Relembre 10 programas infantis que marcaram os anos 1980 e 1990 na TV brasileira

Programas infantis marcaram época e imaginário nas décadas de 80 e 90 (Imagem: Reprodução / Montagem/RD1)

Você já se pegou sentindo saudades de algum momento passado? Ah, nostalgia! De acordo com o Dicionário Aurélio, esse sentimento tem por explicação uma “tristeza profunda causada por saudades do afastamento da pátria ou da terra natal. Estado melancólico causado pela falta de algo”. Mas, esse não será o caminho desta coluna. O objetivo é resgatar momentos alegres ligados à TV. Viajaremos na memória televisiva ressuscitando atrações que fizeram parte da infância de muitas gerações.

Você se lembra dos programas infantis que dominavam as manhãs da TV, nas décadas de 1980 e 1990? Atrações voltadas para as crianças tiveram seu apogeu na década de 90, mas surgiram ainda quando a TV engatinhava, nos anos 1950. Por mais que fossem raros, havia algo destinado aos pequenos na TV Tupi, chamado “Gurilândia” (1951), conforme traz Sergio Mattos em seu livro “História da Televisão Brasileira: Uma Visão Econômica, Social e Política (2002).

Décadas depois, as crianças tiveram seu apogeu em frente à TV, nos anos de 1980 e 1990, com apresentadoras que marcaram gerações com atrações que ainda sobrevivem na memória de muitos de nós. Atualmente, podemos matar as saudades desses ‘velhos tempos’ por meio de plataformas como o YouTube, revivendo momentos únicos da infância. Para, então, relembrar alguns dessas atrações, selecionamos 10 programas que fizeram a festa da molecada nos anos 80 e 90. Confira!

1 – BOZO (TVS/TV Record/SBT – 1980/1991)

(Imagem: Divulgação / TVS)

“Alô, criançada, o Bozo chegou!”. Era com esse refrão que o palhaço mais famoso do mundo abria seu show, pela TVS/SBT, nas décadas de 1980 e 1990. A atração ocupava uma grande parte da grade do canal e se tornou um enorme sucesso de audiência entre o público infantil.

Exibido no Brasil entre 15 de setembro de 1980 e 2 de março de 1991, Bozo Bozoca Nariz de Pipoca tinha o cenário de um circo e, claro, palhaços fazendo trapalhadas. A atração tinha plateia e as crianças participavam de brincadeiras no palco e por telefone além de cartas.

(Imagem: Divulgação / TVS)

Nomes como Luís Ricardo, Arlindo Barreto, Décio Roberto, Ed Banana e Jean Santos deram vida ao palhaço Bozo ao longo de anos. Para completar o time, atores interpretavam personagens famosos na imaginação das crianças como: Valentino Guzzo (Vovó Mafalda), Pedro de Lara (Salci Fufu), Rony Cócegas (Kuki), Flor (Bozolina), Leda Figueiró (fantoche Maroca), Papai Papudo (Gibe), Zaíra Zordan (fantoche Candinha), Pedro Américo, Fabio Villalonga (Zico), Lúcio Esper (Zecão) e o Gorila King Kong Bozo.

(Imagem: Divulgação)

História do Bozo nos EUA

Criado nos Estados Unidos em 1946 por uma gravadora de discos, Bozo foi classificado como o “Embaixador Mundial da Boa Vontade” pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Inicialmente, um dublador foi contratado para fazer a voz do palhaço em discos de música.

Com o advento da TV, em 1949, houve o início da carreira televisiva. Larry Hormon, que comprou os direitos autorais de Bozo nos EUA, criou junto com estilistas de Hollywood um cabelo engraçado e uma roupa chamativa. A atração foi reproduzida por mais de 240 canais de TV em mais de 40 países. No Brasil, a transmissão original do Bozo teve sua primeira fase marcada por muita diversão e polêmicas.

Bozo no Brasil

O amigão da criançada iniciou seus trabalhos no Brasil tendo o ator Wandeko Pipoca encarnando o Bozo. Escolhido por Larry, Pipoca foi o primeiro ator a usar as roupas do Bozo no canal de Silvio Santos. O primeiro, no Brasil, foi o ator José Vasconcelos que, em 1954, fez a primeira versão do palhaço americano em discos nos EUA. Iniciativa de Silvio Santos, a atração foi implementada pelo então diretor da TV Studios (TVS), Ricky Medeiros, em 1979, que trouxe a franquia norte-americana para o Brasil.

(Imagem: Divulgação / SBT)

Americano de nascimento, Medeiros foi responsável por projetos como o “Qual É A Música?”, “Chiquititas”, além de editar chamadas como “Quem procura acha aqui” e negociar contratos milionários com a Disney e a Warner Bros. À época, em 1980, Bozo era retransmitido pela TVS e pela TV Record, que era uma emissora local, em São Paulo, e tinha Silvio Santos como um dos acionistas.

(Imagem: Divulgação / SBT)

Um ano depois, Bozo é transferido definitivamente para o SBT que deixa de ser TVS e passa a ser uma rede de televisão com canal em São Paulo. Um dos maiores clássicos infantis da TV brasileira, Bozo era gravado na Rua Ataliba Leonel, no Carandiru, antigo lugar usado pela TVS/SBT. Com o sucesso da atração, vários atores interpretaram o palhaço em emissoras locais como na TVS Rio, TV Alterosa (Minas Gerais) e TV Itapoan (atual Record Itapoan), antes de ser transmitido via satélite para todo o Brasil, de 1982 a 1985. A atração teve grande aceitação do público infanto-juvenil e ganhou nove Troféus Imprensa, entre os anos de 1981 e 1990 como “O Melhor Programa Infantil do Brasil”.

O Programa do Bozo

Entre nos anos de 1980 e 1982, a atração tinha um cenário de circo com uma atração chamada “Roleta da Fortuna” e plateia com crianças. De 1982 até 1985, Bozo atendia telefonemas pelo número “236-0873” e chamava desenhos animados sentado em uma cadeira. Não havia mais plateia.

