“Quando perdemos a nossa mãe, perdemos o nosso maior vínculo com a vida”, diz Beth Goulart

Beth Goulart
Beth Goulart fala sobre a saudade da mãe, Nicette Bruno, do futuro e do livro que prepara (Imagem: Guilherme Lima / Divulgação)

Após a perda da mãe Nicette Bruno para a Covid-19, em dezembro de 2020, Beth Goulart passou a ter uma nova maneira de ver a vida – que ganhou um novo sentido após um processo de amadurecimento interior.

“A perda é difícil em qualquer situação, por mais espiritualizados que nós sejamos. A dor existe e faz parte do aprendizado. Não há parto sem dor, não é verdade? De certa forma, é um parto ao contrário, para uma nova realidade”, diz a atriz em entrevista exclusiva ao RD1.

A ausência da mãe ainda é grande. Afinal, foram anos de cumplicidade, amor e muito carinho. E ela não esconde sentir, até hoje, falta das conversas que tinha com Nicette Bruno no do dia a dia.

“Falo com a minha mãe como se estivesse ao meu lado, por mais que eu saiba que, provavelmente, ela não estará ali. Mas me faz bem imaginar a sua presença como um anjo da guarda que nos acompanha. Minha mãe é um ser de luz”, fala.

Beth Goulart explica que um dos momentos mais importantes em todo esse processo da perda, sem dúvida, tem sido o da aceitação. “É, justamente, quando deixamos de lutar ou negar a realidade e começamos a aprender a conviver com a falta, com a ausência. Entendemos que o nosso processo evolutivo da vida acontece por ciclos. Vivemos várias mortes nesse processo. Porém, o mais importante é aquele que nos ajuda a compreender que tudo é passageiro, até a própria vida”, ressalta.

Hoje, Goulart afirma que aprendeu a ser sua própria mãe após o falecimento de Nicette Bruno.

“É exatamente isso! Quando perdemos a nossa mãe, perdemos o nosso maior vínculo com a vida e temos que descobrir em nós essa conexão com a vida. E aí os ensinamentos, os valores, as referências são fundamentais para a afirmação da nossa própria voz. Passamos por um processo de amadurecimento e fortalecimento interior. Temos que ser a nossa própria referência e saber nos colocarmos no colo quando for preciso, chorar e sorrir com a vida. Aprender a amar quem somos e encarando as nossas qualidades e defeitos. Passamos a enxergar a nossa força e a fragilidade com clareza e sinceridade”, conta.

Livro em fase final

Mãe de João Gabriel, fruto da união com Nando Carneio, Beth Goulart continua a escrever o livro Viver é uma Arte, obra que contava com a ajuda de Nicette Bruno para incluir algumas histórias da família na obra.

“Ela passou a fazer parte do livro. Nós falávamos de como foi o processo de superação da morte de meu pai (Paulo Goulart). Agora, eu escrevo também sobre a morte da minha mãe. Tentei trazer para o livro algumas sensações como o inesperado que entra em nossa vida e modifica tudo; e como necessitamos estar em prontidão para a vida”, afirma.

Após tantos momentos difíceis, Beth conta que não há como ser a mesa mesma pessoa, em especial depois da perda da mãe.

“Sempre que nos deparamos com a morte olhamos melhor para a vida, passamos a valorizar cada momento como único e especial. Quem sabe perder nos faça amar melhor a própria vida?”, questiona, e completa: “Até o último instante podemos melhorar, podemos nos transformar e reconhecer os nossos erros; saber perdoar e descobrir a importância da gratidão”.

Beth Goulart
Beth Goulart prepara livro (Imagem: Guilherme Lima / Divulgação)

Descoberta de novos talentos 

Boa no comando do forno e fogão, a atriz tem aproveitado as suas investidas na cozinha para dividir com os seus seguidores as delícias que tem preparado para levar à mesa.

“Tempero é tudo! Durante a pandemia tive que me virar na cozinha e descobri que tenho potencial. Não sou nenhuma chef de cozinha, mas o que faço fica muito gostoso. Cozinhar é uma arte e um prazer, digamos que sou mais uma criativa na cozinha que técnica de forno e fogão”, entrega, afirmando que a sua especialidade é o macarrão. “É bem gostoso!”.

Questionada quem é a Beth Goulart hoje, ela é direta. “Uma pessoa melhor. Eu tive que aprender a lidar com a ausência de uma pessoa tão amada como minha mãe. E ainda me conhecer melhor, a reconhecer a minha força, a sabedoria interior; e ainda a enxergar à minha maturidade, independência e espiritualidade. Aprendi a alimentar minha alegria todos os dias, a valorizar a memória e a história de vida tão linda da minha família. Sou muito grata por ser quem eu sou”, finaliza.

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Márcio Gomes
O carioca Márcio Gomes é apaixonado pelo jornalismo, tanto que o escolheu como profissão. Passou por diversas redações, já foi correspondente estrangeiro dos títulos da Editora Impala de Portugal como Nova Gente, Focus, Boa Forma, e editor na revista de BORDO. Escreveu para várias publicações como Elle, Capricho, Manchete, Desfile, Todateen, Shape, Seleções, Agência Estado/Estadão, O Fuxico, UOL, entre outros.
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