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Adriana Esteves como Lúcia Helena, protagonista de “A Indomada” (Imagem: Divulgação / Globo)

Foram cinco anos de espera! Eis que na última segunda-feira (30), o Viva deu início à reapresentação de “A Indomada” (1997), folhetim “liberado” pela Globo para o canal desde 2013. Naquele tempo, não muito distante, a novela figurou entre as opções de uma enquete para definição da substituta de “Rainha da Sucata” (1990); “Água Viva” (1980) se sagrou vencedora e as outras duas candidatas, “O Dono do Mundo” (1991) e “Fera Ferida” (1993), foram exibidas posteriormente. Abaixo, 10 motivos para se ligar em #AIndomadaNoViva, de segunda-feira a sábado, 23h30 – ou no horário alternativo, 13h30.

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1 – O realismo fantástico

Aguinaldo Silva
Aguinaldo Silva; autor divide autoria de “A Indomada” com Ricardo Linhares (Imagem: Reprodução / AS Digital)

“A Indomada” é quase o “ponto final” na parceria de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, que, com Ana Maria Moretzsohn, dominaram o horário das 20h na década de 1990. Greenville, cidade habitada pelos pitorescos personagens da trama de 1997, é vizinha de Santana do Agreste, terra de “Tieta” (1989); de Resplendor, localidade de “Pedra Sobre Pedra” (1992); e de Tubiacanga, território de “Fera Ferida” (1993). Também de Serro Azul, cenário da próxima empreitada de Aguinaldo às 21h, “O Sétimo Guardião” – com estreia prevista para novembro. Coincidentemente, o autor retoma o “realismo fantástico” justamente agora, com “A Indomada” em reexibição; Aguinaldo e Ricardo ainda apostaram no gênero em “Porto dos Milagres” (2001), baseada na obra de Jorge Amado, sem o brilho das tramas anteriores. O estilo, vale dizer, costuma fazer sucesso no Viva. Não deverá ser diferente agora…

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2 – Well…

Ary Fontoura como Pitágoras Mackenzie, em “A Indomada” (Imagem: Divulgação / Globo)

O regionalismo da produção difere dos demais por conta da influência dos costumes ingleses no cotidiano da nordestina Greenville. Na cidadezinha, colonizada por ingleses, o “chá das cinco” é tradição. Os homens usam colete, fraque e cartola; as mulheres, luvas e casacos de pele. Nas casas, fachadas vitorianas; no bar, a cachaça divide espaço com o “scotch”. O texto de Silva e Linhares propunha uma reflexão sobre os hábitos de consumo dos brasileiros, acostumados a preferir “o que vem de fora”. Acabou que o folhetim popularizou termos em inglês, unidos a expressões do Nordeste, como o “Oxente, my God“. E, por consequência, cursinhos de línguas lançaram livrinhos traduzindo frases e palavras. Ou seja: lá se foi “A Indomada” reforçar justamente os que os autores procuravam rebater… Normal. Novela foi feita para vender sabonete, já dizia Gilberto Braga.

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3 – Primeiro time

Adriana Esteves encarou “jornada dupla” em “A Indomada”: Eulália na primeira fase; Lúcia Helena na segunda (Imagem: Divulgação / Globo)

“A Indomada” marcou o retorno de Adriana Esteves à Globo. Retorno triunfal, registre-se. Em 1993, insatisfeita com seu desempenho em “Renascer”, a atriz acabou, talvez até inconscientemente, se afastando das novelas. Retomou as atividades no gênero, três anos depois, em “Razão de Viver”, do SBT. A mocinha Zilda lhe deu estofo para Eulália, que defendeu na primeira fase do folhetim global. A herdeira da usina Monguaba, eterna apaixonada pelo cortador de cana Zé Leandro (Carlos Alberto Riccelli), cria sozinha a filha, Lúcia Helena (Leandra Leal, aqui mais contida do que na antecessora, no Viva, “Explode Coração” (1995), como a histriônica Ianca). Na segunda e definitiva fase, Adriana assume a heroína Lúcia Helena – personagem que nada deve às suas cultuadas vilãs Carminha, de “Avenida Brasil” (2012), e Laureta, de “Segundo Sol”, em exibição às 21h.