Entre 1985 e 1987, o cenário era um enorme rosto do Bozo com um telefone. Houve o retorno da plateia, dispensada em 1982. Sorteios de presentes, brincadeiras no palco e desenhos marcaram esta fase da atração.

De 1987 até 1988, o cenário era de uma floresta com um escorregador. O auditório foi mantido e as brincadeiras também.

Entre 1988 e 1991, o cenário era similar ao usado entre 1980 e 1982, com trapézios e cortinas de arco-íris foi o último cenário do programa.

Sucesso em audiência

Campeão de audiência nas manhãs da emissora, Bozo logo ganhou espaço na grade do canal à tarde. A “Bozomania” explodiu no Brasil e houve a necessidade de se contratar mais dois atores para o papel principal. Luís Ricardo e Arlindo Barreto se consagraram no papel do palhaço. Além desses, Décio Roberto foi escalado para se revezar no time.

A força do palhaço frente aos concorrentes estimulou Silvio Santos a criar a segunda fase da atração em estúdios locais na Bahia e no Rio de Janeiro, com Nani Souza e Charles Myara no papel. O programa liderava a audiência contra programas da TV Globo o que causou incômodo ao canal carioca que logo buscou uma forma de contra-atacar o circo da Família Bozo.

Em 1987, Bozo já era exibido em três horários: pela manhã, à tarde e no início da noite. A atração mesclava brincadeiras no palco com desenhos. A brincadeira de maior sucesso era: corrida de cavalos enquanto o Bozo torcia gritando junto com a plateia.

Desenhos animados como Pica-pau, Popeye, Looney Tunes, Papa-Léguas, o tokusatsu Spectreman e o desenho do próprio Bozo animavam as crianças durante a exibição do programa. Bozo lia as cartinhas dos “amiguinhos”, dava lições e cantava músicas dos seus discos. Lembra do desenho do Bozo? Confira!

Em 1988 o Bozo ganhou um especial que teve a presença de Silvio Santos como mestre de cerimônias, abrindo a atração para o palhaço. Veja!

Os Bozos brasileiros: quem foram?

  • Wandeko Pipoca (1980-1982)
Wandeko Pipoca (Imagem: Reprodução / Veja SP)

Primeiro Bozo, Wanderley Tribeck, ou Wandeco Pipoca, foi o primeiro a se vestir de Bozo no Brasil. Escolhido por Larry Harmon, dono dos direitos autorais do palhaço, Popila estreou em 1980 na antiga TVS

  • Luís Ricardo (1982-1990)
(Imagem: Reprodução / SBT)

Muito conhecido até os dias de hoje, Luís Ricardo Monteiro foi chamado para substituir Wandeco Pipoca como Bozo. Ficou como Bozo até 1990. Em 2011, em um especial, Luís Ricardo restiu a roupa de Bozo novamente.

  • Arlindo Barreto (1982-1986)
Arlindo Barreto (1982-1986) (Imagem: Reprodução / Veja SP)

O mais polêmicos dentre todos por conta do filme que narra trechos de sua vida, Arlindo Barreto assumiu a fantasia do palhaço entre 1982 e 1986. Durante sua atuação, Barreto se envolveu com drogas, o que foi retratado no filme “Bingo – O Rei das Manhãs”.

  • Paulo Seyssel (1983)
(Imagem: Reprodução / Veja SP)

Paulo Seyssel já era o palhaço Pula Pula antes de ser Bozo, em 1983. Revezou o palco com Luís Ricardo na atuação do palhaço Bozo.

  • Jonas Santos (1983-1984)

Jonas Santos foi o palhaço rapadura em Minas Gerais. Quando soube que Silvio Santos procurava atores para viverem o Bozo em outras cidades, não pensou duas vezes e se candidatou à vaga. Nesse período, viajou para São Paulo com o objetivo de observar Luís Ricardo e Arlindo Barreto. O teste foi apresentar um bloco da atração ao vivo. Aprovado, Jonas ficou no cargo por um ano fazendo o Bozo na TV Alterosa, em Minas Gerais.

  • Evandro Antunes (1984-1985)
Evandro Antunes – Bozo mineiro (Imagem: Reprodução / Veja SP)

Quando Jonas decidiu estudar dos Estados Unidos, uma vaga foi aberta em Minas Gerais e Evandro Antunes assumiu a personagem.

  • Cau Alves (1983-1985)

Cau Alves assumiu o Bozo na Bahia, em um programa local. Ficava sozinho em um pequeno estúdio, atendendo ligações de crianças e chamando desenhos animados.

  • Charles Myara (1982-1985)
Charles Myara – o Bozo das manhãs cariocas (Imagem: Reprodução / Veja SP)

Charles Myara era o Bozo na TVS Rio.

  • Décio Roberto (1984-1991)

Eliseu Abreu da Silva usava Décio Roberto como nome artístico e foi sugerido pela dupla Tonico e Tinoco para encarnar o Bozo. Contratado em 1984, ficou até 1991 com o fim da atração. Morreu no mesmo ano do término do programa.

  • Marcos Pajé (1986-1989)
Marcos Pajé – fase difícil (Imagem: Reprodução / SBT)

Marcos Góes, nome verdadeiro, revezava-se com Luís Ricardo, Arlindo barreto e Décio Roberto no papel do Bozo. Recentemente, em entrevista, Pajé revelou que entrava no ar sob efeito de drogas.

  • Edílson Oliveira da Silva (1986-1987)
Edilson Oliveira – Chiquinho e Bozo (Imagem: Reprodução / SBT)

Também conhecido como o Chiquinho do programa da Eliana, Edílson Oliveira deu vida ao palhaço Bozo e entrava no esquema de revezamento.

  • Jean Santos (2012-2013)
Jean Santos – o mais recente a viver o personagem (Imagem: Reprodução / SBT)

Com a renovação da franquia em 2013 entre o SBT e a Larry Harmon Pictures, Bozo pôde ser revivido em terras brasileiras com um programa próprio. Quem deu vida ao Bozo foi Jean Santos, inicialmente, dentro do “Bom Dia & Cia” e, depois, aos sábados no “Programa Bozo”.

