Um Lugar ao Sol vai apostar em tramas e merchans para a terceira idade

Um Lugar ao Sol
Marieta Severo, intérprete de Vó Noca em Um Lugar ao Sol; próxima novela inédita das nove terá espaço para a terceira idade (Imagem: Fábio Rocha / Globo)

Novela de Lícia Manzo para a faixa das nove, cuja estreia foi adiada pela Globo mais uma vez – por conta da pandemia de coronavírus –, Um Lugar ao Sol promete ampla abordagem sobre as dores e as delícias da terceira idade. Além do debate a respeito de temas como aposentadoria, isolamento social e viuvez, a trama pretende atrair anunciantes hoje voltados para o poder consumidor dos idosos.

Os assuntos são pertinentes. Há cerca de um ano, o Instituto Locomotiva e a Sony Pictures Television divulgaram a pesquisa Grey Power – O Mercado que Mais Cresce no Brasil, que, entre outros dados, destacou o consumo diário de TV por quase 75% das pessoas com idade superior a 50 anos; 76% dos entrevistados revelaram a intenção de adquirir itens de vestuário, calçado e acessório.

Pensando nisso, Um Lugar ao Sol contará com tipos como Noca (Marieta Severo), avó da protagonista Lara (Andréia Horta). As duas mantém um restaurante, batizado Vó Noca, em Taquara, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O tipo reservado para Marieta, hoje com 74 anos, é apontado como “oportunidade” para anúncios voltados ao mercado Grey Power, bem como merchandisings acerca de gastronomia e sustentabilidade.

O folhetim conta ainda com Ana Virgínia (Regina Braga, 75) e Santiago (José de Abreu, 75). A primeira, psicóloga, enfrenta o alcoolismo da filha Júlia (Denise Fraga), cantora emocionalmente instável que acaba por distanciar-se do herdeiro, Felipe (Gabriel Leone), também músico. O segundo, dono da rede de supermercados Redentor, divide-se entre os livros e a disputa da família pelo comando de seus negócios.

Tais nomes, cabe lembrar, foram poupados das primeiras gravações de Um Lugar ao Sol – Marieta, quando requisitada, acabou contraindo o coronavírus. As medidas restritivas adotadas pela Prefeitura do Rio de Janeiro em meio ao agravamento da pandemia limitaram ainda mais os trabalhos, o que levou a Globo a suspender a estreia, prevista para abril. Com isto, Amor de Mãe dará lugar à reapresentação de Império (2014).

Descompasso

Se Joga
Fernanda Gentil, apresentadora do Se Joga; conteúdo “batido” marca volta da atração ao vídeo (Imagem: João Miguel Júnior / Globo)

O novo Se Joga estreou no último sábado (6) flertando com o conteúdo do extinto Vídeo Show. E, logo na primeira edição, repetiu um dos maiores deslizes do programa que ocupou as tardes da Globo por décadas: as pautas do noticiário televisivo, na era dos Stories, envelhece rápido.

A repercussão da saída de Lumena do BBB 2021, bem como a participação de Eliane Giardini foram debatidas a exaustão, embora a atração tenha dado tratamento de novidades às matérias. O “ao vivo” soou como firula – assim como toda a sequência de Érico Brás “invadindo” o arquivo do canal, hoje revisitado em muitas plataformas, para encontrar erros de gravações.

Ainda, o desacerto de Fernanda Gentil com os temas do agora semanal. A apresentadora, conhecida por seu jogo de cintura na cobertura esportiva e festejada por seu desempenho à frente do Encontro, parece não dialogar com novelas e afins. O microfone de mão deixou Fernanda ainda mais engessada.

Cabe ressaltar a pesquisa de imagem e a produção de elenco; até a modelo do clipe de Pelados em Santos, dos Mamonas Assassinas, marcou presença numa pauta sobre os 25 anos sem o grupo. Fica a sugestão para os próximos sábados: um convidado no palco, ou por chamada de vídeo, melhor aproveitamento do “ao vivo” e notícias exclusivas de fato.

