Domingão do Faustão reverencia Xuxa, Angélica e Mara Maravilha em especial

Domingão do Faustão
Domingão do Faustão de hoje (10) presta homenagem a Xuxa Meneghel, Angélica e Mara Maravilha (Imagem: Divulgação / Globo)

O Domingão do Faustão deste domingo (10) vai bater fundo no coraçãozinho de quem era criança entre o final da década de 1980 e o início dos anos 1990. Além de resgatar as passagens do Balão Mágico, do Trem da Alegria, de Sandy & Junior e das Paquitas pelo palco de Fausto Silva, a atração revive a magia dos programas infantis que marcaram tal época, contando com número das três principais apresentadoras do período: Xuxa Meneghel, Angélica e Mara Maravilha.

Na coluna de hoje, resgato algumas passagens do período em que as três visitaram o ‘Domingão’, animando a plateia com hits que marcaram minha geração.

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Xuxa em ensaio para o 4° Xou da Xuxa, lançado em 1989, ano de estreia do ‘Domingão’ (Imagem: Reprodução / Facebook)

Fausto Silva estreou na Globo em 26 de março de 1989, recebendo a maior estrela da casa naquele momento: Xuxa. Na ocasião, a Rainha dos Baixinhos ainda celebrava os feitos do ano anterior, como as mais de 3 milhões de cópias vendidas do álbum Xou da Xuxa 3 – do hino Ilariê – e a estreia no cinema com Super Xuxa Contra o Baixo Astral. No dia seguinte à passagem pelo ‘Domingão’, a apresentadora celebrou seus 26 anos com um Xou da Xuxa pra lá de especial!

Pela primeira vez, o infantil que marcou as manhãs do canal entre 1986 e 1992, recebeu bebês. Os pequeninhos passeavam pelo palco enquanto a Rainha recebia convidados; dentre estes, Amanda, do Trem da Alegria, com a canção-homenagem Recado Para Xuxa. A música entrou para o repertório do 4° Xou da Xuxa, o segundo disco mais vendido da carreira fonográfica da hoje contratada da Record, mais de 2 milhões e 9 mil cópias.

O sucesso de Xuxa ia além das rádios. Incluía bonecas, cadernos, papel de carta, produtos de higiene, sandálias e até sopa de letrinhas – com a “massiva presença” do “X”, claro. Todos anunciados no ‘Xou’, de segunda-feira a sábado, e no Bobeou Dançou, quadro que ganhou status de programa solo em julho de 1989 e passou a anteceder Faustão aos domingos. A gincana entre duas escolas consistia na busca de pistas por um tesouro dentro de uma casa cenográfica.

Muito visada, Xuxa Meneghel tornou-se alvo de todo disse-me-disse. Da migração para a linha de shows da Globo, num projeto concebido por Chico Anysio, a uma possível transferência para o SBT – que visitou em julho por ocasião do lançamento do novo LP, sob forte esquema de proteção por parte da Polícia Militar em razão do assédio dos fãs e do consequente tumulto que sua presença sempre causava, sentando-se no sofá de uma eufórica Hebe Camargo.

O maior burburinho, contudo, envolveu a transferência de seu matutino para Angélica ou para a paquita Andréa Faria, a Xiquita Sorvetão. A atração atingiu 1000 edições em setembro de 1989, recebendo figuras como Pelé e Joãozinho Trinta.

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Angélica em pôster do álbum lançado em 1989; Vou de Táxi marcou estreia da loira no Domingão do Faustão (Imagem: Reprodução / Angelical Touch)

Habitué de campanhas publicitárias desde a mais tenra infância, quando ganhou um concurso de beleza no programa do Chacrinha, Angélica almejava o estrelato como cantora quando foi convidada para apresentar o Nave da Fantasia (1987), na Manchete. No mesmo ano, assumiu o Clube da Criança – formato que catapultou Xuxa. Em 1988, impulsionada por séries como Jaspion e Changeman, passou a abrir vantagem na audiência sobre a Globo, nos fins de tarde.