Fim do Bozo!

Em 1991, o ator Décio Roberto morre vítima de broncopneumonia e a alegria do palhaço chega ao fim. Em 2 de março de 1991, Bozo sai do ar, mas seguiu com reprises até julho daquele ano.

De acordo com o portal “Terra” em publicação de 3 de dezembro de 2012, o programa saiu do ar por dificuldades para renovar a licença da personagem junto à empresa Larry Harmon, detentora dos direitos do personagem. Além disso, por causa da alta do dólar com a crise e a desvalorização do dinheiro no governo Collor, Silvio Santos não negociou a renovação pelo alto custo do contrato. A turma do Bozo foi substituída pela Vovó Mafalda, vivida por Valentino Guzzo (1936-1988), que apresentava a “Sessão Desenhos” e dava conselhos às crianças.

Sua última gravação foi em 2 de março de 1991, contudo, o programa seguiu com reprises até seu término em julho daquele ano. O motivo foi a dificuldade para renovar os direitos da licença do programa Bozo junto à empresa de Larry Harmon Pictures, que cuida do licenciamento do personagem, devido à alta do dólar com a crise e desvalorização do dinheiro, causados pelo governo Collor.

BINGO! As polêmicas por trás dos “Bozos”

O sucesso na frente das câmeras escondia as verdadeiras histórias por trás delas. Drogas, sexo e depressão. Muitos intérpretes do palhaço Bozo acabaram enveredando por um desses, ou todos, caminhos. O maior exemplo é o vivido pelo ator Arlindo Barreto, que vestiu a roupa do palhaço entre os anos de 1982 e 1987, no SBT, segundo a revista “Veja”. Barreto, em entrevista ao site “Notícias da TV”, revelou algumas histórias de bastidores que não vieram à tona, mas eram corriqueiras em sua vida de “Bozo”.

Arlindo Barreto em preparação para interpretar Bozo (Imagem: Divulgação)

Aos 64 anos, Barreto revelou que só virou palhaço no SBT após sofrer um assedio sexual por parte de um diretor, já falecido, da TV Globo. “Esse diretor global, que já morreu, queria que eu transasse com ele em troca de um papel. Nada contra, mas não sou gay. Eu o xinguei, o acusei de usar seu cargo para manipular as pessoas e ele me disse que eu nunca mais entraria na Globo. Ali, prometi que bateria na audiência da emissora um dia. Cinco anos depois, eu virei o Bozo e batia a audiência da Globo”, disse Barreto ao “NTV” em 2015.

(Imagem: Lourival Ribeiro / SBT)

Sobre drogas, Barreto declarou na mesma entrevista de 2015 que não se lembra muito de datas específicas de acontecimentos. “Não sei. Fumava muita maconha, mas muita maconha mesmo. Naquela época, meu cérebro deixou de funcionar para datas”.

“Fiquei mal e me disseram que a bebida me ajudaria muito, mas ela só me levou para baixo e fui para a cocaína para me levantar. Nunca havia cheirado no trabalho, pelo contrário, cheirava antes e ficava naquela ressaca horrível porque tinha que entrar animado no palco. Aquilo me derrubava”, afirmou Barreto ao “NTV”.

“Bingo – O Rei da Manhã” foi uma adaptação da história de Arlindo Barreto, lançada em 2017. Dirigida por Daniel Rezende, o longa tem Vladimir Brichta no papel do palhaço “Bingo’, que não pôde ter o nome ‘Bozo’ utilizado por questões autorais. Drogas, bebida, depressão e a língua solta. Componentes explosivos para quem trabalha na televisão. Barreto, certa vez, cutucou a Globo ao cantar uma música de nome ‘Boni’ (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, ex-diretor da TV Globo) e tomou suspensão de uma semana. “Tirei o sarro porque estávamos indo muito bem de audiência e porque sou palhaço! O que fiz foi errado. Silvio Santos é uma pessoa muita ética e cobra isso e seus funcionários. Errei, mas fui pra praia. Foram minhas primeiras férias após um tempo”, declarou ao “NTV”.

(Imagem: Divulgação)

O filme traz, de maneira amena, a história de Arlindo Barreto, pois, o mesmo declarou, em entrevista ao jornal “O Globo”, em setembro de 2017, que “Bingo” teve alguns trechos amenizados para evitar escândalos e que tais passagens aumentariam os efeitos dramáticos das situações. Ao “TV Fama”, Arlindo fez revelações curiosas sobre quando interpretou Bozo.

Alô, criançada, o Bozo voltou!

(Imagem: Reprodução / YouTube)

O SBT bem que tentou ressuscitar o Bozo em 16 de fevereiro de 2013. O palhaço voltou à programação do SBT nas manhãs de sábado. Junto com ele, estavam Vovó Mafalda, Salci Fufu e Papai Papudo, integrantes da Família Bozo.

Entre as brincadeiras estavam: Bozo Tesouro, Cocó Corrida, Salci Fufú Cartola, Bozo Coqueiro, Fórmula Bozo, Bozo Labirinto e Pit Stop do Bozo.

O “Programa do Bozo”, no entanto, saiu do ar no dia 4 de maio de 2013, por não atingir bons índices de audiência e foi substituído pelo “Sábado Animado”. Vale ressaltar que o SBT fez um acordo com o dono dos direitos de Bozo por um ano, mas com o aumento do dólar e a crise que o Brasil atravessa desde 2010, o contrato não foi renegociado e acabou no mesmo ano.

(Imagem: Reprodução / YouTube)
Bozo voltou ao SBT com a renovação dos direitos autorais com a Larry Harmon Pictures (Imagem: Reprodução / SBT)

Festival SBT 30 Anos

Em 2011, comemorando os 30 anos do SBT, a emissora fez um programa relembrando atrações que marcaram seus telespectadores e o Bozo não ficou de fora. O “Festival SBT 30 Anos” trouxe a história do palhaço mais famoso do mundo. Confira!

