Em livro, Luciano Huck relata desespero ao relembrar acidente de avião: “Silêncio da morte”

Luciano Huck
Luciano Huck contou detalhes do acidente que sofreu com toda sua família (Imagem: Divulgação / Globo)

Em um trecho do livro De Porta em Porta, lançado recentemente, Luciano Huck revelou detalhes do acidente que sofreu em 2015, quando o avião bimotor que estava com sua família caiu no Mato Grosso do Sul, enquanto todos deixavam o Pantanal:

“Estávamos todos em pânicos. (…) Faltando cerca de 130 quilômetros para o aeroporto de Campo Grande, o barulho do avião mudou. O painel mostrava que um dos motores havia apagado. Dali em diante, vivemos os piores quatro minutos das nossas vidas”.

No capítulo, intitulado de Sobreviventes, o apresentador continuou: “O avião passou a perder altura mais rapidamente. O nervosismo tomou conta de todo mundo. O olhar dos nossos filhos se enchia de medo. O comandante curvou o bimotor para outro lado, na direção de Campo Grande. As crianças começaram a gritar. Já não havia dúvidas de que não chegaríamos ao aeroporto“.

Luciano contou ainda que tentou se manter centrado para proteger a família, apesar do medo. “‘Nós não vamos pousar, nós vamos cair’, falei para eles, olhando cada um nos olhos. ‘Todo mundo bota o cinto e abaixa a cabeça’. Benício (o filho do meio) estava diante de mim. Angélica estava frente a frente com Joaquim (o primogênito). Léa (a babá) agarrou Eva (a filha). Segundo depois, já perto do solo, os pilotos desligaram os motores. Foi então que se deu aquele silêncio estranho, que parece prenunciar a presença da morte“, revelou.

O novo comandante do Domingão relatou que o avião bateu três vezes no chão antes de derrapar de lado e parar:

“Antes disso, vi Angélica voando do assento e batendo a cabeça na lateral oposta da cabine. Seu cinto se rompera. Tivemos muita sorte, além de contar com a perícia do piloto”.

Huck confessou que o piloto abriu a porta do avião. “As crianças choravam muito. Temi que Eva tivesse sofrido algum ferimento interno: ela reclamava de dores na barriga. Angélica andava em círculos, desesperada. Mais tarde, no hospital, descobrimos que eu fui o único passageiro a se machucar com mais gravidade. Quebrei a 11ª vértebra“, relatou, afirmando que a família levou meses para superar o trauma:

“Conversamos sobre o acidente durante o jantar, antes de dormir, elaborando tanto sobre o trauma quanto sobre a nossa sorte. (…) Caberia a nós, dali para frente, transformar aquela experiência numa forma nova e melhor de conduzir a vida”.

Ao finalizar o texto, Luciano faz uma reflexão sobre a lição que tirou do acidente. “O acidente foi um tapa na minha cara. Foi como se Deus tivesse me sacudido com violência, me confrontando não apenas com a minha morte, mas a de toda a minha família. A queda me tirou de vez da zona de conforto. Comecei a refletir sobre por que Deus havia sido tão generoso comigo, sobre qual seria o meu chamado nessa segunda chance, nessa nova vida. (…)“, disse.

Da porta para dentro de casa, ficou claro que Angélica e eu deveríamos priorizar ainda mais o que já era prioridades: nossa família. (…). Da porta para fora, iniciei uma cruzada pelo conhecimento. Quero aprender e assim contribuir para que a minha história pudesse ir bem além daquela biografia de quem faz fama, sucesso e dinheiro“, concluiu.

Guinho Santos
Guinho Santos é formado em Jornalismo e escreve sobre o universo das celebridades há dez anos. Reality show, bastidores da TV e novelas também são seus pontos fortes. Além disso, possui experiência como Social Media e apresentador. Seu canal na web é através do Instagram @guinhosantos__.
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