70 anos de histórias: 7 vezes em que a TV mudou a sociedade

Mulheres Apaixonadas
Mulheres Apaixonadas ajudou o Estatuto do Idoso ser aprovado mais rápido no Congresso (Imagem: Divulgação)

Desde a sua inauguração no Brasil, em 18 de setembro de 1950, há exatos 70 anos, a televisão representa um fator importante na cultura e no comportamento da sociedade, sendo responsável por promover discussões, influenciar Eleições e até promover a criação de Leis no nosso país.

Listamos 7 momentos nos quais a telinha foi fator determinante para transformar a sociedade que conhecemos hoje. Confira:

Jovens de Anos Rebeldes influenciaram os “caras-pintadas” (Imagem: Divulgação / Globo)

Anos Rebeldes e Os Caras-Pintadas

Minissérie que retratou o papel dos jovens durante a Ditadura Militar no Brasil entre os anos 1964 e 1979, Anos Rebeldes foi exibida no ano em que eclodia as denúncias de corrupção envolvendo então presidente da República, Fernando Collor de Mello, em 1992, e inspirou os movimentos estudantis conhecidos como Os Caras-Pintadas. As manifestações estudantis eram embaladas por canções como Alegria, Alegria, de Caetano Veloso – tema de abertura da trama escrita por Gilberto Braga, e trazia cartazes com referências à minissérie, como Anos Rebeldes, Próximo Capítulo.

Explode Coração contribuiu para solucionar casos de crianças desaparecidas (Imagem: Divulgação / Globo)

Explode Coração e as crianças desaparecidas

Escrita por Glória Perez, a novela Explode Coração (1995) se tornou um marco na história da televisão por expor o rosto de dezenas de crianças desaparecimento no país. O sofrimento de mães desesperadas foi representado pela personagem Odaísa (Isadora Ribeiro), que se integrava a um grupo de 20 mulheres que se encontravam em uma praça no Rio de Janeiro com fotos de seus filhos desaparecidos. As imagens reais mostradas na novela extrapolaram os limites da ficção e trouxeram resultados na vida real. Segundo o jornal O Globo, a localização de crianças desaparecidas no Brasil subiu de 55% para 80% naquele ano.

Marco do jornalismo brasileiro, reportagem do JN mudou a história dos Direitos Humanos no Brasil (Imagem: Reprodução / Globo)

Favela Naval e os Direitos Humanos no Brasil

No dia 31 de março de 1997, uma reportagem apresentada por Marcelo Rezende para o Jornal Nacional mostrou dez policiais torturando e assassinando pessoas durante uma operação ilegal em Diadema, na Grande São Paulo. O caso, conhecido como Favela Naval, ganhou grande repercussão no país e foi responsável pela criação da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, recentemente transferida para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, pelo Governo Federal.

Doações de medula, de órgãos e de sangue dispararam após cenas de Laços de Família (Imagem: Divulgação / Globo)

Laços de Família e os Doações de Medula no Brasil

Em 2000, a novela Laços de Família trouxe para o cotidiano brasileiro a discussão sobre a leucemia e o transplante de medula por meio da personagem Camila (Carolina Dieckmann). Enquanto na ficção os familiares e amigos da jovem testavam a possibilidade de serem doadores, na vida real muitos brasileiros se mobilizaram nos hemocentros de todo o país para salvar a vida de outras pessoas. Na reta final da novela, o Instituto Nacional do Câncer registrou 149 novos cadastramentos por semana, um aumento de quase 1500%. O “efeito Camila” também contribuiu para o crescimento de outros tipos de doação, como de sangue e de órgão, e rendeu à Globo o mais importante prêmio de responsabilidade social do mundo, o BITC Awards for Excellence 2001, na categoria Global Leadership Award.

Idosos maltratados em Mulheres Apaixonadas apressaram a aprovação do Estatuto do Idoso com ajuda da televisão (Imagem: Divulgação / Globo)

Mulheres Apaixonadas e o Estatuto do Idoso

O drama de Leopoldo (Oswaldo Louzada) e Flora (Carmem Silva), um casal de idosos que era maltratado pela neta Dóris (Regiane Alves) na novela Mulheres Apaixonadas (2003), não sensibilizou apenas o público, como também as autoridades. A trama de Manoel Carlos precipitou a aprovação do Estatuto do Idoso no Congresso Nacional, que tornava crime desdenhar, humilhar, menosprezar ou discriminar pessoa idosa, por qualquer motivo. Se a Lei fosse aplicada na ficção, a personagem de Regiane Alves poderia pegar de seis meses a um ano de detenção.

A violência contra a mulher, retratada na trama por meio da personagem Raquel (Helena Ranaldi), fez com que o aumento de denúncias na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher crescesse em 40%. Os casos reais vieram à tona especialmente após a personagem de Helena Ranaldi denunciar o marido Marcos (Dan Stulbach).

Reportagem de Roberto Cabrini na televisão rendeu nota do papa e citação em filme americano (Imagem: Reprodução / SBT)

Roberto Cabrini e os casos de pedofilia na Igreja Católica

Vencedora da edição 2010 do Prêmio Esso de Jornalismo, a reportagem Sexo, Intrigas e Poder da Igreja Católica, produzida pelo jornalista Roberto Cabrini para o Conexão Repórter, revelou ao país um esquema de pedofilia envolvendo padres e coroinhas na cidade de Arapiraca, em Alagoas. A exibição do programa motivou dezenas de novas denúncias contra líderes católicos nas semanas seguintes – algumas delas foram apuradas novamente por Cabrini no SBT. Até mesmo o Papa Bento XVI se manifestou sobre o caso, emitindo uma nota em apoio às vítimas e às famílias. Em 2015, o filme vencedor do Oscar Spotlight também mencionou as denúncias apresentadas no Conexão Repórter.

Trajetória das empreguetes na televisão ajudaram no debate sobre os direitos das domésticas no Brasil (Imagem: Divulgação / Globo)

Cheias de Charme e a PEC das domésticas

A luta entre as “empreguetes” e “madames” retratada na novela Cheias de Charme (2012), através das protagonistas Maria do Rosário (Leandra Leal), Maria da Penha (Taís Araújo) e Maria Aparecida (Isabelle Drummond), trouxe não apenas a valorização de uma classe até então menosprezada na TV e na sociedade, mas também mobilizou discussões sobre os direitos das empregadas domésticas no Brasil, fomentando a aprovação a PEC nº 66/2012, conhecida como PEC das Domésticas, em abril de 2013.

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Daniel Ribeiro cobre televisão desde 2010. No RD1, ao longo de três passagens, já foi repórter e colunista. Especializado em fotografia, retorna ao site para assinar uma coluna que virou referência enquanto esteve à frente, a Curto-Circuito. Pode ser encontrado no Twitter através do @danielmiede ou no danielribeiro@rd1.com.br.

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