Em 2011, em comemoração aos 30 anos do SBT, Luís Ricardo reapareceu vestido de Bozo para participar do quadro das ‘Jogo das Três Pistas’, no “Programa Silvio Santos” e disputar contra os palhaços Patati e Patatá. Confira!

Em 2016, o apresentador Luís Ricardo foi entrevistado no “The Noite” e relembrou alguns momentos de sua carreira na pele do Bozo. Confira!

2 – Clube da Criança – (TV Manchete – 1983/1998)

(Imagem: Reprodução / YouTube)

Uma das pioneiras no quesito programa infantil, a TV Manchete tinha o seu “Clube da Criança”. No ar entre 6 de junho de 1983 e 14 de agosto de 1998, o programa era exibido às 17 horas e trazia a modelo Xuxa Meneghel estreando na TV, em 1983.

Com uma turminha do barulho, Xuxa comandava o programa com muita brincadeira e desenhos animados. Além disso, recebia convidados e fazia sorteios.

(Imagem: Reprodução / TV Manchete)

Com a saída de Xuxa para a TV Globo em 1986, o programa foi cancelado, mas voltou ao ar em 1987 comandado por Angélica que estreava no comando de infantis. A loira ficou até 1993, ano em que se mudou para o SBT.

Quem assumiu o “Clube” foi a atriz Mila Christieaté 1994. No mesmo ano, a ex-miss Patrícia Nogueira comandou por um ano o programa distribuindo muitos ‘Pat Beijos’ para as crianças. Em 1995, por falta de recursos, a atração saiu do ar, afinal, a TV Manchete vinha definhando em dívidas.

No entanto, entre nos anos de 1997 e 1998, Debby Lagranha comandou uma nova tentativa de retornar com o programa, todavia, a grave crise que engolia a emissora acabou cancelando o programa e Debby foi contratada pela TV Globo no mesmo ano.

Fatos curiosos sobre o Programa

Criado e dirigido por Maurício Sherman, o “Clube da Criança” foi vencedor do Troféu Imprensa 1993 como “O Melhor Programa Infantil de 1992”, sob a apresentação de Angélica. O curioso é que Xuxa levou o mesmo prêmio e teve que dividir com Angélica, mesmo dando 21 pontos de audiência na época contra um concorrente “imperceptível”, mas que mostrava força na categoria.

Com elementos deixados por Xuxa, o “Clube” foi desenhando sua nova fase e ganhando visibilidade. “Clubetes” foi o nome dado às assistentes de palco de Angélica em referência às Paquitas, de Xuxa. Em 30 de abril de 1993, Angélica fez sua última apresentação no comando do “Clube da Criança” que exibia reprises. Seu último programa inédito foi em 1 de janeiro do mesmo ano.

Sob o comando de Patrícia, em 1994, o Clube da Criança mostrou seu poderio de fogo ao exibir o anime japonês “Os Cavaleiros do Zodíaco” (“Saint Seiya”, no Japão). O desenho foi, e ainda é, um enorme sucesso em audiência fazendo com que a TV Globo mexesse em sua programação vespertina e criasse uma novelinha teen, voltada para adolescentes, chamada “Malhação”. Mesmo assim, ‘Cavaleiros’ seguiu aumentando o cosmo e lutando pelo primeiro lugar em audiência.

Com o fim do ‘Clube’, em 15 de setembro de 1995, houve a estreia, em 18 de setembro, do programa “Turma do Arrepio”. Relembre!

3 – Xou da Xuxa (TV Globo – 1986/1992)

Contratada pela TV Globo após comandar o “Clube da Criança” na extinta TV Manchete, Xuxa Meneghel estreou na telinha do ‘plim plim’ apresentando o “Xou da Xuxa” e dominava as manhãs da emissora. Exibido entre 30 de junho de 1986 e 31 de dezembro de 1992, a loira fez história ao lado de Paquitas e Paquitos de segunda à sábado.

(Imagem: Reprodução / YouTube)

Com um formato infantil, a atração foi de grande sucesso na TV Globo com um auditório cheio de crianças. O “Xou da Xuxa” (“Show” com a letra ‘X’ para valorizar a apresentadora) trazia brincadeiras, atrações musicais, desenhos animados e quadros especiais. Confira a estreia de Xuxa na TV Globo:

Campeão de audiência, o “Xou da Xuxa” fez da apresentadora titular um ídolo do Brasil. Referindo-se às crianças como “baixinhos”, Xuxa tornou-se a ‘rainha dos baixinhos’ e criou bordões como ‘beijinho, beijinho, tchau, tchau’, que virou febre entre a molecada.

Assistentes de palco

A apresentadora tinha a ajuda de personagens curiosos para comandar a tração. Marcas do programa, as “Paquitas” tornaram-se referências para muitas crianças. Ao lado delas, estavam duas personagens curiosas: Dengue (vivido por Roberto Bettini) e Praga (interpretado por Armando Moraes), que também ajudavam Xuxa a organizar o cenário. No ano de 1989, uma versão masculina das Paquitas foi criada e chamada de ‘Paquitos’.

(Imagem: Divulgação / Globo)

Sempre com brincadeiras e gincanas, o programa fornecia dicas de alimentação saudável para as crianças em seu café da manhã, afinal, a loira colocava a cara na telinha já às 8h da matina. Xuxa teve, em 1991, dois repórteres mirins que entrevistavam personalidades em uma inspiração ao que já se fazia na TV em anos anteriores.

Dengue (com a guitarra) e Praga (com os braços abertos) junto das Paquitas que ajudavam Xuxa em seu ‘Xou’ (Imagem: Divulgação / Globo)

O sucesso era tamanho que o “Xou da Xuxa” alçou voo para 17 países da América Latina, onde ficou conhecido como “El Show de Xuxa”. Um ano depois, já em 1992, novos quadros e desenhos estrearam. Xuxa passou a interpretar personagens caricatos e foi ganhando a aceitação do público brasileiro cada vez mais.