Angélica entrou 1989 enfrentando uma concorrente de peso: a novela Guerra dos Sexos (1983), reapresentada dentro da faixa Sessão Aventura numa medida da emissora-líder para frear o avanço da adolescente da Manchete. Aos 15 anos, completados em novembro do ano anterior, com direito a festa de debutante televisionada pela estação dos Bloch, ela colhia os louros do primeiro álbum, o do clássico Vou de Táxi.

As músicas de Angélica miravam não só a criançada, como as de Xuxa. Os adolescentes eram contemplados por canções como Nosso Amor é Uma Festa, que abria o filme Os Trapalhões na Terra dos Monstros – ao lado de Didi, Dedé, Mussum, Zacarias e Gugu Liberato. A investida no público acima dos 12 anos tinha razão de ser, não só pela coincidência com a fase que ela atravessava: o programa Milk Shake, lançado aos sábados, atraía os mais velhos.

A “salada musical” cobria o espaço deixado por Chacrinha, em 1988. Milk Shake tornou-se o point de muitos famosos; Caetano Veloso chegou a eleger o formato como o melhor, no tangente à música, em entrevista à revista IstoÉ. O êxito de Angélica, terceiro faturamento da casa – atrás apenas do Jornal da Manchete e de Kananga do Japão – acarretou em propostas da Globo e do SBT. As participações dela na primeira, no ‘Domingão’, no Globo de Ouro e até no ‘Xou’, eram constantes.

Angélica deixou a Manchete em 1992, após a crise financeira que tirou o canal das mãos de Adolpho Bloch. Estreou no SBT em 1993, reforçando o apelo junto ao público infanto-juvenil. Três anos depois, desembarcou, enfim, na Globo.

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Mara Maravilha à frente do Show Maravilha, no SBT; visita à concorrente Globo para cantar no ‘Domingão’ (Imagem: Reprodução / Mara Maravilha)

Mara Maravilha iniciou a carreira artística, de fato, aos 10 anos. Foi quando assumiu o comando de infantis da TV Itapoan, na Bahia. O fenômeno regional deixou a afiliada do SBT para trabalhar na matriz, como jurada do Show de Calouros com Silvio Santos e repórter do Viva a Noite de Gugu Liberato. Em 1987, com o Xou da Xuxa já bombando na Globo, veio a possibilidade de conduzir o Show Maravilha, voltando novamente sua atenção para a criançada.

Dois anos depois, quando Faustão chegou à Globo, Mara dominava as rádios com Liga Pra Mim. Mas o sucesso que a levou ao programa da concorrente foi Não Faz Mal – ou Tô Carente, Mas Tô Legal. A música impulsionou as vendas do álbum Deixa a Vida Rolar, lançado em 1990. A seleção, produzida por Arnaldo Saccomani, recebeu disco de diamante; foi o segundo LP mais vendido da carreira de Maravilha, apesar da crise financeira causada pelo Plano Collor.

O recorde foi batido em 1993 por Importante É Ser Feliz, embalado por uma versão de Jesus Cristo, composição de Erasmo e Roberto Carlos, incrementada pelo batuque do Olodum. Nesta época, Mara já flertava com a religiosidade. No ano seguinte, ela deixou o SBT, mirando o mercado internacional. Voltou ao vídeo através da Record. Hoje, na emissora de Silvio Santos, divide o comando do Triturando (antes Fofocalizando), com Chris Flores, Gabriel Cartolano e Lívia Andrade.

O 1990 de Mara visitando Fausto Silva e batendo recorde no mercado fonográfico ficou marcado também pela nudez da apresentadora nas páginas da Playboy – uma ousadia e tanto, considerando o público com o qual ela dialogava. Suas canções também alcançavam os mais altinhos, mas, ainda assim, as fotos apresentadas como “a nudez mais desejada da TV” causaram polêmica. Cabe lembrar que, antes da fama com os baixinhos, Xuxa também posou nua.

Durante o Show Maravilha, Mara reluziu no céu do SBT ao lado de outros ícones infantis. Casos do palhaço Bozo, da ex-Balão Mágico Simony, de Mariane, Eliana e de Sérgio Mallandro – também “revisitado” no Domingão do Faustão deste domingo.

Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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