A turma do Castelo (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

“BUM, BUM, BUM, CASTELO RÁ-TIM-BUM!”. Com esta letra, muitas crianças viveram momentos fantásticos dentro do “Castelo Rá-Tim-Bum”, exibido pela TV Cultura durante a década de 1990. Relembre a abertura e TENTE não cantar junto.

“Plift ploft still, a porta se abriu”. Esta frase do porteiro trazia à tona a maravilha que era o interior daquele lugar mágico! O seriado, dos criadores Cao Hamburger e Flávio de Souza, estreou em 9 de maio de 1994 marcando gerações que lembram até hoje das magias do Castelo.

Seu último episódio foi exibido em 24 de dezembro de 1997, num total de 90 capítulos feitos para a televisão. Além do Brasil, a série da família de bruxos foi exibida pela TV Brasil e, atualmente, tem todos os capítulos disponíveis no YouTube.

Selecionamos algumas curiosidades para relembrar o “Castelo Rá-Tim-Bum”. Confira a seguir!

1) Durante o seriado, cerca de 800 figurinos diferentes foram usados pelas personagens.

Figurino do Castelo (Imagem: Divulgação)

2) Inicialmente, os criadores Cao Hamburger e Flávio de Souza pensaram no castelo como um dos cenários junto com uma vila e uma escola, todavia, a ideia foi abortada por conta dos custos do projeto.

3) As primeiras ideias de nome para o programa foram “Castelo do Doutor Victor” e “Castelo Encantado”. Porém, de acordo com exigência da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), a atração foi batizada de “Rá-Tim-Bum” porque o nome já vinha dando retorno comercial em outra atração da emissora, de mesmo título.

Dr. Victor (Sergio Mamberti) (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

4) Orçada em US$ 2,5 milhões, a verba do “Castelo” foi dividida entre a Fiesp e a TV Cultura.

5) A personagem Nino (Cassio Scapin) foi inspirada na Nina, que ganhou vida pela interpretação da atriz Iara Jamra no programa “Rá-Tim-Bum”. Nina vivia com sua boneca, de nome Careca, num quarto cujos móveis eram gigantes.

Nina (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

6) Por mais de um ano, Luciano Amaral (Pedro), Cynthia Rachel (Biba) e Fredy Allan (Zequinha) eram buscados na escola e levados à emissora por um veículo da TV Cultura, onde ocorriam as gravações entre 14h e 20h, mas com intervalos.

7) A intenção da TV Cultura era criar o “Rá-Tim-Bum 2” como sequência do programa exibido entre 1990 e 1992.

8) O ratinho que ensinava as crianças a tomar banho e a escovar os dentes tinha o propósito de estrelar 16 esquetes, dentro do projeto, porém, por falta de verba, apareceu somente em quatro, cada uma avaliada em US$ 3 mil.

O ratinho azul (Imagem: Reprodução / TV Cultura)

9) Durante uma “guerra de travesseiros”, o manipulador da cobra Celeste, Álvaro Petersen Jr, foi parar no hospital. Ocorre que plumas entraram na árvore, deixando Álvaro com alergia e três dias internado.

A serpente Penélope (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

10) Todos os noventa episódios tiveram um trabalho primoroso e direto de 250 pessoas com cerca de 5 mil horas de gravação.

11) As botas Tap e Flap foram únicos fantoches com dublês. Ocorre que eles tiveram as versões simples, com ausência de componentes eletrônicos que eram usadas nas cenas de quedas ou pancadas.

12) Internamente, o cenário do “Castelo Rá-Tim-Bum” foi construído em 360 graus, sendo algo inédito para a TV. Dentro do” Castelo”, a câmera girava sem entregar os bastidores da atração.

Cenário do Castelo em construção (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

14) O quarto em que Nino dormia não estava nos planos da produção e não havia sido planejado originalmente. A ideia de Cao Hamburger veio após um espaço aparecer dentro do cenário. Como era pequeno, o jeito foi encaixá-lo debaixo da escada.

