Padre Fábio de Melo chora ao recordar quando viu caixão com o corpo da mãe

Padre Fábio de Melo
Padre Fábio de Melo chora ao recordar quando viu caixão com o corpo da mãe (Imagem: Reprodução / Instagram)

Pouco mais de três meses após a morte de Dona Ana Maria, sua mãe, padre Fábio de Melo abriu o coração e falou sobre a perda da matriarca, que faleceu em decorrência de complicações do coronavírus.

Durante sua participação no Saia Justa, desta quarta-feira (07), o sacerdote contou: “Eu lembro que a equipe que cuidava da minha mãe permitia que eu falasse com ela. Quando ela teve a primeira crise falta de ar me mostrou como a doença era cruel. Eles me ligaram pra ela se acalmar porque muita gente é intubada antes da hora por culpa da ansiedade”.

Na sequência, Fábio de Melo falou sobre o momento que a mãe precisou ser sedada por causa do agravamento da Covid-19. “Eu lembro como se fosse hoje: ela do lado de lá e eu dando a ela o que era de mais sagrado, que era o ser padre. Eu fui fazer uma oração como se eu estivesse em paz“, disse.

Eu falei: agora a senhora vai dormir um pouquinho porque está muito cansada. A última frase dela pra mim foi: ‘vai ficar tudo bem‘”, recordou o sacerdote.

Abalado, o religioso chorou ao lembrar do enterro da mãe. “Você não poder velar, não sei como ela foi sepultada. Ela era tão vaidosa, a gente não pode colocar o vestido que ela gostava”, lamentou Fábio.

Sabe aquela cena que você não vai esquecer? Quando eu cheguei na porta do cemitério, desci do carro, eu vi o caixão da minha mãe. Eu não conseguia andar e falava: nessa caixa tá a mulher que mais amei na vida. Eu fiz duas faculdades, mas nada supera o que minha mãe me ensinou“, completou o padre.

Em um desabafo que fez no Instagram, o sacerdote já tinha lamentado o fato de não ter tido a chance de fazer um velório e um enterro tradicional. “Outro desalento. Não poder ritualizar a despedida. Vestir o vestido mais bonito, pentear os cabelos, cobrir de flores a mulher que me amou primeiro, altar onde minha infância rezou as liturgias do amor inicial”, escreveu.

A pedra foi posta sobre a dança, a festa, o canto, a fome, o conselho e o alívio. Não mais o abraço, não mais o olhar que me sabia de cor. Ainda que a fé me faça crer no reencontro, o intervalo entre a espera e o abraço é puro desconsolo. Grito o que muitos já sabem: mãe não é sepultável“, concluiu o religioso na ocasião.

Carol Bittencourt
Caroline Bittencourt é jornalista, pós-graduada em Comunicação e Design Digital. Atua como redatora e produtora de conteúdo para redes sociais. Está nas redes sociais no @bittencourt.caroline.
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