Rainer Cadete fala de Verdades Secretas 2 e comenta sobre cenas quentes

Rainer Cadete
Rainer Cadete vive o Visky em Verdades Secretas 2 (Imagem: Reprodução / Instagram)

Sucesso como o Visky de Verdades Secretas 2, Rainer Cadete falou sobre como está sendo reviver o personagem que já era querido na primeira temporada da trama. Em conversa com a coluna de Patrícia Kogut, o ator também abriu o jogo sobre as cenas quentes da novela.

“É muito especial reviver o papel nesse momento da minha vida, depois da quarentena, de passarmos por esse momento difícil em que perdemos muita gente. Vimos o nosso país sendo massacrado por uma onda conservadora, e chega o Visky, um personagem que me deixa mais alegre, me ensina sobre liberdade e deixa tudo mais colorido”, disse.

“Além de entreter, passa uma mensagem desse corpo político que merece viver, merece espaço e protagonismo. Ele tem a coisa do alívio cômico, que essas pessoas acabam desenvolvendo para sobrevier nesse mundo, mas tem muita profundidade e muita luta”, afirmou o artista, que pontuou:

“Até outro dia, não tinha ida ao ar nenhum beijo gay. Walcyr Carrasco emplacou na novela das 21h (Amor à vida, em 2013) e agora estamos vivendo um outro momento com a série. Contando a história do erotismo, do sexo dessas pessoas, porque elas também transam. É um movimento de vanguarda”.

Sobre as cenas de sexo, Rainer contou que encarou com tranquilidade. “Eu não tenho muitos pudores como ator. E não sou uma pessoa de muitos julgamentos também. Acho natural um corpo humano, a nudez e o sexo… Dito isso, tudo é feito de maneira muito profissional, temos o poder de decidir até aonde a gente vai, conversamos com outros atores, montamos uma coreografia… É tudo pensado. Confiamos muito na equipe, então, fica tranquilo de fazer”, explicou.

Na conversa, Rainer Cadete ainda celebrou o passo importante que a novela está dando em um cenário tão preconceituoso contra a comunidade LGBTQIAP+. “A gente vive um momento de retrocesso. Eu não vivi, mas ouvi falar da década de 1970, de como estávamos mais à frente nessa questão da liberdade sexual”, declarou.

“E parece que o mundo não anda de uma maneira linear rumo ao progresso. É como se vivêssemos ciclos e essa fase é uma das complexas, porque mostra o tanto que o nosso país é misógino, machista, homofóbico… Nossa História é marcada por grandes golpes e temos problemas graves. Precisamos olhar para eles”, completou.

Na sequência, o global pontuou: “Quando se tem uma pessoa como a que está no nosso governo, que naturaliza tantas coisas terríveis, é muito difícil viver fora do padrão, do patriarcado Eu sempre pensei diferentemente dessas ideias vigentes e, como ator, acho importante falar disso, colocar essas discussões em pauta e abordar esses temas”.

“Muitas vezes, a pessoa não tem em casa o diálogo necessário. O certo é falarmos de emoção, de masculinidade, de sexualidades… Mas na maioria das vezes as pessoas crescem sem isso. Criamos uma sociedade com machos doentes, adeptos de uma masculinidade tóxica. Somos um dos países que mais mata trans, os índices de feminicídio são altíssimos, enfim, uma situação muito grave”, complementou o artista, que concluiu:

“Então, vir com esse entretenimento que gera tanta mobilização e que quebra esses padrões para levantar debates, maduros e saudáveis, é maravilhoso. Que ótimo que as pessoas estão falando de beijo grego e pesquisando sobre isso na internet. Que bom que alguém teve abertura para conversar sobre certos assuntos com a família graças à novela”. 

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Carol Bittencourt
Caroline Bittencourt é jornalista, pós-graduada em Comunicação e Design Digital. Atua como redatora e produtora de conteúdo para redes sociais.
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