Os desenhos animados que mais se destacaram dentro do programa foram: He-Man, She-Ra, Scooby Doo, Os Flintstones, Thundercats e Caverna do Dragão.

O programa

O “Xou da Xuxa” tinha um cenário desenhado por Maurício de Souza, criador da Turma da Mônica. A produção pesquisou cerca de 50 brincadeiras e criou algumas outras para as gravações do programa. Tudo era pensado para ser feito pelos pequenos em casa. Cada canto do cenário tinha um brinquedo para as crianças se divertirem como escorregadores e balanços.

Todo gravado no Teatro Fênix, no Rio de Janeiro, o “Xou da Xuxa” tinha como ícone a nave espacial que trazia e levava a apresentadora dentro. Em 1991, todo o cenário foi redesenhado com símbolos turísticos do mundo. Até a nave ganhou um ar futurista. Um ano depois, tudo mudou e o cenário ganhou toques de vídeo games.

(Imagem: Divulgação / Globo)

Curiosidades do ‘Xou’

Xuxa já havia se vestido, em novembro de 1988, de quase 800 maneiras diferentes. Com roupas chamativas, botas e luvas, o sucesso comercial dos objetos licenciados era visível entre as crianças.

Em 8 de setembro de 1989, o “Xou da Xuxa” atingiu a marca de mil programas exibidos e ganhou um especial, depois de três anos e dois meses no ar. Xuxa ainda estrelou longa-metragens com mais de 30 milhões de pessoas. O mais conhecido foi “Lua de Cristal” (1990), que bateu 4 milhões de espectadores.

Fim do Xou!

O “Xou da Xuxa” teve sua última apresentação exibida em 31 de dezembro de 1992, com o programa de número 2.000. Para isso, houve uma superprodução. Xuxa recebeu vários convidados no palco, mas o momento ápice foi quando ela se encontrou como seu pai, com quem não falava há cinco anos.

Embora o clima tenha pesado e Xuxa não tenha sido tão receptiva com o pai naquele momento tão especial, anos depois, a loira deu o tão famigerado abraço ao receber o pai em seu novo programa.

Xuxa foi substituída por desenhos animados a partir de janeiro de 1993, de segunda a sexta, às 8h30, e aos sábados, às 9h30.

4 – Oradukapeta (SBT – 1987/1990)

(Imagem: Reprodução / YouTube)

Sérgio Mallandro ganhou um programa infantil na telinha do SBT no final dos anos 1980. Chamado de “Oradukapeta”, a atração estreou no canal de Silvio Santos em 22 de junho de 1987 e ficou até 15 de junho de 1990. Confira a abertura:

Gravado em São Paulo, o infantil iniciava às 08 horas e ia até às 10h30, seguido pelo Bozo. Com a estreia de Simony, em 15 de agosto de 1988, o programa começava às 07h30 e ia até 10h30, quando entrava no ar o Do Ré Mi Fá Sol Lá Simony.

Diário, Sérgio Mallandro trazia brincadeiras com as crianças em quadros humorísticos além de desenhos animados. Tal mistura rapidamente caiu no gosto do público infantil. Isso despertou atenção da TV Globo que contratou Sérgio em 1990 para o “Show do Mallandro”.

Principais quadros

O quadro mais famoso de todos foi a “Porta dos Desesperados” em que Mallandro fazia uma sátira da “Porta da Esperança”, quadro do “Programa Silvio Santos”.

Sérgio Mallandro e a Porta dos Desesperados (Imagem: Divulgação / SBT)

Com muitos gritos e encenações, o participante podia ganhar um prêmio ou um monstro, dependendo da porta que escolhesse.

Além disso, a “Oradukapeta” trazia personagens engraçados interpretados pelo apresentador como o goleiro Mallandrovsky que era protagonizava uma competição de pênaltis entre as crianças. O goleiro, claro, sempre acabava levando gol dos participantes.

No palco, Sérgio Mallandro mostrava o que sabia fazer de melhor: divertir. Do banco do “Show de Calouros” para a “Oradukapeta”, Sérgio começou a incomodar a audiência da concorrente, que trazia Xuxa como destaque. O resultado disso foi que em 1990, Sergio aceitou o convite e se mudou para a TV Globo para fazer dobradinha com Xuxa nas manhãs da nova emissora. Veja.

Sérgio, por sua vez, retornou ao SBT em 1993. Mallandro deixou a TV Globo e retornou ao SBT para fazer o “Programa Sérgio Mallandro”, mas saiu em seguida. Confira um trecho do programa.

5 – Show Maravilha (SBT – 1987/1994)

Criado por Silvio Santos e Luciano Callegari, o “Show Maravilha” foi exibido pelo SBT entre 6 de abril de 1987 e 16 de fevereiro de 1994. No elenco, a baiana recém-chegada a São Paulo, Mara Maravilha, Maravilhas, Marotos, Borboletas, Chocrível, Tira Gosto, Maquinista, Banana entre outros. Com exibição inicial às 16h30, em substituição à segunda exibição do “Programa do Bozo”, foi remanejado para as 10h30, sendo substituído pelo “Programa Sérgio Mallandro”.

Com um formato simples e inspirado no “Xou da Xuxa”, Mara Maravilha exibia desenhos animados e fazia brincadeiras no palco além de receber convidados. Para se ter uma ideia da inspiração, enquanto Xuxa chegava em uma nave espacial, Mara chegava em um trenzinho, parte importante na composição do cenário que tinha um sol sorridente.

A atração pegou todos de surpresa diante do sucesso que foi, pois alavancava a audiência do canal nas tardes do SBT. Paralelamente a Xuxa, Mara tornou-se um fenômeno dos ‘baixinhos’ e ficou por sete anos ininterruptos no ar chegando a alcançar a liderança em diversos momentos, empurrando Xuxa para a segunda colocação. Quando o “Xou da Xuxa” teve o fim decretado, em 1992, Mara seguiu liderando contra a matilha da “TV Colosso”, que ficava em segundo lugar na preferência do público.

