Do Vídeo Show ao Caco Antibes: 5 trabalhos marcantes de Miguel Falabella na Globo

Miguel Falabella
Miguel Falabella apresentou o Vídeo Show entre 1987 e 2001 (Imagem: Divulgação / Globo)

Na última semana, veio a público a notícia de que a Globo decidiu não renovar o contrato com Miguel Falabella. Autor, ator e apresentador, ele mantinha vínculo com a emissora há 39 anos.

Ao longo destas quase quatro décadas, ele esteve envolvido em diversos projetos. O mais recente, e provavelmente último, é a série Eu, a Vó e a Boi, lançada exclusivamente no Globoplay.

Para reverenciar essa parceria vitoriosa, essa coluna faz agora um retrospecto de alguns dos melhores trabalhos de Miguel Falabella na Globo. As escolhas feitas nessa lista são puramente pessoais.

Vamos à nossa seleção:

Personagem de série cômica – Caco Antibes (Sai de Baixo)

Caco Antibes (Miguel Falabella) e Magda (Marisa Orth) no revival do Sai de Baixo em 2013 (Imagem: Eliana Rodrigues / Globo)

Não poderíamos começar a lista de trabalhos mais marcantes de Miguel Falabella com outro personagem senão Caco Antibes. “Louro, alto nórdico”, o personagem mantinha um relacionamento caliente com Magda (Marisa Orth), a quem mandava calar a boca a cada nova asneira.

Falido e endividado, ele aplicava golpes para sobreviver. Entre uma armação e outra, ele adorava destilar “seu horror a pobre”. Em entrevista ao Conversa com Bial, no ano passado, o intérprete analisou o comportamento de Caco.

“Quando ele está falando de pobre, aquelas besteiradas todas, as pessoas sabem que aquilo é um estereótipo de uma pessoa que existe em um país como o nosso. Nós continuamos sendo um país de profunda injustiça social, de um abismo, e ninguém faz questão de fazer uma ponte. Eu faço”, disse.

Personagem de dramaturgia diária – Donato Menezes (As Noivas de Copacabana)

Miguel Falabella e Patrícia Novaes em cena de As Noivas de Copacabana (Imagem: Memória Globo)

Na minissérie de Dias Gomes, coube a Miguel Falabella o desafio de viver Donato Menezes, um homem que leva uma vida acima de qualquer suspeita. Mas o que ninguém desconfiava é que o respeitado restaurador possuía um fetiche macabro.

Suas vítimas eram mulheres que vestidas de noiva. Ele as encontrava monitorando anúncios de jornal. Criava, então, um ambiente romântico para seduzi-las. Até que durante o ato sexual, o maníaco as estrangulava, enquanto elas usavam o vestido branco.

“Não gosto de mocinho, gente boazinha, insuportável. Gosto dos vilões. E fiz esse vilão maravilhoso nas Noivas de Copacabana, do Dias Gomes, ele era um estrangulador“, relembrou, ao Projeto Memória Globo.

Já no Lady Night, o ator contou que recebeu um conselho de Daniel Filho. “Ele falou: ‘Miguel, decora bem o teu texto e na hora de gravar pensa em outra coisa’. Dava uma estranheza e ficou muito bacana, mas eu não achei que ia dar certo”, contou.

Autor de série – Toma Lá, Dá Cá

Além de autor, Miguel contracenou com Adriana Esteves em Toma Lá, Dá Cá (Imagem: Divulgação / Globo)

As séries de Miguel Falabella para a Globo abordaram os mais diversos temas: dos bastidores de uma revista de fofoca, passando pela rotina de uma família dona de uma funerária ou dos funcionários de uma companhia aérea falida.

Mas, desconsiderando-se o Sai de Baixo, em que apesar de ser um dos roteiristas, não era um projeto autorial de Falabella, sua sitcom mais famosa foi Toma Lá, Dá Cá, cujos roteiros ele dividiu com Maria Carmem Barbosa.

A história gira em torno de dois casais que são vizinhos no edifício Jambalaya, com uma peculiaridade: eles trocaram de parceiros entre si. Entre os principais nomes do elenco estão o próprio Falabella, como Mario Jorge, Adriana Esteves (Celinha), Marisa Orth (Rita) e Diogo Vilela (Arnaldo).

