalhos inéditos: As Pupilas do Senhor Reitor, no SBT, e Incidente em Antares, na Globo.

7 – ‘Pupilas’ contou ainda com a jornalista Cristina Padiglione, então colunista e repórter da Folha de São Paulo, convidada por Nilton Travesso – que se impressionou com a fotogenia de “Padi” como jurada no Troféu Imprensa (Folha de São Paulo, 8 de outubro de 1994). Cristina deu vida à lavadeira Virgília.

As Pupilas do Senhor Reitor
Cláudio Fontana como Manoel do Alpendre, destaque de As Pupilas do Senhor Reitor (Imagem: Reprodução / Editora Abril)

8 – Para imprimir veracidade ao folhetim, Travesso passou quinze dias em Portugal, ao lado do cinegrafista Edson Souza, do diretor de arte Beto Leão, do diretor de cenografia João Nascimento Filho e do figurinista Paulo Lois, percorrendo cidades como Lisboa e Porto, além de pequenos vilarejos na região do Minho. Cerca de catorze cenas foram gravadas no exterior; também stockshots (tomadas de ambientação) e registros fotográficos, para orientar a construção da cidade cenográfica.

9 – Ainda, externas na Catedral da Sé e no Teatro Municipal, em São Paulo. A produção também se serviu de fazendas em Itapetininga – com montanhas e rochedos similares à região do Minho – e Itu, no interior do estado.

10 – A cidade cenográfica tomou por base a aldeia portuguesa de Sistelo, que conservava características do século XIX. Eram vinte casas, uma igreja e uma praça, ao custo de US$ 35 mil. Todo o projeto foi implantado em cerca de 45 dias, obrigando a equipe a trabalhar em duas frentes: a da nova novela e a de Éramos Seis.

11 – ‘Pupilas’ contou ainda como um “mini zoológico”: três gatos, quatro bois, quatro cabritos, quatro cavalos, seis porcos, dez ovelhas, mais de cinquenta aves – entre galinhas e patos – e noventa pombos! Destaque para os sete cachorros, “herdados” de Éramos Seis. Explica-se: dois vira-latas que, com o movimento na cidade cenográfica da novela anterior, se instalaram por lá e que renderam uma ninhada de nove filhotes. Os “pais de família” foram apelidos de Lola e Júlio (Othon Bastos), chefes do núcleo central de ‘Éramos’ (Jornal do Brasil, 24 de dezembro de 1994).

12 – Na segunda-feira anterior à estreia, 5 de dezembro, o SBT reuniu o elenco da nova novela e o de Éramos Seis em um especial, conduzido por Hebe Camargo, direto do Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo.

As Pupilas do Senhor Reitor
Valéria Alencar como Francisquinha, rainha dos banhos de rio em As Pupilas do Senhor Reitor (Imagens: Lourival Ribeiro / SBT)

13 – As Pupilas do Senhor Reitor estreou com índices similares aos de Éramos Seis, em torno dos 15 pontos. Os números, contudo, rarearam nas semanas seguintes – reflexo talvez do início em dezembro, época ruim para a audiência.

14 – A equipe de texto, então contando com Bosco Brasil e Ismael Fernandes, ganhou os reforços de Analy A. Pinto, Aziz Bajur e Zeno Wilde, sob supervisão de Chico de Assis. As características dos personagens ganharam tintas mais fortes e os capítulos foram “acelerados” – cenas excessivamente longas, como as dos primeiros meses, acabaram extirpadas. Os autores também apostaram na sensualidade de Francisquinha (Valéria Alencar), que encontrou remédio para seus “calores” em banhos de rio.

15 – Francisquinha, então apaixonada pelo protagonista Daniel, ganhou par romântico: Fernão da Ribeira, tão fogoso quanto ela. Para o personagem, a produção estabeleceu tratativas com Carlos Alberto Riccelli, Guilherme Leme e Thales Pan Chacon; Eduardo Galvão, remanescente de A Viagem, assumiu o papel.

16 – Hebe Camargo, que participou da primeira versão como Magali do Porto, foi cogitada para “reencarnar” o tipo. Com viagens já agendadas e outros compromissos assumidos, Hebe declinou do convite. A cantora de fado acabou nas mãos de Lucinha Lins, também egressa de A Viagem.