(Imagem: Divulgação / SBT)

Desenhos

O Show Maravilha tinha bons desenhos que marcaram gerações como: Snoopy, A Pantera Cor de Rosa, Silver Hawks, Os Defensores da Terra, Os Fantasmas, Os Jetsons, Pica-Pau, Pernalonga e sua turma, Tom e Jerry, O Fantástico Mundo de Bobby, Pole Position, Punky, Popples, Nossa Turma (The Get Along Gang), Princesa dos Cabelos Mágicos (Lady Lovely Locks), Super Mouse, Kissyfur, Jonny Quest, Cavalo de Fogo, Os Seis Biônicos, Popeye, Honey Honey, Spectreman, Robin Hood, Ursinhos Carinhosos, Muppet Babies, Jem e as Hologramas, Ducktales, Batman, Angel a Menina das Flores, Jayce e a Liga Relâmpago, Os Ursinhos Gummi, Os Inumanóides, Samurai Pizza Cats, Pinóquio, Snuffy Smith, O Pequeno Príncipe, Os Cowboys de Moo Mesa, Heidi, Os Pequeninos e o M.A.S.K.

Fim da linha para o trenzinho…

A atração de Mara Maravilha teve seu fim decretado em 1994 após a apresentadora receber uma proposta de uma emissora argentina, TV Córdoba, onde apresentou um programa naquele ano.

Fora do SBT, Mara não galgou o mesmo sucesso de antes. Em 1996 ela tenta emplacar o mesmo sucesso na TV Record com o “Mundo Maravilha”, mas… Confira a abertura da atração na Argentina!

6 – Rá Tim Bum (TV Cultura – 1990/1994)

(Imagem: Reprodução / YouTube)

O que é “Ratimbum”? Uns dizem ser uma onomatopeia do som de balões de festa estourando. Outros afirmam que é o som de instrumentos de uma fanfarra ou banda de circo, mais especificamente a caixa (Rá), os pratos (Tim) e o bombo (Bum).

Na TV, essas teorias explicam, ou pode explicar, o sucesso que foi o programa “Ratimbum”, exibido pela TV Cultura entre 5 de fevereiro de 1990 e 26 de março de 1994. Lembra da abertura? Então assista!

O programa infantil, que marcou gerações, teve direção geral de Fernando Meirelles e tinha uma fórmula única com quadros livres além de inovar na programação infantil da TV, saindo do formato apresentador com crianças no palco.

Com experiências fáceis de fazer e com atores engraçados e quadros que aguçavam a mente das crianças “Ratimbum” ganhou vários prêmios por se dedicar à pré-alfabetização das crianças. A atração ensinava informações sobre ecologia, cidadania, higiene além de português e matemática.

(Imagem: Reprodução / YouTube)

Num total de 192 episódios, “Ratimbum” seguiu sendo reprisado por anos, pois está fora do ar desde 2009. No elenco, nomes que marcaram a infância de muitos ex-baixinhos como: Marcos Nascimento – Cientista/Apresentador, Rosi Campos – Dona Fada Malvina, Grace Gianoukas – Mãe (Eva), Roney Facchini – Pai (Luis), João Victor d’Alves – Filho (Ivo), Pamella Domingues – Filha (Lia), Ivete Bonfá – Avó, mãe de Eva, Jéssica Canoletti – Fada Dalila, Wandi Doratiotto – Zé, o cameraman, Vivianne Pasmanter – Fada Madrinha, Carlos Moreno – Euclides, Paulo Contier – Máscara, Marcelo Tas – Professor Tibúrcio, Iara Jamra – Nina, Eliana Fonseca – Cacilda, Norival Rizzo – Esfinge, Marcelo Mansfield – Doutor Barbatana, Luciano Ottani – Molibdênio, Professor Miguilim e Rói, Helen Helene – Darlene Rocha, Sílvia e Contadora de Histórias, Márcio Ribeiro – Arinélson, Luiz Henrique – Zero, Ricardo Corte Real – Zero Zero, Ângela Dip – Abelhinha, Goiabinha – Bludo, Arthur Kohl – Contador de Histórias e Mimico do quadro a velha a fiar, Théo Werneck – Pinguim pianista.

Os quadros da atração foram marcantes. Muitos deles viraram bordões entre as crianças e até hoje permeiam a imaginação das pessoas. Alguns deles foram: Senta que lá vem história, Máscara, O jornal da criança, Nina, Professor Tibúrcio, A Família Teodoro, Esfinge, Como se faz, Doutor Barbatana e as sereias da água doce, Professor Miguilim, A velha a fiar, O pinguim pianista, Porquinhos que ensinam a tomar banho ou escovar os dentes.

Nos 45 anos da TV Cultura, a emissora fez um “Ratimbum Especial”. Confira!

7 – Glub Glub (TV Cultura – 1991/1999)

“Glub, glub, glub, glub, glub…”. Quem nunca se pegou cantando essa música da abertura do “Glub Glub”, da TV Cultura? O programa, apresentado por dois peixes no fundo do mar, teve exibição entre 9 de setembro de 1991 e 24 de setembro de 1999 no canal citado.

(Imagem: Reprodução / YouTube)

A atração inovou ao levar as crianças para o fundo do mar com… Bem, veja a abertura para entender melhor.

As histórias eram focadas em dois peixes, ambos chamados “Glub”, que davam nome ao programa. Interpretados por Carlos Mariano e, originalmente, Gisela Arantes, mas em alguns casos, por Cecília Homem de Mello, “Glub Glub” exibia desenhos e casos que aconteciam no fundo do mar. Foto feito em Chromakey (com fundo verde, sem cenário, como mostra a figura abaixo), o programa não tinha alto custo para a emissora com cenários e demais gastos.

(Imagem: Divulgação / TV Cultura)
(Imagem: Divulgação / TV Cultura)

Algum tempo depois, a carangueja Carol, interpretada por Andrea Pozzi, chegou à atração. Cada situação vivida servia como lição de moral. Tudo era tratado no dialogo que se passava, como dito, no fundo do mar, perto de uma TV alimentada por um peixe-elétrico. Por essa TV, todos assistiam os desenhos animados do programa.

