Nova série documental do Globoplay, Meu Amigo Bussunda diverte e emociona

Meu Amigo Bussunda
Meu Amigo Bussunda, nova série documental do Globoplay, merece nota por honestidade em depoimentos e com a história do famoso (Imagem: Divulgação / Globo)

O catálogo do Globoplay é digno de nota não só pelo resgate de clássicos da Globo – sempre apreciados por este colunista. A plataforma também oferece conteúdo original. Ainda não me afeiçoei às séries de ficção produzidas para o streaming, mas as documentais… Estas são imperdíveis! Inclui-se aí a mais recente delas, Meu Amigo Bussunda, disponibilizada nesta quinta-feira (17).

Em 4 episódios de aproximadamente 45 minutos cada, a trajetória do multitalentoso Cláudio Besserman Viana é revisitada através de depoimentos de quem conviveu com ele e imagens de arquivo da família e dos grupos Casseta Popular, O Planeta Diário, Casseta & Planeta e Globo. A série, conduzida pelo amigo e parceiro de trabalho Cláudio Manoel, não economiza detalhes, da infância ao “pós-morte”.

Meu Amigo Bussunda vai da colônia de férias judaica na qual o ator, comediante e roteirista, ainda menino, ganhou o apelido que o acompanhou por toda a vida – e onde convivia com as atrizes Débora Bloch e Giovanna Gold –, até o infarto que o levou, aos 43 anos, durante a cobertura da Copa do Mundo da Alemanha para o Casseta & Planeta, Urgente! (1992).

O tom difere, e muito, da “chapa branca” que, comumente, guia homenagens desta linha. Os atritos com a mãe psicanalista, o uso indiscriminado de maconha e cocaína nos anos 1970, a displicência com os estudos e as cobranças em relação ao êxito dos irmãos Marcos e Sérgio, médico e economista, e os tumultuados bastidores do ‘Casseta’ no auge do sucesso – incluindo as desavenças da equipe que antecederam o infarto.

Todos os entrevistados estão ali por inteiro. Há honestidade nas “confissões” dos envolvidos, caso da produtora Myriam Chebabi, recrutada para o programa por conta das gravações na Alemanha e acuada pelo ambiente pesado. Cláudio Manoel também revisita suas lembranças, e expurgar as culpas, enquanto tira revelações de interlocutores como José Lavigne, diretor da atração, com quem se indispôs seriamente momentos antes da morte de Bussunda.

O último episódio “muda de mãos”. Júlia Besserman, filha de Bussunda, atua como diretora no lugar de Cláudio e Micael Langer. As filosofias do pai são “esmiuçadas” pela jovem, ao lado de figuras como a mãe Angélica Nascimento, que o conheceu na UFRJ, e os primos André e Guilherme. Há também o debate sobre os limites do humor, com expoentes da nova geração – Danilo Gentili, Fábio Porchat e Noêmia Oliveira, entre outros.

Meu Amigo Bussunda vale cada minuto. Pelo personagem central, óbvio. Por divertir e também emocionar. E por reforçar a aposta do Globoplay em séries documentais, gênero ainda pouco explorado no Brasil, tão rico de possibilidades.

Duh Secco
Duh Secco é  "telemaníaco" desde criancinha. Em 2014, criou o blog Vivo no Viva, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.
Veja mais ›