O SBT voltou a olhar para um de seus maiores trunfos históricos para tentar reagir na disputa por audiência com a Globo. O seriado Chaves, que marcou gerações, pode ganhar novo espaço na grade ainda em 2026, após anos sendo tratado como produto secundário.

A movimentação não é aleatória. Nos bastidores, a emissora entende que o programa ainda tem força suficiente para segurar público e até reorganizar faixas estratégicas da programação.
Pouca gente lembra, mas Chaves já protagonizou um feito raro na televisão brasileira: em seu auge, chegou a registrar audiência superior a conteúdos ligados à Copa do Mundo, algo praticamente impensável nos dias atuais.
O fenômeno que já venceu até a Copa
Exibido no Brasil desde os anos 1980, Chaves se consolidou como um dos maiores sucessos da história do SBT. Em seu pico, chegou a marcar mais de 30 pontos de audiência em São Paulo.
Em um cenário dominado por grandes eventos e transmissões esportivas, o seriado conseguiu competir de igual para igual com conteúdos de altíssimo apelo popular.
Esse histórico, inclusive, é o principal ativo que o SBT tenta resgatar agora.
Um caminho para enfrentar a Globo
A Globo, como sempre, segue dominante com:
- novelas consolidadas
- jornalismo forte
- transmissões esportivas
Diante disso, o SBT aposta em um caminho oposto: custo baixo e alta identificação com o público.
A ideia em estudo envolve:
- reposicionar Chaves em horários mais competitivos
- usar o programa como “ponte” para outras atrações
- explorar o fator nostalgia como diferencial
Na prática, o objetivo é simples: segurar audiência onde a Globo costuma crescer.
Pode funcionar na disputa atual?
Mesmo longe do auge, Chaves ainda mostra capacidade de reação. Em exibições recentes no horário nobre, chegou a ser o programa mais assistido do SBT no dia.
O desafio está em transformar esse desempenho pontual em estratégia consistente.
Se bem utilizado, o seriado pode não repetir o feito histórico de superar grandes eventos como a Copa do Mundo, mas ainda tem potencial para incomodar a Globo em faixas específicas.
Caso contrário, corre o risco de continuar como apenas mais uma reprise na programação.
Moysés Batista é editor de conteúdo no FDR, com foco em finanças pessoais, benefícios sociais, políticas públicas e direitos do cidadão. Bacharel em Letras pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), atua com foco na produção de conteúdos informativos orientados por dados oficiais e normas do Governo Federal. É responsável por análises e pautação sobre programas sociais, crédito, previdência e consumo, com ênfase em clareza, serviço ao leitor e verificação de informações públicas. E-mail para contato: [email protected]
