Quatro Por Quatro para crianças, Salve-se Quem Puder não faz jus à faixa das 19h

Salve-se Quem Puder
Vitória Strada (Kyra), Juliana Paiva (Luna) e Deborah Secco (Alexia) em Salve-se Quem Puder; novela das 19h decepciona (Imagem: Paulo Belote / Globo)

Há tempos não via um primeiro capítulo tão fraco quanto o de Salve-se Quem Puder, novela que a Globo lançou às 19h no último dia 27. Fui, porém, até o fim da primeira semana. E como o sábado (1°) culminou com um dos “pontos de virada” da trama, acabei me estendendo e confirmando as impressões deixadas pelas primeiras cenas: o folhetim de Daniel Ortiz é, sim, fraco.

As palavras do youtuber Fábio Garcia, do canal Coisas de TV, resumem bem: “Reboot de Quatro por Quatro com texto mais infantilizado“. Os capítulos mais recentes trouxeram Alexia (Deborah Secco) e Kyra (Vitória Strada) traçando planos para que uma se infiltre na família da outra. As duas, mais Luna (Juliana Paiva), foram dadas como mortas e estão vivendo na pacata Judas do Norte, interior de São Paulo, após testemunharem um crime e serem incluídas no Programa de Proteção a Testemunha.

Em Quatro Por Quatro (1994), mulheres se uniam num plano de vingança contra ex-companheiros; uma prejudicando o homem da outra. A premissa de Carlos Lombardi desencadeou um emaranhado de situações hilariantes – prejudicadas pelos sucessivos esticamentos da novela, um dos maiores êxitos do horário das 19h nos anos 1990, em audiência e repercussão. Lomba, porém, se garantia em diálogos lancinantes.

Salve-se Quem Puder nunca escondeu a intenção de reverenciar títulos exibidos na faixa, especialmente na década de 1980, época em que Silvio de Abreu, espécie de padrinho de Daniel Ortiz, brilhou ao lado de Cassiano Gabus Mendes, quase sempre dirigidos por Jorge Fernando. Não há mal algum em buscar tais referências. O problema é que a proposta de agora passa longe da excelência dos enredos que “homenageia”.

Especialmente por conta do texto quase bobo de Ortiz. São frases feitas, sem alma, disparadas por um elenco bem acima do tom. Das protagonistas, apenas Juliana Paiva passa ilesa pelo tipo mocinha romântica que acorda dando bom dia para passarinhos. Deborah Secco revive as carreiristas Darlene (de Celebridade, 2003) e Natalie (de Insensato Coração, 2011). Já Vitória Strada busca um norte quase impossível de encontrar numa personagem marcada pelo excesso.

Mas as esperanças residem, justamente, em Kyra – agora Cleyde. Ela deve se empregar na casa da família Máximo, como babá dos filhos de Alan, interpretado por Thiago Fragoso, um dos poucos nomes que não exagera nas caras, bocas e timbres. O ingrato compromisso de cuidar de duas crianças chatinhas deve conferir responsabilidade à exageradamente desastrada decoradora. É uma narrativa que sempre funciona, vide Floribella (2005) e Meu Coração é Teu, em reprise no SBT.

Já Luna / Fiona deve cair na real ao encontrar Helena (Flávia Alessandra), a mãe que a abandonou no passado e que parece não ter lá muito remorso com relação a tal ato. Alexia, ao que tudo indica, ficará até as últimas cenas presa à atração por Renzo (Rafael Cardoso), o galã bandido encarregado de matá-la, e o amor puro do matuto sexy Zezinho (João Baldasserini).

Não vou ficar, porém, para acompanhar. Salve-se Quem Puder não me pegou. Na minha modesta opinião, é sempre bom ressaltar, o horário das 19h sofreu uma drástica queda de qualidade de Bom Sucesso para a substituta. Não é “orfandade” da novela anterior, nem “hater” de trama que dá audiência. Se há público para a atual produção, ótimo – especialmente para a Globo. Não é o tipo de novela que me agrada. Aos que ficam, bom divertimento, se possível.

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Tiago Leifert à frente do BBB 2020; reality não se afina com redes sociais (Imagem: Reprodução / Globo)

Ai, ai, esses meninos…

Demorou, mas a equipe do BBB 2020, liderada pelo diretor artístico Boninho e representada por Tiago Leifert no vídeo, enfim admitiu a existência de uma estratégia suja por parte, especialmente, de Felipe, Hadson e Lucas contra as mulheres da casa. Até a investigação acerca do possível ato de importunação sexual cometido por Petrix Barbosa contra Bianca Andrade e Flayslane – pauta do Jornal Nacional –, o reality tratou os brothers como meninos travessos. Para um programa que busca, ano após ano, se afinar mais e mais com as redes sociais, fica feio fechar os olhos e os ouvidos para o que a web exibe e diz.