As Pupilas do Senhor Reitor
Joana Fomm e Rogério Márcico, os vilões Eugênia e Pereirinha, em As Pupilas do Senhor Reitor (Imagem: Reprodução / Editora Abril)

17 – Joana Fomm, escalada para a substituta Sangue do Meu Sangue, acabou recrutada para ‘Pupilas’ em meio às reformulações. Sua personagem, Eugênia Carlota, “intensificou a maldade” no enredo. Expulsa de Póvoa do Varzim quando jovem, após perder o namorado – Sr. Reitor –, Eugênia volta ao local para vingar-se dos que a maltrataram.

18 – Logo após assinar com a concorrente, Fomm foi chamada para participar da vinheta de fim de ano da Globo. “Quando disse que meu contrato com eles já havia terminado e que já estava no SBT, percebi que foi um choque”, declarou ao Jornal do Brasil, de 24 de dezembro de 1994. Joana, que também havia participado de Fera Ferida, foi outra que permaneceu no ar nas duas emissoras, graças à reprise de Tieta (1989) em Vale a Pena Ver de Novo.

19 – A bengala utilizada por Eugênia Carlota foi incorporada à personagem por conta de um procedimento malsucedido, após uma ruptura de ligamentos, que obrigou Joana Fomm a adotar tal suporte.

20 – Com as alterações, Guida ganhou ares de heroína e passou a ser disputada por Daniel, Fernão e Padre Emílio (Olair Coan). Já Clara lutou contra Isabel (Lúcia Romano) pelo amor de Pedro. Francisquinha atraiu outros pretendentes: Augusto (Oscar Magrini) – também envolvido com Joana –, Gama (Marcos Breda), Joaquim (Fernando Neves) e Malaquias (Roney Fachini). Este último assumia compromisso com a jovem, por imposição do pai dela, João da Esquina (Renato Borghi), mesmo estando apaixonado por Teresa (Elizângela), mãe de Francisquinha e esposa de João. Além de Eugênia Carlota, Padre Antônio enfrentou a oposição de Padre José (Roberto Bomtempo), que o considerava “progressista” demais, e de Pereirinha (Rogério Márcico), que surrupiava as pratarias da igreja.

21 – Destaque para Daniela Camargo como Amália. A empatia da personagem com o público acabou salvando-a da vilania; a jovem problemática, porém, morreu de tuberculose, deixando o caminho livre para Daniel e Guida. E Cláudio Fontana, o Manoel do Alpendre, que empreendia uma verdadeira cruzada para descobrir a identidade de sua mãe – Rosa (Miriam Mehler), amante de José das Dornas, pai do rapaz. Rosa e as amigas beatas, Zefa (Ana Lúcia Torre) e Brásia (Cláudia Mello), também fizeram sucesso junto ao público. Assim como João Semana, agradável participação de Luís Carlos Arutin, médico e mentor de Daniel.

As Pupilas do Senhor Reitor
Miriam Mehler (Rosa), Ana Lúcia Torre (Zefa) e Cláudia Mello (Brásia), as beatas de As Pupilas do Senhor Reitor (Imagem: Marco Pinto / Editora Abril)

22 – A audiência de As Pupilas do Senhor Reitor cresceu! Mas não o suficiente para empolgar Silvio Santos a apostar na audaciosa adaptação de Dom Casmurro, clássico de Machado de Assis, realizada por Jandira Martini e Marcos Caruso com o auxílio de Leonor Corrêa. O projeto ambicioso, que transcorria em três épocas, foi engavetado, em favor de outro remake: Sangue do meu Sangue, que Vicente Sesso escreveu para a Excelsior em 1969.

23 – Os capítulos de As Pupilas do Senhor Reitor eram exibidos às 19h45 e reapresentados às 21h30 – após Quatro Por Quatro e Pátria Minha / A Próxima Vítima, novelas da Globo citadas nas chamadas do SBT. De acordo com o livro Biografia da Televisão Brasileira, de Flávio Ricco e José Armando Vannucci, a primeira faixa rendeu 11 pontos de média geral; a segunda ficou com 9. Apesar do desempenho “tímido”, os trabalhos do núcleo de dramaturgia foram mantidos por conta do prestígio junto à crítica e do retorno comercial.

24 – Em dezembro de 2006, o SBT apostou numa reapresentação de ‘Pupilas’ às 19h. O repeteco acabou suspenso após quatro capítulos. Comentários em redes sociais davam conta de problemas acerca dos direitos da trilha sonora. Em maio do ano seguinte, a novela voltou ao ar, às 15h15, compactada em 65 capítulos.

25 – A trilha, aliás, foi lançada em LP e CD, contendo também temas de Éramos Seis. As seis canções de As Pupilas do Senhor Reitor ocupavam o “lado A” do vinil; o compact disc contou com quatro temas extras.

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Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.