Globo endossa luta contra racismo no especial Falas Negras

Falas Negras
Taís Araújo como Marielle Franco em Falas Negras; especial endossa luta contra racismo e busca por liberdade (Imagem: Victor Pollak / Globo)

Nesta sexta-feira (20), Dia da Consciência Negra, a Globo exibe o especial Falas Negras. O projeto criado por Manuela Dias – autora de Amor de Mãe – e dirigido por Lázaro Ramos reúne 22 depoimentos de pessoas que lutaram contra o racismo, pela liberdade e a favor da Justiça. Nomes como Babu Santana e Taís Araújo interpretam relatos colhidos em registros biográficos ou vídeos, de figuras como o lutador Muhammad Ali (Babu) e a vereadora, assassinada em 2018, Marielle Franco (Taís).

Falas Negras contempla figuras como Nelson Mandela, presidente da África do Sul que liderou o movimento contra o Apartheid, legislação que segregava os negros no país. A luta de Mandela, defendido no especial por Bukassa Kabengele, foi reconhecida com o Prêmio Nobel da Paz, entregue em 1993. Também Martin Luther King, a cargo de Guilherme Silva, que buscava a igualdade civil entre negros e brancos e inspirava-se em ideias cristãs para pregar o amor ao próximo.

Dois tristes episódios da história recente do Brasil também integram o programa. A atriz Tatiana Tibúrcio interpreta Mirtes Souza, mãe do menino Miguel Otávio, que morreu após cair de um prédio de luxo no Recife, enquanto estava sob os cuidados da patroa da mãe. Silvio Guindane vive Neilton Matos Pinto, pai do adolescente João Pedro Matos Pinto, morto aos 14 anos, com um tiro nas costas, durante operação policial na favela do Salgueiro, em São Gonçalo, Rio de Janeiro.

O projeto nasceu durante a pandemia, durante três semanas de episódios tão simbólicos. Teve o assassinato do João Pedro, na semana seguinte o assassinato do George Floyd, e depois teve a morte do Miguel, um assassinato indireto que evidencia de forma quase caricatural a nossa chaga histórica. Isso tudo me mobilizou e propus para a TV Globo que a gente fizesse o especial. Sugeri abrir espaço para essas aspas para mostrar a inconformidade com o que a gente vem vivendo há mais de 500 anos”, explica Manuela Dias. Thaís Fragozo respondeu pela pesquisa.

Lázaro Ramos, aqui como diretor, conduziu os ensaios de forma remota, durante dez dias, contando com a assistente de direção Mayara Pacífico, a preparadora Tatiana Tibúrcio e a consultoria da antropóloga Aline Maia, que deu aulas sobre a trajetória dos personagens. A cenografia conta com assinatura de Mauro Vicente Ferreira; o figurino coube a Tereza Nabuco.

Quando li o material todo, fiquei parado por um tempo pensando em como que eu ia lidar com aquilo. Mas, ao mesmo tempo, sei que tudo aconteceu de verdade, não tem ficção aqui. É o que a nossa História produziu. Então, senti como um convite para refletir sobre como a gente vê a História. O meu desejo é que as pessoas se sintam motivadas a agir. É a nossa História, foi o que nós produzimos. E aí? O que faremos com isso?”, analisa Lázaro Ramos, que buscou “atores que fossem bons contadores de história, porque o projeto, na verdade, é isso”.

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Duh Secco

Duh Secco é  “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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