Animações

O programa trazia diversos desenhos não muito conhecidos pelas crianças que assistiam outros canais, mas as animações eram educativas seguindo a linha da emissora. Dentre elas, destacavam-se: Arrume Tudo e Pare com Isso, As Aventuras de Morph, A Baleia Léa, Bertha e a Fábrica, Bojan, Bouli, Os Brollys, Cobi e sua turma, Cachorrinhos, Capitão Urso Azul e Suas Histórias de Marinheiro, Coelinho, Ernest, O Vampiro, Fábulas das Cores, Fábulas dos Números, Frutas e Companhia, Gil & Giulia, Gulp, Histórias de Pom Pom. . Confira:

O programa saiu do ar em 1999, mas retornaria sete anos depois.

O retorno

Uma nova versão de “Glub Glub” ganhou a telinha, estrelada por Carlos Mariano e Gisela Arantes. O novo formato era voltado à biologia marítima e os peixes Glub e Glub apresentam vídeos no fundo do mar. O cenário foi todo remodelado.

8 – Mundo da Lua (TV Cultura – 1991/1992)

(Imagem: Divulgação / TV Cultura)

Alô, alô, planeta Terra chamando…“. Lembra disso? Se sim, você está no mundo da lua!

Com um elenco para lá de lunático e estelar, “O Mundo da Lua” foi outro grande marco da TV brasileira quando o assunto é programa infantil.

(Imagem: Divulgação / TV Cultura)

Exibido entre 6 de outubro de 1991 e 27 de setembro de 1992, num total de 52 episódios, a produção tinha no elenco nomes importantes da dramaturgia brasileira atual como: Luciano Amaral, Antônio Fagundes, Mira Haar, Mayana Blum, Gianfrancesco Guarnieri e Anna D’Lira.

(Imagem: Divulgação / TV Cultura)

O seriado foi criado por Flávio de Souza e tinha como protagonista Lucas Silva e Silva, interpretado por Luciana Amaral. Exibido originalmente aos domingos, a série ganhou as semanas da TV Cultura e se tornou um campeão de audiência nos anos 1990. O sucesso foi tamanho que a vida da Família Silva e Silva foi exibida pela TV Globo em 1993.

O enredo

A história narra as experiências de Lucas Silva e Silva, um menino que ganha um gravador de seu avô. Por meio desse objeto, Lucas narra suas histórias como gostaria que as coisas fossem. Lucas vive na casa do avô, em São Paulo, com os pais, Rogério e Carolina; a irmã mais velha, Juliana; e a empregada Rosa.

Documentário

“O Mundo da Lua” ganhou um documentário. A atração dos anos 90 ganhou um curta-metragem chamado “Diário de Bordo de uma viagem à infância” (CLIQUE AQUI) que traz depoimentos de alguns dos atores que participaram. Mate saudades do primeiro capítulo do seriado!

Em 2014, Luciano Amaral foi entrevistado por Danilo Gentili no “The Noite” e comentou sobre curiosidades do programa. Assista:

9 – X-Tudo (TV Cultura – 1992/2002)

Um mix de tudo. Assim podemos resumir o “X-Tudo”, exibido pela TV Cultura entre 11 de abril de 1992 e 3 de novembro de 2002 com a apresentação do saudoso Márcio Ribeiro (1964-2013). Dá uma olhada na abertura e relembre o programa:

O programa tinha nomes já conhecidos como Marcelo Mansfield, Márcio Ribeiro, Norival Rizzo, Joyce Roma, Fernando Gomes, Fernanda Souza, Gerson de Abreu, Enrique Serrano e Oscar Simch no elenco. Separamos um vídeo do elenco da atração, olha:

Em parceria com o Sesi, o “X-Tudo” teve um formato que buscava transmitir informação da maneira mais simples e direta ao público infantil da emissora. Além do já citado Márcio Ribeiro, a apresentação contava com o boneco “X” que tinha vida graças ao ator Gerson de Abreu na manipulação. Quadros de curiosidades científicas ganhava destaque no projeto além de contação de histórias e sugestões de leituras.

A atração teve seu fim decretado em 2002 em uma tentativa da TV Cultura em renovar sua programação infantil. O “X-Tudo” tinha tamanha entrada com o público infantil que acabou ganhando a adesão de professores e fazendo parte da linguagem estudantil, sendo veiculado em escolas. Assista este e refresque a memória de como era o programa:

10 – TV Colosso (TV Globo – 1993/1997)

(Imagem: Divulgação / Globo)

Com o fim do “Xou da Xuxa”, a TV Globo escalou uma cachorrada para entrar em cena e tentar brigar pela audiência matinal da TV. Na verdade, precisando tapar o buraco na grade da emissora deixado por Xuxa, Boni e Boninho chamaram um grupo gaúcho de fantoches para coordenar a nova atração do canal. Entrava no ar a “TV Colosso”, no dia 19 de abril de 1993 até o dia 3 de janeiro de 1997. Confira a abertura do programa:

Sob a direção de Boninho, os cães entravam na TV às 8 da manhã, de segunda a sábado. Estrelado por bonecos e fantoches, a “TV Colosso” era uma emissora de televisão fictícia que mostrava o dia a dia de um canal de TV. Assista à chamada de estreia do programa:

Com exibição de desenhos animados, os cachorros interagiam uns com os outros durante as 4 horas de exibição. Com cerca de 30 fantoches (sendo 25 cães e 3 pulgas), os cachorros interpretavam inúmeros papéis com mais de 50 personagens. A emissora tinha sua estrela maior, a sheepdog Priscila.

(Imagem: Divulgação / Globo)
(Imagem: Divulgação / Globo)
(Imagem: Reprodução / YouTube)

Evolução

O ano de 1995 trouxe algumas mudanças para a atração que deixou de ser pensada somente como uma emissora de televisão e ganhou novas esquetes paralelas. Com isso, houve um tom mais infantil do programa. Aos sábados, havia a reapresentação dos melhores momentos da semana, porém, com a criação do “Xuxa Park”, em 1994, os caninos perderam espaço para a ‘rainha dos baixinhos’.

