Éramos Seis
Gloria Pires tem chance de ouro com Éramos Seis, nova novela das 18h (Imagem: Raquel Cunha / Globo)

Recriar um clássico não é tarefa fácil. Que o diga Ângela Chaves e Carlos Araújo, autora e diretor responsáveis pela nova versão de Éramos Seis – a terceira a partir do texto de Rubens Ewald Filho e Silvio de Abreu, baseado na obra de Maria José Dupré. A julgar pelo primeiro capítulo, exibido nesta segunda-feira (30), Ângela e Carlos foram extremamente felizes, bem como a produção e o elenco; aqui, com destaque para Gloria Pires.

A atriz vem de personagens infrutíferos como Beatriz, prejudicada pelos desvios de rota de Babilônia (2015), e Elizabeth, tipo irregular de O Outro Lado do Paraíso (2017). Mas Lola, a protagonista de Éramos Seis, dá a Gloria a sustentação dramatúrgica para que ela desfile seu público e notório talento. Apesar do sotaque por vezes equivocado, a Lola de Glorinha conquista tanto com a doçura na voz que usa no trato com os filhos, quanto com o olhar submisso para o marido.

O desempenho da atriz, claro, é intrínseco aos colegas. Antonio Calloni é ator de múltiplas possibilidades; todas elas potencializadas pelo chefe de família Júlio, que vai do carinho com a caçula Isabel (Maju Lima) à gana furiosa com a qual avançou, de cinto, sobre o primogênito Carlos (Xande Valois); do tom bruto com o qual se dirige à esposa ao saber da possível visita das cunhadas até os lamentos para o colega de trabalho sobre a triste sorte do beberrão que se sente alvejado pelo meio em que vive.

Os poucos coadjuvantes apresentados nesta estreia também saíram-se bem. Inevitáveis as comparações com a versão de 1994, produzida pelo SBT – a única que acompanhei. Eduardo Sterblitch e Maria Eduarda de Carvalho fazem jus aos trabalhos gloriosos de Osmar Prado e Denise Fraga como Zeca e Olga. Já a Dona Maria de Denise Weinberg parece mais espevitada do que a de Yara Lins; a Genu de Kelzy Ecard soa mais contida do que a de Jandira Martini.

Essa sensação de que Éramos Seis está em boas mãos, como esteve anteriormente, conforta quem acompanhou a versão de 1994 ou as anteriores. A história já é conhecida, os personagens idem. Cabe ao empenho do elenco e à produção diferenciar uma regravação da outra.

Também ao contexto no qual a novela se insere, a cada época. Neste sentido, ponto positivo para Ângela Chaves, que substitui um casal de espanhóis por um inter-racial, Shirley (Bárbara Reis) e Afonso (Cássio Gabus Mendes). A Lola de Gloria Pires não é tão submissa – tocante a forma como que ela “dá a volta” no marido sem confrontá-lo. Emocionante também a sequência do jantar de família no qual Júlio comparece alcoolizado, tumultuando o ambiente e assustando os filhos.

Éramos Seis estreou indicando bom entretenimento para os próximos meses. Mais do que isso: o folhetim promete alentar o telespectador, após um dia estressante de trabalho ou mesmo o que está em casa, avesso às mazelas noticiadas pelos concorrentes no horário. Bom começo.

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