Jornal Nacional reage ao veto da Justiça sobre investigação da rachadinha de Flávio Bolsonaro

Jornal Nacional
Jornal Nacional reage à veto para abordar investigação da rachadinha de Flávio Bolsonaro (Imagens: Reprodução – Globoplay – Instagram / Montagem – RD1)

Em sites informativos, jornais ou na televisão, a investigação da suposta rachadinha de Flávio Bolsonaro tem rendido assunto e o desenrolar dos fatos tem sido abordado. No entanto, o filho de Jair Bolsonaro entrou com a liminar que proíbe a Globo de divulgar documentos relativos ao caso, decisão prontamente repercutida no Jornal Nacional.

Ana Luiza Guimarães e Flávio Fachel comandaram o noticiário noturno da emissora neste sábado (5). Coube a Fachel resumir o ocorrido: “A pedido do Senador Flávio Bolsonaro, a juíza Cristina Feijó da 23ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio proibiu a Globo de divulgar informações de documentos sigilosos, extraídos da investigação criminal do escândalo da rachadinha, que envolve o Senador“.

Continuando o informe, Fachel mostrou o repúdio da Globo à liminar, embora tenha deixado claro que a decisão judicial está sendo cumprida. Ele anunciou a futura atitude da emissora: “A Globo respeita ordens judiciais, mas lamenta esse cerceamento da liberdade de informação, uma vez que a investigação em questão é de interesse de toda sociedade. A Globo recorrerá da decisão assim que for notificada“.

Ana Luiza, na sequência, leu a nota emitida pelo Grupo de Ação Especializada no Combate à Corrupção (GAECC) do Ministério Público do Rio, informando que concluiu as investigações e encaminhou o caso ao Procurador de Justiça Eduardo Gussem. “As investigações foram abertas em julho de 2018. Para os investigadores, o ex-assessor Fabrício Queiroz era o operador do esquema de lavagem de dinheiro chefiado por Flávio Bolsonaro, com parte dos salários repassados pelos servidores do gabinete do então deputado estadual“, rememorou a jornalista.

A equipe do Jornal Nacional aproveitou para retransmitir notas de alguns veículos, como a Associação Brasileira de Imprensa com o seguinte comunicado: “A censura parece estar se tornando praxe no país, tal como existia no tempo da Ditadura Militar e do AI-5. Se trata de mais um atropelo à liberdade de expressão“.

A Associação Nacional de Jornais também divulgou o seu parecer: “Qualquer tipo de censura é terminantemente vedada pela Constituição e além de atentar contra a liberdade de imprensa, cerceia o direito da sociedade de ser livremente informada. Isso é ainda mais grave quando se trata de informações de evidente interesse público“.

Por fim, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo fechou o trio de declarações que endossava a reprovação à liminar: “A censura prévia é inaceitável na Democracia, sobretudo quando o alvo da cobertura jornalística é uma pessoa pública cujo mandato foi outorgado pelo voto. A decisão dificulta a cobertura das graves denúncias contra o Senador Flávio Bolsonaro. Impedir veículos e jornalistas é prejudicial não apenas ao direito da informação, como também do papel da imprensa de fiscal das atividades do estado“.

Na sexta-feira (4), o Senador do Rio de Janeiro publicou, em seu Instagram, uma imagem com o logotipo da Globo numa lata de lixo e comemorou o feito: “Acabo de ganhar liminar impedindo a ‘Globo lixo’ de publicar qualquer documento do meu procedimento sigiloso. Não tenho nada a esconder e expliquei tudo nos autos, mas as narrativas que parte da imprensa inventa para desgastar minha imagem e a do Presidente Jair Bolsonaro são criminosas. Juíza entendeu que isso é altamente lesivo à minha defesa. Querer atribuir a mim conduta ilícita, sem o devido processo legal, configura ofensa passível, inclusive, de reparação.  Parabéns a meus advogados“.

Confira:

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Acabo de ganhar liminar impedindo a #globolixo de publicar qualquer documento do meu procedimento sigiloso. Não tenho nada a esconder e expliquei tudo nos autos, mas as narrativas que parte da imprensa inventa para desgatar minha imagem e a do Presidente @jairmessiasbolsonaro são criminosas. Juíza entendeu que isso é altamente lesivo à minha defesa. Querer atribuir a mim conduta ilícita, sem o devido processo legal, configura ofensa passível, inclusive, de reparação. Parabéns a meus advogados @luciana_pires20 @ju.bierrenbach , Rodrigo Roca e @renataazevedo8

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