Em 1996, a “TV Colosso” já dava sinais de desgaste e passou a reapresentar os melhores momentos, terminando sua produção inédita. Os cães passaram a dividir espaço com o “Angel Mix“, de Angélica, que estreava nas manhãs da Globo.

Desenhos animados

Os desenhos animados mais famosos da “TV Colosso” eram: Super Mario Bros., Power Rangers, As Aventuras dos Ursinhos Gummi, As Aventuras de Mickey e Donald, He-Man, She-ra, Smurfs e Snorks, As Tartatugas Ninjas, Smurfs, Onde Está Wally?, Popeye, Tazmania, Mickey e Donald entre outros. Confira as chamadas dos desenhos.

Curiosidades animal

Em sua reta final, a “TV Colosso” passou por alguns ajustes como tentativa de acertar a audiência. Em 1995, os bonecos passaram por algumas modificações e ganharam novos integrantes. Os novos cachorros tinham olhos que acendiam e ficavam vesgos.

Um ano depois, em 96, o programa agregou o famoso Zé Carioca em um talk show na emissora. Por exigência da Disney, o boneco do Zé Carioca foi confeccionado em Los Angeles e tinha estrutura de látex com fibras de vidro, carbono e micro pelos que imitavam as penugens das aves. Confira!

O mais impressionante é que o Talk show do papagaio se chamava “Disney Club”, nome do mesmo programa que seria produzido pelo SBT alguns anos depois em parceria com a Disney.

Atentión, pessoall, tá na horrra de matarr a fomê! Tá na mêss, pessoaaaaal” era a frase que encerrava a programação matinal dos cães. Um cozinheiro com sotaque francês gritava que a comida estava na mesa e a debandada da matilha fazia todos encerrarem suas funções.

Devido ao peso da fantasia, dois bailarinos se revezavam para dar vida aos bonecos que tinham mais de 2 metros de altura. Como as personagens pulavam e dançavam em cena, era necessário que houvesse manipulação eletrônica e dubladores.

Os cenários variavam desde miniaturas até espaços enormes para receber os cães com 2 metros de altura. Além disso, todos os objetos em cena foram feitos especialmente para o programa.

O cuidado era tanto que a cada dois meses os bonecos recebiam um “banho” em uma banheira com shampoo e condicionador. Com o sucesso da atração, foram lançados dois discos, pela Som Livre; o longa-metragem Super Colosso (1996) e 120 produtos licenciados.

Pega Pulga (Imagem: Reprodução)
Jogos da TV Colosso (Imagem: Reprodução)
A TV Colosso lançou 2 discos musicais (Imagem: Reprodução)

As personagens

A TV Colosso se passava dentro de uma emissora de televisão e tudo era baseado na programação das TV Globo. A equipe era formada pela sheepdog Priscilla, produtora da TV; o operador de VTs, Borges, que apertava os botões para exibir os desenhos animados.

As três pulgas da TV Colosso (Imagem: Reprodução / Globo)

No comando do “Jornal Colossal”, forte inspiração no “Jornal Nacional”, estava o jornalista Walter Gate. Comandando os clipes do Clip-Cão, tinha o Thunderdog. Outros personagens como Jaca Paladium, Roberval o ladrão de chocolate, JF, dono da emissora, Capachão, Gilmar, Provolone e Parmesão, Malabi, etc faziam parte da matilha.

O fim da TV Colosso

Em entrevista ao site “Risca Faca”, Luiz Ferré, criador do programa, explicou que a atração, inicialmente, ficaria quatros meses no ar, mas acabou ficando quatro anos, o que cansou muito a equipe com as cansativas rotinas de gravações e a exaustão criativa da equipe.

“Tinha uma força grande da Xuxa ainda dentro do projeto comercial. Ela tinha uma força muito forte, muito forte. E também a gente estava muito cansado. A gente achou que era quatro meses, ia pro Rio e tirava férias. Que nada, a gente enlouqueceu. Teve um desgaste criativo muito grande também. Foi bom, porque parou, o projeto continuou lá fora, tava em 36 países. A gente gravava todo dia, isso cansou muito. Era uma rotina muito difícil”, disse Ferré. Abaixo, algumas fotos da produção dos bonecos e das gravações do programa.

(Imagem: Roberto Dorneles)
(Imagem: Roberto Dorneles)
(Imagem: Roberto Dorneles)
(Imagem: Roberto Dorneles)
(Imagem: Roberto Dorneles)
(Imagem: Roberto Dorneles)

O canal Nerd Show traz algumas curiosidades sobre o fim da “TV Colosso”. Vale a pena conferir:

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Reuber Diirr é jornalista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo com especialidade no entretenimento de TV. Atuante em sites sobre Televisão, Reuber já passou por emissoras como a Record News Espírito Santo e a TV Gazeta, afiliada da Globo no ES. Dentre suas várias matérias, em que entrevista famosos, Reuber já esteve ao lado de nomes importantes da TV brasileira como Gugu Liberato, Celso Portiolli, Ratinho, Christina Rocha, Danilo Gentili, João Kleber, Luciana Gimenez e Fabio Porchat, além de visitar emissoras como SBT, Record, Band e RedeTV. Curioso e ligado em assuntos nostálgicos, Reuber trará temáticas que relembrarão os meandros da televisão brasileira na coluna “TV Nostalgia”, publicada aos domingos no RD1. Siga-o no Twitter, Instagram, Facebook, Snapchat e YouTube em @reuberdiirr.

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É formado em jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Com passagens pela Record News ES e TV Gazeta (Globo/ES), cobre entretenimento de maneira divertida e leve. No RD1, acompanha as coletivas de imprensa com matérias exclusivas e vídeos com os artistas. Além disso, produz vídeos com as principais informações dos famosos para o Instagram, Twitter, Facebook e Youtube do RD1. Acompanhe os eventos com famosos clique aqui!

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