Record dedica mais espaço à previsão do tempo do que às mortes por coronavírus

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Record dedica pouco mais de um minuto para falar sobre mortes por coronavírus (Imagem: Reprodução / Record)

Um dia após o Brasil bater recorde de números de mortes por coronavírus, com mais de mil óbitos registrados em apenas 24h, o Jornal da Record praticamente ignorou o assunto na edição da última quarta-feira (20).

Depois de priorizar as notícias policialescas do dia e de exibir uma reportagem de quase 3 minutos para falar sobre a crise econômica das pequenas e médias empresas causadas pelo isolamento social, o jornalístico apresentado por Sérgio Aguiar e Janine Borba dedicou apenas 1 minuto e 3 segundos para repercutir o número de mortes no país, por meio de dados mostrados em um telão.

Em seguida, em mais uma demonstração de que as consequências da Covid-19 foram mais repercutidas do que a própria doença, o programa reservou 3 minutos e 7 segundos para debater a liberação de hidroxicloroquina pelo SUS. A substância é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro embora não tenha seu uso defendido pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Outro fato curioso é que até mesmo a previsão do tempo ganhou mais espaço no jornal do que a letalidade do coronavírus, embora o país não esteja enfrentando nenhuma crise causada pelo clima. O tempo firme em Santa Catarina e a baixa umidade no ar no Paraná foram noticiados em 1 minuto e 17 segundos no telejornal do canal de Edir Macedo.

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Daniel Ribeiro cobre televisão desde 2010. No RD1, ao longo de três passagens, já foi repórter e colunista. Especializado em fotografia, retorna ao site para assinar uma coluna que virou referência enquanto esteve à frente, a Curto-Circuito. Pode ser encontrado no Twitter através do @danielmiede ou no danielribeiro@rd1.com.br.