Assim como o Se Joga, 5 programas com vida (muito) curta na Globo

Casa do Terror, Ponto a Ponto e Norma tiveram vida curta na Globo
Casa do Terror, Ponto a Ponto e Norma tiveram vida curta na Globo (Imagens: Divulgação / Montagem RD1)

A Globo é reconhecida por sua capacidade de planejamento. Sempre que lança um programa, a emissora geralmente não poupa esforços até que o conteúdo seja bem-aceito pelo público.

Por outro lado, existem algumas exceções a essa regra. Há casos em que, diante do desempenho aquém do desejado, o canal decide pelo cancelamento, sem fazer muito alarde.

Ao que tudo indica, essa seleta lista ganhará mais um integrante. Mesmo com todas as evidências, a extinção do Se Joga ainda não foi confirmada. Sabe-se, porém, que as chances de retorno são absolutamente remotas.

O texto de hoje relembra outros programas que, assim como o Se Joga, saíram do ar bem antes do previsto. Vamos à nossa lista?

1 – Casa do Terror (de 30 de abril a 7 de maio de 1995)

Ney Latorraca esteve no primeiro de dois episódios de Casa do Terror (Imagem: Reprodução / Globo)

Em 1995, um ano antes da estreia do Sai de Baixo, a Globo já buscava um produto forte para conter as vitórias do Topa Tudo Por Dinheiro, de Silvio Santos.

Decidiu, então, apostar em uma série do gênero terror, que pretendia contar histórias de terror com toques de comédia (ou vice-versa). Ney Latorraca e Pedro Paulo Rangel atuaram na estreia, interpretando um casal sadomasoquista.

A ideia inicial era de que fossem produzidos vários episódios, mas os planos mudaram diante das derrotas na audiência e as críticas. Era quase unânime a opinião de que a série não dava medo, tampouco fazia rir.

O resultado: após a segunda exibição, Casa do Terror saiu do ar. Em sua despedida, o programa contou a história de Rosineide (Lilia Cabral), esposa de Menelau (Stepan Nercessian), que acolhe um bebê deixado em sua porta. Só que a criança é filha do diabo (Francisco Milani), que resolve buscá-la depois de 21 anos.

Outras três edições já gravadas foram parar na gaveta. Só pelo titulo já dá para imaginar o que nos esperava: “Ferro em Brasa ou A Volta do Morto Gentinha”, “A Morte Mora ao Lado” e “A Vingança do Alface Rancoroso”.

2 – Ponto a Ponto (de 31 de março a 4 de agosto de 1996)

Ana Furtado, Márcio Garcia e Danielle Winits eram os apresentadores do Ponto a Ponto (Imagem: Reprodução / Memória Globo)

No ano seguinte, a Globo lançou um game show nas tardes de domingo. Ponto a Ponto trazia na apresentação os então novatos Ana Furtado, Danielle Winits e Márcio Garcia.

A cada edição, quatro duplas de escolas diferentes participavam de diferentes provas com o objetivo de somar mais pontos, que, ao final, eram revertidos em dinheiro.

Via de regra, as provas exigiam força, agilidade e concentração. Em uma TV menos careta, uma das provas consistia em assistir um striptease e conter a excitação.

Mas a grande característica do Ponto a Ponto eram os desafios radicais. Para cumprir as provas, os desafiantes tinham que enfrentar animais peçonhentos e até bolas incandescentes.

Se, no estúdio, havia o cuidado de testar os desafios e proteger os participantes, é válido lembrar que um jovem faleceu ao tentar reproduzir a prova em casa. Talvez esse triste episódio tenha precipitado o fim da atração.

3 – Samba, Pagode & Companhia (de 27 de março a 15 de maio de 1999)

Salgadinho era um dos apresentadores do Samba, Pagode & Cia (Imagem: Reprodução / Memória Globo)

Tentando pegar carona na popularidade desses ritmos, a Globo promoveu a estreia de Samba, Pagode & Companhia, em março de 1999.

No programa, Netinho de Paula e Salgadinho – na época, vocalistas do Negritude Jr e Katinguelê, respectivamente – recebiam convidados. Depois, eles acabaram ganhando a companhia da ainda desconhecida Kelly Key.