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Disputa pela herança de Gugu Liberato expõe conflitos de toda ordem (Imagem: Bruno Correa / SBT)

Castelo de areia

Degradante também toda a exposição acerca da vida pessoal e da disputa pela herança de Gugu Liberato. Mãe, irmãos e Rose Miriam – considerada, até a morte dele, companheira – escancaram desavenças diante da imprensa, que repercute toda e qualquer frase com “certa razão”, já que há quem consuma tal noticiário. É triste, porém, concluir que Gugu levou uma vida “de mentiras”, com acordos mal costurados e fios soltos de um novelo agora desenrolado por interesses alheios, legítimos ou escusos.

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Luciana Barreto, âncora da CNN Brasil; sede do canal em São Paulo promete virar ponto turístico (Imagem: Divulgação / CNN Brasil)

Vitrine

A revista Propaganda informa que a sede da CNN Brasil na Avenida Paulista, coração de São Paulo, permitirá que os pedestres visualizem o funcionamento dos estúdios durante a transmissão dos telejornais e demais programas. O canal também vai disponibilizar a programação em um telão, como ocorre na região da Times Square, em Nova Iorque. Aos aficionados por TV, um novo ponto turístico na Paulista, além do prédio onde está instalada a Gazeta.

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Encontro com Fátima Bernardes ganha relevância com debate de temas atuais (Imagem: Divulgação / Globo)

Ligo

No Encontro com Fátima Bernardes. O programa soube se reinventar ao longo de seus quase oito anos de história. A produção é antenada: nesta última semana, por exemplo, repercutiram a união das mulheres no BBB 2020 e o crime em São Bernardo do Campo – da filha envolvida na morte dos pais e do irmão. Enquanto isso, o Mais Você e o Se Joga desperdiçam tempo com pautas similares, colocando repórteres em feiras livres e supermercados para debater o preço das bananas.

Também cabe destacar neste espaço a opção da Globo e da equipe do Domingão do Faustão de manter a atração ao vivo. No último domingo (2), Fausto Silva voltou aos palcos debatendo o temido coronavírus. O “ao vivo” possibilita esta interação com o noticiário do momento e preserva a “espontaneidade” do formato – impossível não curtir, por exemplo, o vazamento do recado fofo dado por Faustão à plateia.

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Sônia Abrão enfrenta problemas na RedeTV!, com atraso de salários e repasse de verbas (Imagem: Reprodução / RedeTV!)

Desligo

Da RedeTV!, novamente alvo de acusações acerca de atrasos de salários e repasses a terceiros, como a Câmera 5, responsável pelo A Tarde é Sua de Sônia Abrão. Um áudio vazado por alguém ligado à produção do vespertino trouxe de volta o fantasma da falta de pagamento e dos cortes que assombraram os profissionais contratados tempos atrás. Enquanto isso, Marcelo de Carvalho, um dos sócios do canal, usa as redes sociais e os veículos de mídia para arrotar impropérios contra a Globo.

Homem mais de negócios do que de televisão, Marcelo impressiona pela subserviência a Jair Bolsonaro (sem partido), visando, claro, a publicidade paga pelo governo às estações de TV. Quer o dinheiro que a Globo embolsava, sem produzir sequer metade do que a emissora-líder produz, loteando a grade de igrejas e infomerciais. E os salários? Ó…

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Gloria Pires, como Lola, é destaque em Éramos Seis (Imagem: Reprodução / Globo)

Fecha a conta

Éramos Seis está aí para provar o quanto Gloria Pires é sensacional! Não que, a esta altura da carreira, Gloria precisasse provar algo a alguém. A atriz, contudo, não teve sorte com personagens anteriores – como a irregular Elizabeth, de O Outro Lado do Paraíso (2017). Os capítulos mais recentes, centrados na morte de Carlos (Danilo Mesquita), ganharam força com o desempenho fantástico de Gloria, da aflição pelo sumiço do filho ao momento do falecimento, exibido ontem (7).

Aliás, embora criticada por parcelas do público apegada às versões anteriores, Éramos Seis é uma excelente adaptação do texto de Rubens Ewald Filho e Silvio de Abreu para a obra de Maria José Dupré. O excesso de drama incomoda determinada fatia da audiência. Assim como as produções da Tupi (1977) e do SBT (1994), a da Globo tem por obrigação se afinar com os anseios do telespectador.

Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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