O minúsculo quarto do Nino (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

15) O “Castelo Rá-Tim-Bum” foi um grande sucesso no Brasil e em Portugal, pelo canal RTP que propôs à TV Cultura a compra dos cenários. A emissora lusitana queria levar tudo para a Europa e gravar por lá novos episódios.

16) Os quadros de pequeno tempo, como os do Telekid (“Porque sim não é resposta!”) tiveram suas gravações feitas de uma única vez. As gravações ocorreram em um único mês, durante as madrugadas porque o chroma-key (a tela verde de fundo infinito que serve para inserir imagens na edição) da TV Cultura estava livre para o uso.

17) A personagem Mau teve remodelações que definiram seu visual. Antes, houve 9 versões que foram testadas com 5 materiais distintos.

18) Inspirados no apresentador Chacrinha, os traços do relógio contavam com uma cartola, óculos e uma gravata. “Morcego, ratazana, baratinha e companhia: está na hora da feitiçaria!” era a frase dita pelo relógio.

O relógio e a inspiração em Chacrinha (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

19) Com inspirações na arquitetura dos casarões do bairro do Bixiga, em São Paulo,  o “Castelo” teve um visual baseado nas obras do catalão Antoni Gaudí com estética do movimento de art nouveau e até pelas cores, houve inspiração de Tim Burton.

O Castelo no meio da cidade (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

20) Ao todo, mais de 1.200 produtos foram licenciados com a marca.

21) A biblioteca do “Castelo” tinha 6 mil livros sendo que metade deles foram doados pela extinta editora Círculo do Livro. As doações foram desmembradas e cada livro virava 2 ou 3 pelas mãos da produção, para compor a biblioteca. Houve, também, volumes produzidos de isopor para dar a impressão de mais livros.

Produção da biblioteca do Castelo (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

22) A ideia inicial era que a personagem Caipora, interpretada por Patrícia Gasppar, fosse um Curupira, mas mudaram de intenção porque seria difícil usar os pés investidos em cena. A âncora de telejornal, Penélope, aparecia de maneira bem patricinha. Interpretada por Ângela Dip, a personagem totalmente rosa foi inspirada em um tipo do universo infantil, Penélope Charmosa, corredora do desenho de Hanna Barbera, “Corrida Maluca”. Além disso, houve toques de Jeannie, personagem da série “Jeannie é um gênio”.

Caipora (Imagem: Divulgação / TV Cultura)
Penélope (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

23 ) Quando o ator que interpretava o ETvaldo, Wagner Bello, morreu, ainda faltava gravar um episódio do programa. Para sanar tal ausência, a atriz Siomara Schroder entrou em cena para interpretar a irmã do alienígena, a extraterrestre ETcetera. O episódio terminava com uma explicação sobre a ausência do irmão: “Ele está brincando nas estrelas”.

Etevaldo (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

24 ) A atriz Cinthya Rachel revelou que estava na lanchonete da TV Cultura quando recebeu o convite para fazer um teste da personagem Biba. A atriz trabalhava em outro programa chamado “O Professor”. O diretor da atração proibiu Cinthya de fazer o teste, mas a atriz fez, escondida, e passou.

25 ) O figurino da personagem Pedro (Luciano Amaral) era inspirado em um skatista e em John, um dos integrantes da história de Peter Pan. Proibidos de usar alguma a marca, criou-se um logotipo de caveira com olhos de estrela.

Celeste e as crianças (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

26) Uma das passarinhas era a atriz Ciça Meirelles, mulher do cineasta Fernando Meirelles.

27) Zequinha, interpretado pelo ator Fredy Allan Galembeck, inicialmente se chamaria Juquinha, irmão mais novo de Lucas Silva e Silva. No entanto, como o ator Guilherme Fonseca estava ocupado gravando, escolheram Fredy para o papel.

Zequinha, Pedro, Biba e Nino (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

28) O ator Sergio Mamberti foi o escolhido para dar vida ao personagem Tio Victor e não houve testes para tal papel. Para compor a personagem, os criadores se inspiraram no Dr. Frankenstein (não o monstro, mas no criador) além das cores de Salvador Dali.

