Regina Duarte, entenda: acabou… peça pra sair!

Regina Duarte
Regina Duarte precisa ser realista diante dos fatos (Imagem: Divulgação / Globo)

Desde que Regina Duarte tomou posse como Secretária de Cultura, em 4 de março, as artes brasileiras perderam Adelaide Chiozzo (04/03), Jorge Salomão (07/03), Daniel Azulay (27/03), Riachão (30/03), Moraes Moreira (13/04), Rubem Fonseca (15/04), Ricardo Brennand (25/04), Nirlando Beirão (30/04), Aldir Blanc (04/05) e Flávio Migliaccio (04/05).

A Secretaria Especial de Cultura, subordinada ao Ministério do Turismo (!?), adotou como regra o silêncio. No Instagram, única rede social que mantém, a atriz foi pelo mesmo caminho – exceção a um post simplório pela perda de Migliaccio, após inúmeras críticas e cobranças.

A grande maioria da população não tem obrigação de saber quem foi Adelaide Chiozzo, cantora que marcou época na Rádio Nacional; ou associar o nome à figura de Daniel Azulay, que influenciou várias gerações com a criação da Turma do Lambe Lambe; ou até mesmo mensurar a importância de Mestre Riachão, uma das referências do Samba em todo o planeta. Mas a secretária de Cultura, sim!

Regina não silencia por ignorância. Pelo contrário, o faz para não desagradar o presidente Jair Bolsonaro, para quem bateu continência ao assinar seu termo de posse e teve contestada, na frente de várias testemunhas, a falsa carta branca prometida nos bastidores – a ingenuidade é uma delícia.

Convém ressaltar, porém, que a Cultura independe dos inquilinos provisórios do Palácio do Planalto. Ainda bem, afinal, triste da nação que não preserva sua memória. Mas quando uma atriz do quilate de Regina Duarte passa a ser instrumento para esse esquecimento, o mau cheiro incomoda um pouco mais. Em suma, é um pouco de decepção e lamento.

Regina precisa ser mais Malu e menos Porcina. Ou, se há incômodo no contraste, mais Helena, que errava e se excedia com o propósito de fazer o melhor, ainda que de forma equivocada e inadequada em alguns momentos. Por respeito à nossa Cultura, aos colegas, à sua história, Regina deveria vestir o véu da coragem. Parece ser tarde, mas ainda há tempo para isso.

Com as críticas frequentes do verborrágico Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, órgão subordinado à Secretaria de Cultura, e a recondução do maestro Dante Mantovani à Funarte, demitido pela atriz, fica claro o processo de fritura ao qual Regina está sendo submetida. Bolsonaro não queima Duarte, ele a carboniza. E faz isso por que quer vê-la pelas costas.

A namoradinha do Brasil precisa entender que esse casamento não vingou. A separação está logo adiante. A filha da atriz, Gabriela Duarte, tentou convencê-la disso antes mesmo da mãe subir ao altar. Mas Regina age como o pior dos cegos, aquele que não quer ver. Até quando, Regina?

Lembra da Raquel e da Maria do Carmo? Elas iriam à forra, Regina! E iriam por dignidade e extinto de sobrevivência. Claro que você cometeu o maior erro de sua carreira ao abrir mão de um contrato vitalício com a Globo para fazer papel de figurante do Titanic. Mas, no momento, a coragem cobra a conta.

Regina, o problema não é ser de direita, mas compactuar com o absurdo, com a insanidade. Entendo que o nocaute ao qual foi submetida pelo PT a feriu gravemente e a fez nutrir o pior dos sentimentos, a vingança, mas isso não é concessão para ser musa do pinel. Reconheça que essa novela não faz mais sentido e peça pra sair. É o mínimo. Coragem, mulher, coragem!

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João Paulo Dell Santo consome TV e a leva a sério desde que se entende por gente. Em 2009 transformou esse prazer em ofício e o exerceu em alguns sites. No RD1, já foi colunista, editor-chefe, diretor de redação e desde 2015 voltou a chefiar a equipe. Pode ser encontrado nas redes sociais através do @jpdellsanto ou pelo email jpdellsanto@rd1.com.br.