Sucesso em novela, Juan Paiva abre o coração sobre filha, racismo e The Masked Singer

Juan Paiva
Juan Paiva dá vida ao Ravi em Um Lugar ao Sol (Imagem: Divulgação / Marcio Farias)

Sexto eliminado do The Masked Singer Brasil, Juan Paiva, que teve a sua identidade, a de Robô, revelada, deixou a disputada do reality musical no último domingo (6).

“Fazia tempo que eu não dançava. Como a gente tinha a vivência do Nós do Morro (projeto cultural da comunidade do Vidigal), já tinha essa vivência da dança e da capoeira. Queria agradecer a galera que fez esse figurino interessantíssimo. Eu só fui a alma do Robô”, conta.

No ar em Um Lugar ao Sol dando vida a Ravi, o ator deu uma entrevista exclusiva ao RD1 e contou sobre o sucesso do personagem, que trouxe visibilidade e fama, porém, ele ressalta que apesar do sucesso mantém os pés no chão.

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Orgulhoso das suas raízes e morador da comunidade do Vidigal, Juan – que começou a fazer teatro no grupo de arte Nós do Morro – conta que faz questão de não se mudar e ainda afirma que pretende, sim, ser um exemplo profissional para a nova safra de atores que estão surgindo no bairro.

Aos 23 anos, casado com Luana Souza e pai de Analice, Juan Paiva é só felicidade com a paternidade e diz que a vida mudou após o nascimento da sua filha. “No início foi bem preocupante porque a gente não sabia como planejar a vida. Hoje é tudo bem tranquilo e estamos buscando o nosso caminho e tocando a nossa vida”, resumiu.

Confira a entrevista na íntegra:

RD1 – Como foi a experiência de participar do The Masked Singer. Ficou chateado com a eliminação?

Juan Paiva – Adorei ter participado do programa, tudo foi muito legal desde a primeira vez que cheguei ao estúdio para gravar. O processo de ensaio, da coreografia e da adrenalina da apresentação me lembrou o teatro porque você veste um personagem. Foi uma experiência nova e pensei logo na minha filha, que imaginei que fosse gostar da brincadeira.

Ela reclamou por eu não ter contado que era o Robô (risos), mas ficou muito feliz quando soube de tudo. A minha preocupação era de alguma parte da fantasia soltar, de repente, durante a apresentação. A roupa causava uma estranheza pelo peso. Eu levava uns 30 minutos para me vestir. O figurino não me limitava na questão da movimentação, mas me ajudava naqueles movimentos mais fechados, robóticos, mais “quadradinhos”.

O carisma do personagem e a interação com o público foram os pontos fortes. Dei a alma para cada apresentação acontecer de verdade e me diverti muito fazendo o programa.

Na trama Ravi sofre com situações de racismo. Fora da TV, você já passou por esse tipo de situação?

Já e várias vezes. E isso causa indignação e revolta! Mas aprendi que à minha arma será o conhecimento e o estudo. Preciso ter voz ativa, mas também ser sábio e inteligente, debater e falar sobre isso. Já passei por situações complicadas que me deixaram chateado, porém, busquei rebater como deve ser rebatido: ação e reação. É uma situação em que o outro não entende que é cruel, e é muito cansativo para a gente ter que ensinar ao outro que isso é cruel. Então, tem horas que a gente perde a paciência e fica indignado e aí a reação vai depender do temperamento de cada um. Eu sou tranquilo, mas existem situações em que à minha reação é diferente. Casos de racismo e preconceito não passam batido por aqui, não! A gente fala debate e luta contra, mesmo, porque isso tem que acabar!

Ravi morria num acidente trágico, mas a autora resolveu continuar com o personagem até o fim do folhetim. Ficou assustado com o sucesso e reconhecimento do público?

Não imaginava esse sucesso todo para o Ravi, mas tinha uma noção de que ele poderia ser bem aceito pelo público porque é um personagem íntegro, um cara que age com o coração. O Ravi acredita na bondade das pessoas, na vida, então, as chances dele ser bem aceito eram grandes, mas não imaginava que seria nesta proporção.

Trabalhei em cima dessa personagem com a professora Fátima Domingues, do grupo Nós do Morro, e com toda a equipe da novela. Eu poderia ser médico, advogado, mas escolhi ser ator. E essa profissão tem esse lado, essas consequências da fama, como o assédio, o sucesso junto ao público. Mas foi o que escolhi e é o que eu gosto.

“Um Lugar ao Sol” é a sua terceira novela e a que trouxe maior visibilidade. O que faz para manter os pés no chão?

