Reposicionamento ou desmonte? 5 sugestões para o SBT sair da crise

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Silvio Santos, comandante do SBT; emissora abre mão de atrações, contratados e formatos em meio à reestruturação (Imagem: Divulgação / SBT)

Quem acompanha / cobre o noticiário sobre TV, espera, de hora em hora tal qual os números da Tele Sena, por comunicados do SBT anunciando dispensas de contratados e suspensões de programas. A emissora de Silvio Santos, certamente, atravessa uma de suas piores fases. Após o festival de reapresentações de todo início de ano, o canal foi surpreendido pela pandemia de coronavírus. Mais reprises, adiamentos, retomadas aos trancos e barrancos e, por fim, demissões e cancelamentos.

Nas redes sociais, entre os torcedores, há quem jure de pés juntos que o SBT atravessa uma reestruturação por conta do aniversário de 40 anos, em agosto de 2021. No departamento financeiro, sem dúvidas. A estação da Anhanguera passou as últimas semanas desmontando produções – como a do Topa ou Não Topa, da filha n° 4 de Silvio, Patricia Abravanel – e despachando profissionais de vídeo e dos bastidores. Há quem diga que a chegada de Renata Abravanel, caçula de Silvio, à Presidência do grupo, tem a ver com tais cortes.

O vínculo de Roberto Cabrini não foi renovado porque seu Conexão Repórter atrai prestígio, mas não fatura. Leão Lobo, Lívia Andrade e Mamma Bruschetta foram dispensados na última quarta-feira (7) pela “inatividade”, já que estão fora do Triturando – antes, Fofocalizando – e do Jogo dos Pontinhos, no Programa Silvio Santos. Há indícios de que Arlindo Grund e Isabella Fiorentino passaram a atuar por obra, uma vez que o Esquadrão da Moda, como produto fixo de grade, foi descontinuado. Em meio às baixas, Maisa Silva optou por encerrar sua estadia na emissora.

Ainda, a saída sem direito a adeus de Rachel Sheherazade, por motivos claramente políticos; a jornalista é persona non grata para o Presidente da República Jair Bolsonaro, com quem Silvio faz questão de manter boas relações. O aporte financeiro que o governo federal vem realizando no canal através da publicidade – gerida pelo Ministério das Comunicações a cargo de Fábio Faria, genro do “homem do Baú” – é tão necessário quanto o de Luciano Hang, empresário e anunciante que pediu, publicamente, a cabeça de Sheherazade.

A proximidade com Bolsonaro gera certa antipatia no público, ao menos nas redes sociais. Os chamados SBTistas, porém, encaram toda esta movimentação com naturalidade. “Reposicionamento”, dizem. No entendimento deste colunista, reposicionar inclui otimizar as peças do jogo. Se há déficit nas contas, por que não buscar soluções, formatos rentáveis e apresentadores mais afinados com o mercado ao invés de, “simplesmente”, cortar aqui e acolá?

Talvez fosse viável realocar Cabrini, em dia e hora mais adequados, profissional de gabarito e mais atraente para anunciantes do que Dudu Camargo e Marcão do Povo – hoje os nomes mais conhecidos do “jornalismo” da casa. Ou buscar alternativas, como as concorrentes, para manter Leão Lobo no Triturando por via remota, ao invés de afastá-lo e contratar Ana Paula Renault. Talvez não fosse a hora de investir nas Libertadores, que causou barulho, mas ainda não “aconteceu” comercialmente falando…

Pensando nisto, listo abaixo cinco alternativas para que o SBT, de fato, se reposicione. De estrelas que ainda estão no elenco até acordos, há caminhos interessantes para que a emissora de fato entre em 2021 com motivos para que sócios, executivos, funcionários e público comemorem as quatro décadas de atividade.

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Chris Flores, responsável por Notícias Impressionantes e Triturando; “Ana Maria Braga do SBT” pode agregar valor à revista eletrônica (Imagem: Reprodução / Instagram)

Chris Flores

Cria do jornalismo impresso, na TV desde o início dos anos 2000 – quando comentava as páginas da revista Minha Novela no A Casa é Sua com Sônia Abrão –, Chris Flores chegou ao SBT em 2017 após 12 anos na Record. Embora experimentada, à frente do Hoje em Dia e na apresentação de realities da antiga casa e da atual, Chris está restrita hoje ao cambaleante Triturando; também ao controverso Notícias Impressionantes. A apresentadora é o nome ideal, dos que seguem sob contrato no SBT, para a tão sonhada revista eletrônica das manhãs; o projeto, se bem estruturado, pode impulsionar as vendas na faixa, hoje restrita aos desenhos do desgastado e nada lucrativo Bom Dia & Cia. Chris, aliás, é chamada nos bastidores de “Ana Maria Braga do SBT” quando o assunto é merchandising.

