Alta Estação
Ariela Massotti, Vergniaud Mendes e Lana Rhodes encabeçavam o elenco jovem de “Alta Estação” (Imagem: Divulgação / Record)

Em 2004, após o retumbante fracasso de “Metamorphoses”, a Record deu início a um (aparentemente) sólido plano de reativar seu núcleo de dramaturgia, o qual já começou acertado com o remake de “A Escrava Isaura” e seguiu por bom caminho com produtos como “Prova de Amor” (2005) e “Vidas Opostas” (2006).

Com dois horários de novelas já consolidados (às 19h e às 22h), a trupe dos bispos decidiu que era o momento de arriscar a abertura de uma terceira faixa. A ideia era criar uma espécie de “Malhação” made in Record, isto é, um programa parecido à trama teen da Globo – em formato e público-alvo -, para bater de frente com a novela das seis da “vênus platinada”. Nascia então “Alta Estação”, trama de Margareth Boury – em sua primeira novela como autora titular – que tinha a missão de atrair os jovens para a tela da Barra Funda.

A figura principal da trama era Bárbara Carvalho (Ariela Massotti), adolescente de 18 anos que acaba de se formar no Ensino Médio e larga o conforto da casa dos pais em Diamantina (MG) e a estabilidade de um destino traçado pelos mesmos, à sua revelia, para ir atrás do amor de sua vida, Eduardo (Daniel Aguiar), em uma universidade do Rio de Janeiro. Surgiam a partir de então os conflitos, os amigos, os desafetos e as descobertas tão próprias a essa época da vida e ao contexto universitário.

Estreada em 17 de outubro de 2006, exatamente um dia após o debute da concorrente direta na Globo, “O Profeta”, o folheteen logo mostrou não estar à altura da tarefa de competir com a história de Ivani Ribeiro. O texto de Margareth Boury lá tinha suas qualidades, mas o restante da obra não o acompanhava. A falta de carisma dos protagonistas – Ariela Massoti, Daniel Aguiar e Vergniaud Mendes, todos inexperientes e “verdes” demais – era apenas a ponta do iceberg de uma trama tão mal-ajambrada que por vezes soava a produção independente, algo inaceitável para a dramaturgia da Record àquela altura do campeonato. Boa parte desse problema talvez fosse culpa da direção de João Camargo, pela primeira vez capitaneando os bastidores de um folhetim.

Alta Estação
Guilherme Boury e Andreia Horta foram revelados em “Alta Estação” (Imagem: Divulgação / Record)

Um fato pouco comentado à época da trama foi a profunda semelhança do enredo de “Alta Estação” com a série norte-americana “Felicity”. Embora Margareth Boury tenha alardeado desde a pré-produção o desejado de se inspirar em seriados da terra do Tio Sam, causava espanto tamanha similaridade com a atração da Warner, desde o argumento – Felicity Jones (Keri Russell) também deixava uma vida estável, porém monótona, no interior para se inscrever em uma universidade na cidade grande em nome do amor por Ben (Scott Speedman) – até pequenos detalhes, como o fato de a heroína trabalhar em um bar e lidar com um chefe excêntrico.

Seja como for, o fato é que “Alta Estação” não correspondeu de nenhuma forma às expectativas com que fora concebida. Inicialmente pensada para se estender por várias temporadas, tal como sua precursora “Malhação”, acabou sendo encerrada de forma abrupta por ordem da Record, com apenas 164 capítulos. À época, foi anunciada a possibilidade de a novela retornar em um futuro próximo em formato de musical – reflexo da popularidade de “High School Musical”, da Disney, neste então -, o que felizmente acabou não acontecendo.

Embora hoje pouco lembrada, “Alta Estação” teve o mérito de revelar jovens talentos que mais tarde se destacariam em sua carreira televisiva, como Andreia Horta e Guilherme Boury – um dos poucos pontos altos da história como o casal Caio e Renata -, e de demonstrar a afinidade de Margareth Boury com o universo dos jovens. Anos mais tarde, ela encontraria um diálogo mais eficaz com este público ao assinar o texto da versão brasileira de “Rebelde”, sucesso no mesmo canal entre 2011 e 2012.

Novelas da Globo voltam a cair, após semana de boa audiência

A sexta-feira (11) e o sábado (12), marcados pelo calor intenso em muitas capitais, foram como uma balde de água fria nos índices de audiência das novelas da Globo. “Espelho da Vida”“O Tempo Não Para” “O Sétimo Guardião” registraram números aquém das expectativas; o público também não se interessou pelas emoções finais de “Belíssima” (2005), em “Vale a Pena Ver de Novo”.

A reprise da trama de Silvio de Abreu anotou apenas 12,9 pontos na sexta; na sequência, “Malhação – Vidas Brasileiras” bateu 13,8 de média. “Espelho da Vida” – que esboçou reação ao longo da última semana – registrou 15,1 pontos. No sábado, o folhetim de Elizabeth Jhin caiu para 13,0; o recorde negativo da produção, cabe lembrar, foi de 12,7, em 31 de dezembro de 2019.

“O Tempo Não Para”, em suas últimas semanas às 19h, também está penando para reverter a fuga de audiência. Na sexta-feira, a novela de Mário Teixeira atingiu 19,9 pontos; no sábado, deu 17,4. Já “O Sétimo Guardião”, cartaz das 21h, foi de 25,5 na sexta para 23,5 no sábado.

Cabe lembrar que “Belíssima”, que chega ao fim nesta sexta-feira (18), acumula 13,7 pontos de média-geral, menor índice do “Vale a Pena Ver de Novo” desde “Cobras & Lagartos” (2006, reapresentada em 2014), com 12,4. “Malhação – Vidas Brasileiras” mantém 16,2 pontos de média-geral, abaixo das três temporadas anteriores e acima de “Malhação – Sonhos” (2014), com 15,9.

“Espelho da Vida” assinala, até o momento, 17,4 pontos, apenas um centésimo à frente de “Boogie Oogie” (2014) – 17,41 x 17,40. “O Tempo Não Para” emplacou 24,5 pontos, menor índice da faixa desde “I Love Paraisópolis” (2015), com 23,5 de média, do mesmo autor – então com Alcides Nogueira. Por fim, “O Sétimo Guardião” assegura 27,2 pontos, ligeiramente acima de “A Lei do Amor” (2016), com 27,1.

 

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