29) Houve dúvidas se Nino deveria ser interpretador por um ator mirim ou um adulto, afinal, tratavam-se de 300 anos. Decidiu-se que Cassio Scapin seria o nome para dar vida ao aprendiz de bruxo, durante as seleções. Para compor o figurino de Nino, houve inspiração de uma típica roupa de inverno europeu do século XV com calça e coletes.

30 ) O Dr. Abobrinha, digo, doutor Pompeo Pompilho Pomposo, ganhou vida pelo ator Pascoal da Conceição por acaso. Dando carona a um ator que acabara de fazer o teste, Pascoal decidiu fazer também a seleção. Com a cabeça raspada por causa de uma peça, a produção da atração pediu que ele mantivesse a careca para ser mais fácil usar as perucas e disfarces nas tentativas frustradas de tentar comprar o “Castelo”. Pascoal, por conta da personagem, escapou de um assalto ao ser reconhecido pelo bandido, que não roubou o ator. A frase “Esse castelo será meu, muá, muá!” foi dita inúmeras vezes, mas nunca se concretizou.

Dr Abobrinha tocou o terror (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

31) Inspirado no filme “A Pequena Loja de Horrores” (1960), o girassol do canto da porta fazia o mesmo papel da planta carnívora do filme, porém, de forma mais sutil e ‘abrasileirada’.

Girassol (Imagem: Reprodução / Montagem)

32) A Escola de Samba Unidos da Vila Isabel cedeu isopor usado para compor as paredes pedregosas da Oficina do Dr Victor.

33) A dupla Tíbio e Perônio teve inspirações na dupla Dupond e Dupont, de “As Aventuras de Tim Tim”, além de “O Gordo e o Magro”.

Tíbio e Perônio Girassol (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

34) Em 1997, foi lançado uma história em quadrinhos do Castelo, com imagens coloridas.

Quadrinhos do Castelo (Imagem: Divulgação)

35) Assim que houve a informação do fim do programa, crianças enviaram cartas com dinheiro para que os atores não parassem de gravar o “Castelo”.

36) A audiência do “Castelo” foi de 12 pontos de média, sendo maior do que qualquer outro produto exibido pela TV Cultura.

37) A maquete do “Castelo” foi construída para dar a ideia de que a construção estava localizada em meio à cidade. Ao redor do Castelo, os prédios davam uma ideia de cidade normal, contrastada pela edificação misteriosa.

Maquete do Castelo Rá-Tim-Bum (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

38) Por se tratar de algo lúdico, tudo que tinha dentro do castelo foi construído e criado pela produção do programa. Como a ideia era criar um mundo fantástico, nada do que se tem no mundo real existe dentro do Castelo.

39) Os figurinos das personagens eram construídos no modelo patchwork, ou seja, na reunião de pedaços de tecidos de várias cores e estampas, costurados, que davam formas de desenhos geométricos.

Dr. Victor e as crianças (Imagem: Divulgação / TV Cultura)

40) Elaborado em 1993, com estreia no ano seguinte, a série foi planejada para 180 capítulos, porém, teve apenas metade gravada. No total, foram 6 mil horas de gravações e 3 mil de edição. Somente 3% das cenas foram feitas fora do estúdio.

BÔNUS: Em um especial de Natal, um capítulo foi produzido pela TV Cultura, porém, acabou sendo exibido apenas duas vezes na TV, em 1994 e 1995. A história se passava em torno de Daniel, fã do Castelo, que fora transportado para dentro da TV por magia de Nino. Confira!

Para relembrar o seriado, o canal Nostalgia criou um vídeo contando algumas curiosidades sobre o Castelo. Veja!

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Reuber Diirr é jornalista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo com especialidade no entretenimento de TV. Atuante em sites sobre Televisão, Reuber já passou por emissoras como a Record News Espírito Santo e a TV Gazeta, afiliada da Globo no ES. Curioso e ligado em assuntos nostálgicos, Reuber trará temáticas que relembrarão os meandros da televisão brasileira na coluna “TV Nostalgia”, publicada aos domingos no RD1. Siga-o no Twitter, Instagram, Facebook, Snapchat e YouTube em @reuberdiirr.

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