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Luciana Barreto, um dos principais valores da CNN Brasil; acordo com canal pago pode “limpar imagem” do jornalismo no SBT (Imagem: Divulgação / CNN Brasil)

CNN Brasil

As saídas de Rachel Sheherazade e Roberto Cabrini contribuíram para o descrédito, do público e do mercado, no jornalismo do SBT. O setor padece com equívocos do patrão: o “cala boca” na ex-apresentadora do SBT Brasil após contratá-la para opinar, a contratação do ex-Record acusado de racismo, edição dos “melhores momentos” do Primeiro Impacto para turbinar a audiência ou o cancelamento do principal noticiário num sábado qualquer para, supostamente, agradar o Palácio do Planalto… Neste cenário, a fusão com a CNN Brasil, nome forte e “imparcial”, parece interessante. Não com a mera reprodução dos telejornais da TV paga na estação aberta. É preciso criar produtos que atendam aos dois canais. Quem sabe retomar o “ao vivo” das madrugadas, que fez a Globo ampliar o Hora Um após derrotas nos números…

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Eliana: apresentadora, sucesso de audiência e vendas, manifestou desejo de alçar voos maiores (Imagem: Gabriel Cardoso / SBT)

Eliana

No mês passado, em entrevista a Otaviano Costa, Eliana deu indícios de que almeja voos maiores. A apresentadora, boa de audiência e de vendas, destacou o desejo de comandar um programa noturno e aprofundar discussões sobre temas pesados para as tardes de domingo – como violência doméstica. Uma nova Hebe Camargo, talvez. Fato é que, em 2019, Eliana assumiu o reality Minha Mulher que Manda, exibido dentro de seu dominical. A disputa culinária, ou qualquer outro game, contribuiria para diversificar a linha de shows da emissora; também para tirar a contratada da zona de conforto. O mesmo se aplica a Celso Portiolli, outra cria da casa, apto para projetos em todos os dias e horários. Talvez seja o momento também para testar Rebeca Abravanel, restrita ao Roda a Roda Jequiti.

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Téo José, voz oficial da Libertadores no SBT; investimento em esporte atrai anunciantes (Imagem: Gabriel Cardoso / SBT)

Esporte

Evidente que, de cofre vazio, é impossível investir em competições esportivas. A aquisição da Libertadores foi uma ousadia e tanto! É preciso agora fazer bom uso do torneio na grade. Talvez usar do espaço aberto com a saída de Maisa Silva para repercutir a competição. Ou mesmo as manhãs de domingo, que, em breve, devem abrigar o reality Uma Vida, Um Sonho, voltado para a descoberta de um novo talento dos gramados. Uma Libertadores sozinha não faz verão… Também não cabe manter equipe – capitaneado pelo excelente Téo José – para duas partidas semanais. O SBT deve buscar ainda parcerias como as estabelecidas por Band e RedeTV! com o DAZN, serviço online de transmissões esportivas. Bola rolando, com patrocínio, é sempre bom.

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Silvia Navarro (Renata) e Juan Soler (Jerônimo) em Quando me Apaixono; novelas mexicanas representam audiência satisfatória e ganhos consideráveis (Imagem: Divulgação / Televisa)

Novelas da Tarde

Com O Que a Vida me Roubou e Quando me Apaixono, os índices de audiência do bloco Novelas da Tarde cresceram consideravelmente. Nesta quarta-feira (7), as duas produções da Televisa ocuparam a vice-liderança. Os intervalos comerciais estão abarrotados. As tramas mexicanas integram a grade desde o lançamento do SBT, praticamente. E seguram a barra do canal num período extremamente competitivo – no qual três concorrentes apostam no gênero policialesco. Convém manter a aposta. É bem verdade que o catálogo da parceira não oferece muitas opções; nos últimos anos, a Televisa patinou com produções irrelevantes. Mas ainda há títulos apropriados para a faixa. Aqui, é caso de seguir com o que está dando certo, sem muito custo e com considerável retorno, do que apostar no duvidoso.

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Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.