Beijo entre Michael (Pedro Vinícius) e Santiago (Giovanni Dopico) foi festejado na internet (Imagem: Reprodução / Globo)

Não é de hoje que os autores de dramaturgia tentam avançar no que diz respeito à visibilidade do público gay nas novelas. Dos anos 1960 para cá, muitas tentativas foram feitas – algumas bem recebidas, outras nem tanto – e pode-se dizer que a televisão e a sociedade evoluíram de forma concomitante na aceitação das formas diferentes de amar.

No mês passado, um novo passo foi dado nessa busca por quebra de tabus com a sequência de “Malhação – Vidas Brasileiras” em que os adolescente Michael (Pedro Vinícius) e Santiago (Giovanni Dopico) trocam um beijo na boca.

Bastante festejada nas redes sociais, essa ousadia da autora Patrícia Moretzsohn e da diretora artística Natália Grimberg só foi possível graças a uma longa estrada percorrida por outros profissionais para que sequências assim pudessem ser encaradas com mais naturalidade. Relembremos a seguir outras ocasiões em que a televisão inovou na retratação da temática homoafetiva.

Giselle Tigre e Luciana Vendramini se beijaram em cena de “Amor e Revolução” (Imagem: Reprodução / SBT)

1- Luciana Vendramini e Giselle Tigre – “Amor e Revolução” (2011)

Neste período, o tabu do beijo entre pessoas do mesmo sexo nos folhetins nacionais ainda era forte e, como a Globo parecia não se decidir a inovar nesse sentido, coube ao SBT a ousadia de dar o primeiro passo.

No dia 12 de maio de 2011, foi ao ar na trama de Tiago Santiago a cena de um ardente beijo entre as jornalistas Marcela (Vendramini) e Marina (Tigre). Porém, a repercussão negativa desse entrecho, somado aos problemas de audiência que a própria novela já vinha apresentando, fizeram com que o SBT aparentemente se arrependesse de ter levado ao ar a sequência em questão, a ponto de uma outra sequência similar, com beijo entre os atores Lui Mendes e Carlos Thiré, ter a exibição vetada nos episódios seguintes.

Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) conquistaram a audiência (Imagem: Reprodução / Globo)

2- Mateus Solano e Thiago Fragoso – “Amor à Vida” (2013)

O beijo gay só aconteceria com uma maior aceitação dois anos depois, desta vez no horário nobre da Globo. A simpatia do público pelo excêntrico e desbocado Félix (Solano) levou o autor Walcyr Carrasco a promover a redenção do originalmente vilão, providenciando-lhe inclusive um aplaudido par romântico com o “carneirinho” Niko (Fragoso).

No último capítulo, já felizes, morando juntos e praticamente “casados”, os dois rapazes trocaram um selinho, numa sequência muito bem vista pela audiência, completamente “fisgada” pelo romance entre os dois personagens.

Beijo entre Marina (Tainá Müller) e Clara (Giovanna Antonelli) passou em branco (Imagem: Reprodução / Globo)

3- Giovanna Antonelli e Tainá Müller – “Em Família” (2014)

No ano seguinte, houve uma ameaça de retrocesso com a abordagem do lesbianismo nesta última trama de Manoel Carlos. O público torceu o nariz de cara para o romance entre a dona de casa Clara (Antonelli) e a fotógrafa Marina (Tainá), que assediou a segunda ainda comprometida e praticamente “destruiu” a família feliz e harmônica que ela tinha com Cadu (Reynaldo Gianecchini).

Mesmo assim, as duas personagens se beijaram em cena mais de uma vez, em sequências que passaram praticamente batidas, sem muita repercussão positiva ou negativa – reflexo da própria falta de apelo da novela como um todo junto à audiência.

Beijo entre Nathália Timberg e Fernanda Montenegro teria desencadeado fracasso histórico de “Babilônia” (Imagem: Reprodução / Globo)

4- Fernanda Montenegro e Nathália Timberg – “Babilônia” (2015)

O beijo entre duas senhoras na faixa dos 70 anos, que mantinham uma reunião estável há décadas, já não soava tão arriscado quando “Babilônia” estreou, certo? Ledo engano.

A mostra de carinho entre as advogadas Tereza (Montenegro) e Estela (Timberg), logo no primeiro capítulo desta trama de Gilberto Braga, foi vista pelo grande público como uma afronta à “família tradicional brasileira” e apontada como um fator preponderante para a rejeição maciça e histórica que o folhetim sofreu dali em diante.

