Exclusivo: Carlos Lombardi comenta volta de Kubanacan e “reaproximação” com a Globo

Carlos Lombardi
Carlos Lombardi celebra volta de Kubanacan e revela quais novelas, de sua autoria, gostaria de ver no Globoplay (Imagem: Reprodução / YouTube)

O Globoplay disponibilizou, entre domingo (6) e segunda-feira (7), os 227 capítulos de Kubanacan (2003). A novela, uma das mais bem-sucedidas da faixa das sete na última década, conta com a assinatura de Carlos Lombardi, grande nome do horário e da Globo neste período. Esta coluna do RD1 conversou com o autor por e-mail, falando a respeito da produção estrelada por Marcos Pasquim – Esteban, o Pescador Parrudo –, de outras obras suas que merecem chance no streaming e de uma possível volta à emissora que o consagrou.

RD1 – Kubanacan estreou neste domingo no Globoplay. Pretende acompanhar? E por que o público deve acompanhar?

Carlos Lombardi – Porque é a primeira vez que Kubanacan está disponível para reprise. Lembro dela como uma novela colorida, solar, leve e divertida. Também é muito romântica e é uma delícia ver o romance de Lola (Adriana Esteves) e Esteban ao som do bolero No Me Platiques Más e o de Enrico (Vladimir Brichta) e Rubi (Carolina Ferraz) ao som de Contigo En La Distancia, cantada por Nana Caymmi, se não me engano. E é sempre bom rever dona Nair Bello (Dolores).

RD1 – Quais os maiores acertos, e os defeitos, de Kubanacan?

Carlos Lombardi – Acertos são vários. A escalação foi muito boa, a direção de atores do Wolf [Maya] ótima e a trilha sonora é uma delícia. A edição de PH Farias era excelente. As três cidades cenográficas foram ótimas — sendo que duas, as da capital do país, foram reaproveitamentos de cidades cenográficas de novelas anteriores. A terceira era a aldeia na praia, também ótima. Alguns erros vieram da necessidade e improvisar por conta de doenças no elenco, pequenos acidentes que me fizeram reescrever vários capítulos.

RD1 – Kubanacan trazia, de certo modo, as mazelas do Brasil de 2003. Hoje, qual tema não poderia deixar de ser “espelhado” no enredo?

Carlos Lombardi – Sempre se pode fazer sátira de um momento da vida do país, mas não gosto de pensar em hipóteses. Só pensaria como seria uma sátira do país de hoje se tivesse um projeto.

RD1 – Qual de suas novelas merece pintar em breve no Globoplay?

Carlos Lombardi – Falando caoticamente, várias. Gostaria de ter a chance de rever Uga-Uga, um enorme sucesso que nunca foi reprisado porque um juiz proibiu qualquer reprise antes das 21 horas por causa da bunda do índio… Adoraria também que o Globoplay colocasse no seu cardápio a minissérie O Quinto dos Infernos. E tenho lembranças ótimas de uma novela suave, romântica como Pé na Jaca, que tem um dos melhores personagens que já escrevi, o Arthur Fortuna vivido pelo incrível Murilo Benício.

RD1 – Estamos diante do “resgate” de autores veteranos, por meio de reprises na Globo e no Canal Viva, além da volta de tramas clássicas via Globoplay. Também de uma nova direção de Entretenimento e Dramaturgia na TV aberta (Ricardo Waddington e José Luiz Villamarim). Dentro deste novo cenário, podemos esperar uma reaproximação sua com a Globo?

Carlos Lombardi – Vejo como uma coisa normal. Os direitos dessas obras são da Globo, normal ela utilizá-las para aumentar o cardápio do Globoplay. Não há necessidade de reaproximação. Saí da Globo, a Record pagou a multa depois de disputa judicial, o próprio jurídico da Globo me informou que minha situação estava regularizada com a empresa um ano e meio atrás quando Gloria Perez aprovou duas séries minhas no período em que ela cuidou da linha de seriados. Os projetos só não andaram por decisão da direção artística, não havia impedimentos legais.

Duh SeccoDuh Secco
Duh Secco é  "telemaníaco" desde criancinha. Em 2014, criou o blog "Vivo no Viva", repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.
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