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4 – Prata da casa

Eva Wilma, a vilã Maria Altiva Pedreira de Mendonça e Albuquerque, em “A Indomada” (Imagem: Divulgação / Globo)

Para uma ótima protagonista, uma excelente antagonista. Coube a Eva Wilma a tarefa de aplacar a força de Adriana Esteves na pele de Lúcia Helena. Tão mesquinha, quanto ardilosa; tão engraçada, quanto venenosa. Maria Altiva Pedreira de Mendonça e Albuquerque é a pedra no sapato da cunhada, Eulália; anos depois, tenta usurpar o patrimônio que ela própria, e o marido Pedro Afonso (Cláudio Marzo, saudoso), entregaram a Lúcia Helena. Explica-se: o forasteiro Teobaldo Faruk (José Mayer) salda as dívidas e toma os bens dos Mendonça e Albuquerque, prometendo devolvê-los a Helena, caso esta se case com ele. O ódio que domina Altiva resvala por toda Greenville. Há os que a temem, como a irmã Santinha (Eliane Giardini); os que a admiram, caso do aliado Pitágoras (do excelente Ary Fontoura); e os que a enfrentam, como Zenilda (Renata Sorrah). Todos, porém, a aplaudem. Merecidamente!

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5 – Astros e estrelas

Renata Sorrah, destaque como Zelinda, em “A Indomada” (Imagem: Divulgação / Globo)

Dentre os coadjuvantes, destaque para os acima citados Eliane Giardini – Santinha, alcoólatra, depressiva e “devassa”; Ary Fontoura – que buscou inspiração para Pitágoras nos “atores” da TV Senado; e Renata Sorrah – que, como Zelinda, afastou-se de tipos recorrentes, como a grã-fina entediada. Também Betty Faria, de volta à Globo para encarnar a justíssima juíza Mirandinha; Flávia Alessandra, ainda distante de sua primeira protagonista, na pele da acanhada Dorothy; José de Abreu, o Delegado Motinha (que cai num buraco aberto no meio da praça de Greenville e vai parar no Japão); e os hoje afastados da Globo – por pouco tempo, espera-se – Pedro Paulo Rangel (Padre Joseph), Flávio Galvão (Richard) e Carla Marins (Dinorá). Além, claro, do casal “nhá-nhá” Scarlet (Luiza Tomé) e Ypiranga (Paulo Betti), “resgatados” por Aguinaldo Silva em “O Sétimo Guardião”.

PS: Atenção também para os trabalhos de Ana Lúcia Torre (Cleonice), Catarina Abdalla (Vieira), Neusa Borges (Florência) e Sônia de Paula (Lourdes Maria).

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6 – Caras novas

Por onde anda? Karla Muga, revelação de “A Indomada”, como Grampola (Imagem: Divulgação / Globo)

Também cabe enaltecer os estreantes, especialmente Licurgo Spínola (Egídio, que já havia atuado na Band) e Karla Muga (Grampola). O primeiro substituiu Ricardo Macchi, o Cigano Igor de “Explode Coração” – ainda bem! – como o secretário, secretamente apaixonado pela chefe Mirandinha; a segunda, “camélia” da casa de tolerância de Zenilda, encanta Emanuel (Selton Mello), o “menino-anjo”, filho de Teobaldo. Também no núcleo Faruk, Amélia Bittencourt, veterana do teatro, em sua primeira novela, como Veneranda, mãe do galã. Hoje estrela na Record, Rodrigo Faro também despontou na telinha aqui, como Beraldo, irmão de Berbela, vivida por Daniela Faria – que, embora tivesse participado de outras tramas, ganhou relevância com a aprendiz de vilã. Os dois pobretões almejavam conquistar Carolaine, filha de Ypiranga, e Felipe, filho de Mirandinha – dos novatos Nívea Stelmann e Matheus Rocha –, reedição de “Romeu e Julieta”.