Cláudio Lins e Marcello Melo Jr. só se beijaram no último capítulo de “Babilônia” (Imagem: Reprodução / Globo)

5- Cláudio Lins e Marcello Melo Jr. – “Babilônia” (2015)

Mesmo assim, Braga e seus co-autores, João Ximenes Braga e Ricardo Linhares, não arredaram o pé da temática gay e a mantiveram em alta no desenrolar de “Babilônia”. A ideia original era formar um segundo casal homossexual, jovem e masculino, entre os personagens de Marcos Pasquim (Carlos Alberto) e Marcello Melo Jr. (Ivan).

Temendo-se, porém, acentuar a rejeição das telespectadoras ao “arranhar” a imagem de garanhão cultivada por Pasquim em outros papéis, optou-se por deslocar o papel deste para um triângulo hétero e escalar Cláudio Lins como Sérgio, esse sim, de fato o par de que Ivan necessitava.

Embora a relação entre os dois rapazes tenha ganhado destaque, com direito a insinuação de sexo em um dos capítulos, uma sequência de beijo do casal só pôde ser conferida no último capítulo de “Babilônia”, quando já não havia mais tempo para mais reações negativas da audiência.

Caio Blat e Ricardo Pereira protagonizaram sequência erótica pioneira em “Liberdade, Liberdade” (Imagem: Reprodução / Globo)

6- Caio Blat e Ricardo Pereira – “Liberdade, Liberdade” (2016)

Um outro avanço importante na abordagem da diversidade sexual em folhetins foi dado nesta trama histórica sobre os bastidores da Inconfidência Mineira. Caio Blat interpretava André Raposo, rapaz delicado e afeminado que se apaixonava – e era correspondido – pelo militar Capitão Tolentino (Pereira).

A delicadeza com que foi abordada a crescente atração entre os dois personagens, em um contexto histórico tão adverso, conquistou o público e a crítica, culminando na exibição do que seria a primeira cena de sexo entre dois homens na televisão nacional.

Rudá (Konstantinos Sarris) e Leon (Maurício Destri) transaram – mas ninguém viu – em “Os Dias Eram Assim” (Imagem: Reprodução / Globo)

7- Maurício Destri e Konstantinos Sarris – “Os Dias Eram Assim” (2017)

No que seria a primeira obra a levar a nomenclatura de “supersérie” na faixa das 23h, esperava-se um avanço ainda maior na temática gay em relação ao título anterior da faixa. Mas não foi assim.

O casal da vez, Rudá (Sarris) e Leon (Maurício), até chegaram a se beijar, mas a transa que haveria entre os dois na sequência foi apenas insinuada, sem a mínima troca de carícias, diferente do que se vira em “Liberdade, Liberdade”. Uma pena.

Após beijar Samantha (Giovanna Grígio), Lica (Manoela Aliperti) se tornou a primeira protagonista lésbica de “Malhação” (Imagem: Divulgação / Globo)

8- Manoela Aliperti e Giovanna Grígio – “Malhação – Viva a Diferença” (2018)

Bastante elogiado por seu trabalho à frente da novelinha teen da Globo, Cao Hamburger surpreendeu ao incluir, quase na reta final de sua história, um inesperado beijo entre uma das protagonistas, Lica (Manoela), e sua colega Samantha – cuja intérprete, Giovanna Grígio, ainda era lembrada pelo papel de Mili na novela infantil do SBT, “Chiquititas”.

Esse entrecho representou não só o primeiro beijo entre mulheres de toda a história de “Malhação”, como também fez da personagem Lica a primeira protagonista gay do programa, já que, a partir daí, ela e Samantha assumiram um romance.

Juliano Laham e Pedro Henrique Müller viveram Luccino e Otávio em “Orgulho e Paixão” (Imagem: Divulgação / Globo)

9- Juliano Laham e Pedro Henrique Müller – “Orgulho e Paixão” (2018)

A homossexualidade masculina no início do século XX (20) foi abordada com delicadeza pelo autor Marcos Bernstein ao longo da recém-conclusa história das 18h.

O público, em especial o das redes sociais, apaixonou-se pelo casal #Lutávio e deu festa quando o mecânico Luccino (Laham) e o militar Otávio (Müller) se beijaram na boca em cena, fazendo de “Orgulho e Paixão” a pioneira em romper esse tabu nos fins de tarde da Globo.

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