Globo fez jus ao título Vale a Pena Ver de Novo com Avenida Brasil

Avenida Brasil
Adriana Esteves (Carminha) e Débora Falabella (Nina) em Avenida Brasil; novela fez jus ao título Vale a Pena Ver de Novo (Imagem: Divulgação / Globo)

Chega ao fim nesta sexta-feira (1°) a reprise de Avenida Brasil (2012) em Vale a Pena Ver de Novo. A novela de João Emanuel Carneiro acumulou a maior média-geral da faixa nos últimos 10 anos: 18,7 pontos, entre 7 de outubro do ano passado e 29 de abril – quando foi exibido o antepenúltimo capítulo. A audiência, mais do que merecida, é reflexo não só da qualidade do folhetim capitaneado por Adriana Esteves e Débora Falabella. A Globo fez valer cada segundo desta reapresentação…

No ar há 40 anos, o Vale a Pena Ver de Novo padeceu na última década com títulos previsíveis e edições malfeitas. O endurecimento da Classificação Indicativa na primeira metade dos anos 2010 impediu a reexibição de tramas de êxito, especialmente das 20h. Cobras & Lagartos (2006), das 19h, demorou tanto para voltar que o público, quando a novela enfim veio, mal se interessou. Páginas da Vida (2006) foi trancada no acervo, à espera de uma chance no Canal Viva.

Quando a Classificação Indicativa deixou de ser vinculada à faixa horária, o canal pode resgatar folhetins “pesadões”, como Senhora do Destino (2004) e Celebridade (2003). Neste momento, a tesoura se perdeu. ‘Senhora’ foi ao ar praticamente na íntegra; uma reprise exaustiva, que não secou as gorduras do enredo de Aguinaldo Silva, já desgastado por uma reapresentação anterior e inúmeros memes. Celebridade pretendia seguir o mesmo caminho; a audiência em queda levou à mutilação.

A edição acertou o passo com Cordel Encantado (2011), no primeiro semestre de 2019. E seguiu bem enquanto Por Amor (1997) esteve no ar. O êxito desta última causou celeuma nas redes sociais quando a Globo manifestou o desejo de reexibir Eta Mundo Bom (2016) – informação adiantada com exclusividade nesta coluna do RD1. A repercussão negativa levou ao adiamento da produção assinada por Walcyr Carrasco. Deu-se então a opção por Avenida Brasil.

O segundo maior êxito das 21h em audiência na década passada – certamente, o primeiro em repercussão – “causou” desde o anúncio de sua volta. Usuários do Twitter levaram Avenida Brasil ao topo dos TrendingTopics Mundial. O desejo de rever ‘Avenida’ veio acompanhado de uma série de exigências: da manutenção dos congelamentos no final de cada capítulo, algo que o ‘Vale a Pena’ nunca preservou, aos cuidados com os cortes de sequências mais pesadas.

A Globo atendeu as reivindicações, ciente da qualidade do produto que tinha em mãos e do apreço do público pelo mesmo. Congelou até mesmo a última cena do filme Malévola (2014), que antecedeu o primeiro capítulo de Avenida Brasil. Produziu novos ganchos em decorrência da duração diferenciada da faixa de reprises no comparativo com o horário das 21h, todos congelados. E manteve todas as cenas inesquecíveis, com uma ou outra “correção”.

Com o auxílio do isolamento domiciliar imposto pela pandemia de coronavírus, o folhetim bateu sucessivos recordes de audiência nas últimas semanas. O melhor índice foi registrado em 16 de abril: 27,7 pontos com Carminha (Adriana) desmascarada por Tufão (Murilo Benício) e família – curiosamente, a segunda maior média da trama em 2012 (48 pontos), responsável por levar o Operador Nacional do Sistema (ONS), órgão encarregado da geração de energia elétrica no Brasil, a adotar medidas especiais para a reta final, evitando sobrecarga na estrutura.

Uma nota da jornalista Patrícia Kogut publicada hoje em O Globo destaca o aumento nas buscas por Avenida Brasil na internet, desde 15 de março, relacionadas especialmente ao malandro Max (Marcello Novaes), assassinado nas últimas semanas. Nada mal para uma novela que arrebatou 100 mil tweets quando a plataforma ainda engatinhava, com as já citadas cenas de Carminha expulsa da mansão e do Divino. Foi, talvez, o primeiro grande fenômeno televisivo das redes sociais; o ‘OiOiOi’ que abria os capítulos em 2012 se repetiu agora.

A Globo fez bom uso de Avenida Brasil em Vale a Pena Ver de Novo e isso se converteu, tal qual na exibição original, em prestígio. Como tudo tem um dia tem fim, o folhetim se despede nesta sexta-feira – prometendo bombar, outra vez, numa futura reapresentação no Canal Viva, quem sabe. De minha parte, “paguei a língua” por julgar, antes da reestreia, o folhetim como excessivamente atrelado ao seu tempo, o da então ascendente classe C. ‘Avenida’ é atemporal, tal qual Por Amor. Valeu a pena ver de novo. Vai valer sempre.

Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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