O “branding” está destruindo as tardes da Globo

Se Joga
Érico Brás, Fernanda Gentil e Fabiana Karla apresentam o Se Joga (Imagem: Divulgação / Globo)

Publicitários, não me crucifiquem pelo título do artigo. O explicarei a seguir. Com raras exceções, a Globo nunca foi boa em criar programas de entretenimento. Neste caso, não falo de teledramaturgia. Os problemas sempre foram as atrações de palco, mesmo. A emissora historicamente buscou nomes de sucesso da concorrência para suprir essa necessidade.

Os exemplos mais notórios são Faustão (ex-Band), Ana Maria Braga (ex-Record), Serginho Groisman (ex-SBT), Luciano Huck (ex-Band) e afins. Até mesmo Xuxa Meneghel, hoje na Record, já tinha sido sucesso na TV Manchete antes de viver o auge do Xou da Xuxa.

O Se Joga é mais uma tentativa fracassada de lançar apresentadores engessados pelo “Padrão Globo”. Colocar uma jornalista de credibilidade e dois atores consagrados para se expor em uma atração popular jamais daria certo. Quem vai querer colocar a própria carreira em risco se expondo por alguns pontos de audiência?

Fernanda Gentil não é do povo. Fabiana Karla é uma boa comediante (e apenas isso). E Érico Brás… bem, esse deixemos sem comentários. Quem teve a ideia “genial” de colocá-lo nesse programa, cacete? Desde a sua concepção, o Se Joga era uma tragédia anunciada. É muito “branding” e pouco calor humano. É muito roteiro e pouco gostinho de Sonia Abrão, entende? É um Frankenstein chique. Não agrada ninguém.

O programa foi criado exclusivamente para aumentar o faturamento na faixa, no momento em que a Globo vive a maior crise financeira de sua história. Só isso explica o que é levado ao ar. É um Vídeo Show com possibilidades comerciais mais amplas. Se o objetivo era atrair publicidade, então, a decisão mais adequada seria lançar uma revista eletrônica vespertina, não?! Mas a burocracia da casa impede que programas jornalísticos tenham merchandising…

A mesma burocracia impede, aliás, que o programa seja feito como deve ser feito. Hoje o Se Joga nada mais é que uma assessoria de imprensa da Globo, com esquetes de humor e jogos nada empolgantes. Não repercute e só serve mesmo para jogar confete nos artistas da casa. Fabíola Reipert, que de fato faz jornalismo (gostem ou não do tipo), continuará reinando por muito tempo.

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Henrique Brinco é baiano, formado em Comunicação Social pela Unijorge, de Salvador. Atua no jornalismo desde 2008, passando pelas editorias de política, cidades, cultura e entretenimento em diversos portais de notícias, locais e nacionais. Foi por cerca de dois anos editor-chefe do site Varela Notícias, de Raimundo Varela, apresentador da Record Itapoan. Já foi colunista do RD1 anteriormente, por seis anos. Atualmente é repórter de política do jornal Tribuna da Bahia e do site BNews.

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