Paulo Vieira lamenta dificuldades para o gordo, pobre e negro entrar na vida artística

Paulo Vieira
Paulo Vieira fala sobre dificuldades para ingressar na carreira artística (Imagem: Reprodução / Instagram) 

Paulo Vieira abriu seu coração sobre as dificuldades para alguém com as suas características físicas e financeiras ingressar na carreira artística. Em entrevista a Marcelo Tas, no Provoca, da TV Cultura, o comediante, de origem humilde, expôs quais foram os seus principais desafios ao escolher a arte como sustento.

Eu acho que escolher é um privilégio que, às vezes, o pobre não pode se dar. Principalmente quando você vem de uma realidade onde precisa sobreviver, garantir a sua e dos seus, resolver ser artista é uma decisão quase egoísta. Imagina que meu pai estava contando comigo para o futuro da família. Como é que eu falo que eu vou ser artista? É como… jogou todas as fichas dele no lixo”, disse.

Ele também relembrou da sua fase na infância, quando chorava por não estar na televisão: “Eu me lembro de ver um show que tinha a Angélica ou Tony Garrido com algumas crianças e chorar, sofrer e pensar: mais um ano que eu não estou na televisão. Todo programa Criança Esperança para mim era um sofrimento, então eu sempre soube que queria ser artista”.

Com o passar dos anos, o ator foi amadurecendo e tendo a convicção de que a arte era mesmo o seu destino, mas foi uma situação dramática que o fez tomar as rédeas da sua vida profissional. “Eu queria ser ator sério porque eu pensava que a comédia era inferior. E quando a gente se mudou para o Tocantins, minha mãe tinha síndrome do pânico e a gente não tinha condições de pagar os remédios”, iniciou.

Foi quando a médica disse à sua mãe que seria necessário usar medicamentos, mas que um conselho válido era que, ao iniciar uma crise de ansiedade (que antecede o pânico), ela se distraísse.

E eu peguei essa missão para mim, de distrair a minha mãe. Quando ela começava a ficar ansiosa, eu imediatamente colocava um pano na cabeça, imitava minha vizinha, propunha brincadeiras (…) esse episódio com a minha mãe fez com que eu olhasse para a comédia com outros olhos, porque minha mãe foi parando de ter as crises de pânico e nunca mais teve. A comédia cura”, relembrou o famoso.

Ele, que é preto e gordo, também falou acerca da sua posição enquanto artista da maior emissora brasileira. “Eu tô na Globo, mas, por exemplo, não tô fazendo a novela das 9. Estou em num lugar que eu posso estar, né? Quando a pessoa escreve assim: Claudio entra e beija a sua esposa, automaticamente o Claudio não é gordo porque ele tem uma esposa. A gente passou por um processo que o gordo é assexualizado imediatamente. O gordo não beija, não trepa, não transa, sobretudo o preto gordo”, concluiu.

Elson Barbosa
Jornalista, encantado pelo entretenimento e pela possibilidade de contar e conhecer várias histórias ao mesmo tempo. Está no RD1 como repórter. Pode ser encontrado nas redes sociais no @ellsonbarbosa
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