Felipe Neto se queixa da “ineficiência” do Twitter contra fake news e mensagens de ódio

Felipe Neto
Felipe Neto se queixa da “ineficiência” do Twitter contra fake news e mensagens de ódio (Imagem: Reprodução / Instagram)

A política é um assunto que está sempre em pauta e com a alta popularidade das redes sociais, o tema se populariza no bom e no mau sentido. Felipe Neto não está tão satisfeito com o jeito e intensidade em que as notícias falsas e as mensagens de ódio são combatidas, especialmente no Twitter.

Em entrevista ao site Notícias da TV, o youtuber relatou que entrou em contato com três funcionários de alto escalão da rede social citada acima, no intuito deles suspenderem a conta de Allan dos Santos, jornalista bolsonarista e investigado na CPI das Fake News. Isso faz parte de um esforço, desde maio, para combater esses tipos de atitudes.

Felipe tem montado um dossiê sobre atuação do Twitter no Brasil, e pretende divulgá-lo nos Estados Unidos, dizendo que o comportamento da empresa vem sendo pautado pelo governo Bolsonaro. A organização, mesmo procurada, não respondeu as perguntas porque sua política interna não os deixa comentar casos específicos.

Mesmo com exemplos numerosos de políticos e simpatizantes da direita derrubados, o famoso mantém o seu ponto de vista e acusa o site de falta de transparência:

Não há resposta para essa pergunta, o Twitter simplesmente se recusa a ser transparente. Em todas as reuniões que fiz com os representantes brasileiros, sempre recebi respostas vagas. Ninguém nunca é responsável por nada, tem sempre ‘alguém’ que precisa decidir, mas ninguém nunca sabe quem é. E é sempre essa tal ‘equipe’ que se nega a apagar um post ou bloquear um perfil, embora eles não revelem quem toma essas decisões”.

Apesar do posicionamento contundente, Felipe Neto se mostrou cuidadoso ao pensar em banimentos ou decisões que permitam ou desautorizem a presença de personalidades no Twitter:

Minha defesa é justamente a de que as grandes redes sociais não devem ter o poder de decidir quem pode e quem não pode falar para sempre, com banimentos eternos, por exemplo. Defendo publicamente que é preciso montar um conselho internacional e conselhos nacionais dos países para tratar do assunto, chamando especialistas, acadêmicos, representantes do povo e políticos. Isso quando se trata de punições maiores”.

Falando sobre a pandemia da Covid-19, o influenciador pontuou que quando uma pessoa entra numa rede social, está de acordo com as regras dela, mas que disseminar informações falsas sobre as vacinas e “liberdade de expressão” são coisas totalmente distintas.

Ele ainda se defendeu da possível acusação de que poderia estar se colocando como uma figura ditadora de regras: “Se o Twitter aplicasse suas próprias regras, ninguém precisaria fazer pressão alguma nesse sentido. Não estou pedindo para seguirem o que eu digo, estou pedindo para seguirem o que eles próprios dizem”.

Felipe conseguiu enxergar, nessa conversa, diferentes diretrizes e comportamentos em cada país: “O Twitter se comporta de maneira diferente em cada país onde atua. Aqui no Brasil, o trabalho está simplesmente uma tragédia. As tais ‘motivações’ políticas e econômicas tornaram-se a preocupação principal da plataforma, e a falta de transparência é absoluta”.

Sobre o movimento do governo Bolsonaro em fazer o Twitter seguir leis locais, o entrevistado fez sua sugestão, inclusive afirmando que deixaria a plataforma se essa possível legislação se aliar a um viés político antidemocrático:

É preciso seguir as leis locais. Se isso inviabilizar a operação em determinado país, aí sim pode-se considerar uma medida mais drástica. Contudo, é fundamental que a plataforma atue também em Brasília, com representantes que visem defender seu ponto e mostrar como está a situação no ambiente digital”.

Felipe Neto colocou a educação digital como uma solução para essa avalanche de desinformação: “Se não investirmos em educação de base, dentro de dez a 15 anos nós teremos um cenário apocalíptico no Brasil e no mundo. Essa foi uma das razões pelas quais criei o Instituto Vero, visando levar educação digital para o máximo possível de pessoas”.

Por fim, o youtuber explicou porque se posiciona politicamente de maneira tão ativa, mesmo trazendo dor de cabeça, ao invés de focar nos vídeos que o tornaram famoso: “Seria muito mais difícil dormir à noite, sabendo que tenho o tamanho da influência que tenho e não a utilizo para lutar contra um fascista genocida que está no poder do meu país”.

Da Redação
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