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7 – “Em discos, fitas e compact disc, Som Livre”

Teobaldo (José Mayer), protagonista embalado por regravação de Fábio Jr (Imagem: Divulgação / Globo)

Embalando esta trupe, nomes como Fábio Jr (numa regravação de “Impossível acreditar que perdi você”, de Márcio Greyck), Fafá de Belém (com “É tão bom te amar”, de Nando Cordel), Gilberto Gil (letra e voz em “Estrela) e Zé Ramalho (também letra e voz de “Avohai”). Dos temas mais marcantes, “Ciranda da roda vermelha”, composição de Alceu Valença, eternizada por Elba Ramalho – do terno relacionamento entre Emanuel e Grampola; Valença, aliás, compôs e gravou “Cana caiana” – sempre lembrada por embalar as vinhetas de intervalo; e “Unicamente”, versão de Deborah Blando, que, de tão aclamada nas cenas de Helena, acabou por substituir o controverso tema de abertura, “Maracatudo”, na primeira reapresentação da trama, na faixa vespertina da Globo. Um repertório único, do tempo – já longínquo – em que associávamos as músicas à novela…

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8 – Volta, Hans Donner!

Por falar em abertura, temos aqui um exemplar do mago Hans Donner em sua melhor forma. Responsável pela identidade visual da Globo e de suas vinhetas desde a década de 1970, Hans unia o designer gráfico a elementos reais para conceber vídeos históricos, como a pirâmide “fatiada” que abrigava os bailarinos do “Fantástico” (1983) ou o corpo esguio (e desnudo) de Isadora Ribeiro moldando palmeiras em “Tieta”. “A Indomada” traz Maria Fernanda Cândido correndo desembestada por um canavial, transformando-se em fogo, água e pedras, frente a necessidade de transpor obstáculos. A abertura se destaca nesta “era de ouro” da Globo, que, seguindo tendências mundiais, adotou um “tom minimalista” nos últimos anos. Que nem sempre funciona. As vinhetas das últimas novelas das 19h – e já é impossível incluir aqui a recém-estreada “O Tempo Não Para” – atestam esta minha última afirmação.

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9 – Reprise “fail”

O “Vale a Pena Ver de Novo” abrigou “A Indomada” entre agosto de 1999 e março de 2000; a estreia na faixa se deu apenas um ano e dez meses após o término às 20h, em outubro de 1997. Foram 154 exaustivos capítulos… Exaustivos por conta da apertadinha “janela” entre uma transmissão e outra. E também pelo formato “conta-gotas” da reapresentação, comprimida entre o estreante “Mais Você”, então alocado na sequência do “Vídeo Show”, e a “Sessão da Tarde”. Com capítulos de apenas 40 minutos, “A Indomada” pareceu durar anos! Foi justamente esta reprise precoce que conferiu um certo “ranço”, de minha parte, à novela. “Ranço” este que se esvaiu tão logo conferi o primeiro capítulo, na segunda-feira. Aí brotaram as boas lembranças da exibição original… Aos que, assim como eu, pegaram birra da trama por causa desta primeira reapresentação “quase desnecessária”, fica a dica: vale a pena ver de novo!

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10 – Maior que o “ranço”

Juíza Mirandinha, de “A Indomada”: grande momento da carreira de Betty Faria (Imagem: Divulgação / Globo)

É fato que boa parte dos telespectadores do Viva preferia a anunciada “Roda de Fogo” (1986) às 23h30. Os deslizes da atual gestão do canal, contudo, refletiram em uma crise sem precedentes, evidenciada pela edição grotesca de “Bebê a Bordo” (1988) – primeira novela “da casa” a sofrer retaliações. Optou-se então pelo óbvio: “A Indomada” é uma trama de “fácil digestão”, diferente do dramalhão com forte conotação política de Lauro César Muniz – que eu quero muito ver, convém salientar. Ficou claro que o Viva está buscando audiência, ao apostar também na já testada “Vale Tudo” (1988) e em “Baila Comigo” (1981); esta, de Manoel Carlos, sempre garantia de sucesso. O público, porém, não pode se deixar levar pelos tropeços do canal, perdendo a chance, por “birra” ou “protesto”, de ver ou rever um folhetim de qualidade. Mas… Também não vamos nos curvar a novos equívocos, tá, Viva?

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Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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