Outros personagens permanecem na memória do público até hoje. São os casos da desbocada Copélia (Arlete Salles) e a divertida empregada Bozena, que projetou nacionalmente a atriz Alessandra Maestrini.

“O programa corteja o politicamente incorreto. Era muito bom de fazer”, confessou Miguel ao Vídeo Show em 2017, quando o Toma Lá, Dá Cá completou dez anos.

Vale lembrar que algumas das sátiras continuam mais atuais do que nunca. Recentemente, uma cena em que cita uma epidemia viralizou nas redes. Miguel, então, reagiu afirmando que o humorístico estava “sendo profético sem o saber”.

Autor de novelas – A Lua me Disse

Nas quase quatro décadas em que permaneceu contratado da Globo, Miguel Falabella escreveu quatro novelas. Três para a faixa das 19h – Salsa e Merengue, A Lua me Disse e Aquele Beijo. Uma para as 18h, Negócio da China.

Destas, selecionamos a trama de 2005, também fruto de uma parceria com Maria Carmem Barbosa. A Lua me Disse é uma trama urbana e contemporânea, cujo fio condutor é a história de Heloísa (Adriana Esteves), moradora do Beco da Baiúca, vila fictícia localizada no bairro de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro.

Aos 16 anos, ela vai trabalhar como baby-sitter da pequena Branca e torna-se muito amiga de sua mãe, Regina Benate (Maitê Proença), mulher de um dos sócios do banco Benate Bogari.

O destino coloca em seu caminho o jovem Ricardo Bogari (Frank Borges), filho do sócio do marido de Regina. Os dois se apaixonam. Heloísa engravida, mas Ricardo morre em um acidente de carro.

Com sua crítica social mordaz, o autor inseriu na trama duas personagens pretas com comportamentos preconceituosas. Com mania de grandeza, Latoya (Zezeh Barbosa) e Whitney (Mary Sheila) renegavam suas origens e a cor de sua pele.

Apresentação – Vídeo Show

Vídeo Show criou intimidade entre Miguel e o público (Imagem: Memória Globo)

Não poderíamos deixar de mencionar os trabalhos marcantes de Miguel Falabella na Globo sem citar o Vídeo Show. No tradicional vespertino, Falabella era apenas ele mesmo.

Na opinião deste colunista, foi responsável pela época de ouro do programa. Perdoem-me, portanto, os fãs de Angélica e André Marques ou Otaviano Costa e Monica Iozzi.

Miguel assumiu a apresentação do Vídeo Show em 1987 e permaneceu no posto até dezembro de 2001. Nesse período, mais do que chamar as reportagens, ele lia carta dos telespectadores e entrevistava artistas.

Outra marca registrada de sua passagem pelo Vídeo Show são os pensamentos filosóficos, seguidos da saudação Namastê. Essa despedida se tornou tão afetiva que, em 2015, Boninho o convidou para voltar a fazer os encerramentos do programa.

Ao Memória Globo, Miguel reconheceu a importância do vespertino. “O Vídeo Show foi muito determinante na minha carreira, porque me deu intimidade com o público. Eu não era personagem, eu era o Falabella, conversava com as pessoas. Eu achava que eu devia dizer coisas bonitas: tudo o que eu lia e gostava, eu dividia com o público, como as frases no final do programa, eram uma filosofia”, resumiu.

É fã de Miguel Falabella?

Conte para a gente que outros trabalhos de Miguel Falabella vocês consideram mais marcantes. Vale comentar neste post, no Facebook do RD1 ou no meu Twitter pessoal. Até a próxima!

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Piero Vergílio é jornalista profissional desde 2006. Já trabalhou em revistas de entretenimento no interior de SP e teve passagens pelo próprio RD1. Em tempos de redes sociais, criou um perfil (@jornalistavetv) para comentar TV pelo Twitter e interagir com outros fãs do veículo. Agora, volta ao RD1 com a missão de publicar novidades sobre a programação sem o limite de 280 caracteres.
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