Acredito num passo de cada vez, por isso, subo um degrau por vez. Aos poucos, vou chegando lá. E tudo é fruto de muita dedicação à arte. Amo o que eu faço. Sou dedicado ao meu trabalho, posso até dizer que sou muito crítico. Poder dar vida a um personagem que toca e atinge outras pessoas é o poder da arte. Sou grato demais a Deus e às pessoas que sempre me deram apoio. Muito feliz por isso!

Em uma entrevista você disse não gostar de falar de si. É timidez ou prefere ser reservado?

O Juan Paiva ator/artista é diferente do Juan Paiva pai, com a família. Com respeito é possível viver sem melindres. Estou sempre com a minha família e os meus amigos, gosto de passear e me comunicar com as pessoas. Isso faz parte de mim, quem quiser me conhecer estou aberto… Então, posso dizer que esse é o cara que interpreta o Ravi, um cara dedicado que está sempre na luta, descobrindo sua personalidade e suas características para transbordar na tela, no placo, onde for.

A educação que recebi dos meus pais foi baseada na humildade, simplicidade e respeito. E ser alegre, buscar a minha felicidade e dedicar o meu tempo a coisas boas. Isso tudo trago para a minha vida. E ainda estou aprendendo, construindo-me, toda hora penso algo novo e descubro coisas novas sobre mim. Estou caminhando na terceira década da minha vida e o que acho que é útil e válido eu passo para a minha filha.

Você é casado com Luana Souza e pai de Analice, de sete anos. A vida mudou após o nascimento da sua filha?

Mudou sim. Embora sejamos muito jovens, sinto que venho crescendo. Inclusive, crescendo junto com a minha filha, de certa forma. Tem a parte da responsabilidade, da filha ir para a escola, de cuidar depois dela em casa, da mãe precisar trabalhar e eu ficar com ela ou vice-versa. Enfim, tudo faz parte.

Como somos jovens, o clima é bem de boa, às vezes, parece que ela é nossa irmã (risos). O que me deixa muito orgulhoso é ter aprendido tudo com os meus pais para, agora, passar esses conhecimentos para a minha filha – e a também aprender coisas com ela e levar isso até aos meus pais, pois somos de gerações diferentes. E isso é muito legal!

Ser pai aos 16 anos ajudou o seu processo de amadurecimento?

No início foi bem preocupante porque a gente não sabia como planejar a vida. Eu estava terminando os meus estudos. Foi um susto, com certeza, uma mistura de tudo… Mas depois virou empolgação quando descobrimos o sexo do bebê, fomos acompanhando a barriga crescendo, as coisas vão se ajeitando e a empolgação aumenta.

Dentre as maiores dificuldades tivemos a preocupação e a busca pelo lado financeiro – afinal, a família já era grande: eu, meus pais e meus dois irmãos, além da minha companheira. E com a minha filha nascendo a família aumentou. Então, foi preocupante. E ainda existia o desejo de concluir os meus estudos e eu estava fazendo teatro, tudo isso junto… Graças a Deus tive ajuda da minha família. Hoje é bem tranquilo e estamos buscando o nosso caminho e tocando a nossa vida.

Continuar a morar no Vidigal foi uma maneira de mostrar que é possível ascender e manter as raízes?

Moro no Vidigal e não pretendo sair de lá, isso é indiferente para mim. Aqui (Vidigal) todos me conhecem e se tratam da mesma forma, as pessoas se olham de igual para igual. Tenho colegas que já foram competir nas Olimpíadas e o morro se uniu para ver os jogos, para torcer por eles que são daqui da comunidade. E mais: tem outra geração que está chegando e quero ser espelho e motivação para eles.

Quanto ao asfalto, fico feliz com o carinho das pessoas desconhecidas que me abordam na rua para falar sobre o meu trabalho. É um lugar que busco tratar as pessoas também de igual para igual. Algumas pessoas já vieram conversar comigo sobre o meu trabalho e acabaram virando meus amigos. Sei que isso tudo vai passar e o que vamos levar é amizade e reconhecimento. Estou muito feliz!

Muitos dos seus sonhos, objetivos você já concretizou. O que mais o Juan Paiva quer alcançar?

Por enquanto, existem trabalhos previstos para o cinema, mas ainda estamos resolvendo pela questão de datas das filmagens, essas coisas… Aliás, aproveito o espaço para estimular as pessoas a consumir e valorizar mais o cinema nacional. Temos produtos com conteúdo muito bom!

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Márcio Gomes
O carioca Márcio Gomes é apaixonado pelo jornalismo, tanto que o escolheu como profissão. Passou por diversas redações, já foi correspondente estrangeiro dos títulos da Editora Impala de Portugal como Nova Gente, Focus, Boa Forma, e editor na revista de BORDO. Escreveu para várias publicações como Elle, Capricho, Manchete, Desfile, Todateen, Shape, Seleções, Agência Estado/Estadão, O Fuxico, UOL, entre outros.
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