Eliana de Lima e os grupos Exaltasamba, Karametade, Os Morenos, Sem Compromisso e Soweto estão entre os artistas que participaram. Mas o sucesso das paradas não se repetiu na televisão. Pelo contrário. O musical afugentou o público e ampliou a liderança de Raul Gil. O veterano, então contratado da Record, já incomodava o plim plim nessa faixa.

Desesperada, a Globo até chegou a reformular a atração – inserindo uma história roteirizada, na qual os cantores eram irmãos. Mas a tentativa também naufragou.

Com o cancelamento, Raul Gil se vangloriou, afirmando que a Globo tinha medo de lançar atrações em seu horário. Netinho de Paula, por sua vez, acusou a emissora de adotar uma postura elitista.

4 – Sociedade Anônima (de 8 de abril a 27 de maio de 2001)

Cazé Peçanha na Globo
Programa de Cazé Peçanha na Globo, Sociedade Anônima ficou no ar por apenas nove semanas (Imagem: Divulgação / Globo)

Tal qual Casa do Terror, Sociedade Anônima, com Cazé Peçanha, foi mais uma das vítimas de Silvio Santos. A atração, que levou mais de um ano para ser formatada, permaneceu no ar por apenas nove semanas.

Em uma época em que a interação online não era tão usual, internautas eram convidados a assistir, em tempo real, a gravação do programa. Quem estava em casa também podia participar dos quadros e avaliar as performances dos calouros que se apresentavam no palco.

O grande diferencial do Sociedade Anônima era conceder o protagonismo para pessoas não famosas. Como parte dessa proposta, a cada semana era exibida uma entrevista com um ilustre desconhecido. Em Construção Facial, uma pessoa era levada ao estúdio com o rosto coberto, para que o auditório tentasse descobrir suas feições.

Novamente, a audiência precipitou o fim da atração. Em oito confrontos diretos, o Homem do Baú levou a melhor sobre Cazé em todos eles.

Em 2002, para a revista Istoé, Cazé lamentou o fato de não ter tido a oportunidade de fazer ajustes na atração. O apresentador ganhou um quadro no Fantástico após o fim do Sociedade. Quando seu contrato acabou, ele acertou seu retorno à MTV.

5 – Norma (de 4 a 18 de outubro de 2009)

Denise Fraga viveu a personagem título de seriado homônimo (Imagem: Bob Paulino / Globo)

A faixa aos domingos, após o Fantástico, é definitivamente uma das mais problemáticas para a Globo. Além de Casa do Terror e Sociedade Anônima, lembrados neste texto, o horário também abrigou Tomara Que Caia e Jogo Duro, dois fracassos de Boninho.

Quem também não se deu bem foi Norma, série protagonizada por Denise Fraga. Ao contrário do Retrato Falado, esta produção teve apenas três episódios exibidos.

Em comum com o Sociedade Anônima, está o fato de que Norma também apostava na interatividade. A proposta era que internautas, juntos com uma plateia selecionada, ajudassem a decidir o destino da personagem-título.

Se, na ficção, Norma trabalhava em um instituto de pesquisas, na vida real foi lançado um site para que os telespectadores pudessem enviar sua colaboração. Os temas do episódio da semana eram antecipados e as pessoas eram convidadas a mandar fotos, vídeos e depoimentos. Poderiam até mesmo participar da elaboração do roteiro.

Apesar da ideia promissora, os dilemas da protagonista, que acabara de se separar, parecem não ter conquistado o grande público. Durante a sua exibição, o seriado chegou a ficar em terceiro lugar de audiência, perdendo para SBT e Record.

Lembra de outro programa que fracassou na Globo?

Você gostava de algum desses programas da Globo? Acha que a emissora poderia ter sido mais cautelosa antes de decretar o fim de alguma das atrações que estão em nossa lista? Agora o espaço é seu: use as redes sociais do RD1 e compartilhe conosco a sua opinião!

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Piero Vergílio é jornalista profissional desde 2006. Já trabalhou em revistas de entretenimento no interior de SP e teve passagens pelo próprio RD1. Em tempos de redes sociais, criou um perfil (@jornalistavetv) para comentar TV pelo Twitter e interagir com outros fãs do veículo. Agora, volta ao RD1 com a missão de publicar novidades sobre a programação sem o limite de 280 caracteres.
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