Comadres

Eliana
Eliana, Angélica e Xuxa Meneghel no programa da primeira, exibido neste domingo (7); apresentadoras surpreenderam com declarações (Imagem: Blad Meneghel)

Já a entrevista de Eliana com Xuxa Meneghel, marcada pela presença de Angélica, valeu a pena pela espontaneidade do trio. As três apresentadoras, sempre associadas aos formatos infantis, revelaram traços pouco conhecidos de suas personalidades, associados aos filhos, aos relacionamentos e até às fofocas. Eliana, despojada, tirou Xuxa do “lugar comum” de suas últimas participações em atrações televisivas. E Angélica acrescentou demais à conversa, passando longe da frivolidade dos papos que travava com convidados de seus programas na Globo. Ponto positivo para o SBT!

Memória

Lado a Lado
Camila Pitanga (Isabel) e Marjorie Estiano (Laura) em Lado a Lado; último capítulo do folhetim foi exibido há oito anos (Imagem: Estevam Avellar / Globo)

Há oito anos, a Globo exibia o último capítulo de Lado a Lado. A novela de Claudia Lage e João Ximenes Braga chegou ao fim, coincidentemente, no Dia Internacional da Mulher. Uma justa reverência às protagonistas Isabel (Camila Pitanga) e Laura (Marjorie Estiano), jovens de origens distintas em busca do amor e da liberdade no Rio de Janeiro do início do século XX. Contra ambas, a ex-baronesa Constância (Patrícia Pillar), arraigada ao passado de glórias e de submissão das mulheres perante as convenções e os homens, embora fosse ela quem desse as cartas na família.

Lado a Lado arrebatou o Emmy 2013 na categoria Melhor Novela – batendo Avenida Brasil (2012) –, além de uma legião de fãs que hoje espera por uma eventual edição especial às 18h. Os autores, curiosamente, não fizeram carreira na casa. João deixou a emissora logo após o insucesso de Babilônia (2015); Claudia saiu de cena meses depois do engavetamento de uma sinopse sobre o movimento sufragista, de luta das mulheres pelo direito ao voto. A Globo, aliás, parece resistir ao tema… Um projeto de Alcides Nogueira sobre o assunto também ficou pelo caminho.

Fica a dica

Filhas de Eva
Renata Sorrah (Stella) em Filhas de Eva; série estreou nesta segunda-feira (8) no Globoplay (Imagem: Estevam Avellar / Globo)

Hoje (8), em meio às celebrações do Dia Internacional da Mulher, o Globoplay disponibilizou os 12 episódios de Filhas de Eva. Nós acompanhamos apenas o primeiro (e ótimo) episódio. Renata Sorrah encanta como Stella, a mulher que em meio à festa de Bodas de Ouro decide pôr fim ao casamento com Ademar (Cacá Amaral). Aplacada pelo tempo que dedicou ao marido, Stella vê a filha Lívia (Giovanna Antonelli) repetir sua trajetória, diante do êxito profissional, e da infidelidade, do companheiro Kléber (Dan Stulbach).

O conflito familiar é entrecortado pelas ações de Cléo (Vanessa Giácomo), que leva a vida sem encanações. E que, num golpe do destino, deixa-se enredar pelo parceiro de Lívia.

Atriz de muitos recursos, Renata Sorrah surpreende, mais uma vez, como a mulher descasada – tipo frequente em sua longa carreira. Já Giovanna Antonelli está num tipo bem confortável para ela, o da figura complexada, quase neurótica. Não inova, mas não compromete. O mesmo para Vanessa Giácomo. Dan Stulbach, por sua vez, salta dos aparvalhados que vimos em seus trabalhos recentes na TV para o perfil canalha narcisista. Débora Ozório também merece atenção; é a mulher de hoje, Dora, no clã dominado pelas antiquadas Stella e Lívia, avó e mãe.

Duh Secco e Daniel RibeiroDuh Secco e Daniel Ribeiro
A coluna Curto-Circuito é assinada por Duh Secco e Daniel Ribeiro, editor-assistente e repórter especial do RD1, respectivamente, e reúne, de terça a sábado, logo cedinho, o que é e vai virar notícia nas próximas horas envolvendo os movimentados bastidores da TV.
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