Um olhar sobre Gilberto Braga

Gilberto Braga
Gilberto Braga faleceu nesta terça-feira (26) (Imagem: Márcio de Souza / Globo)

O último registro em vídeo de Gilberto Braga, falecido nesta terça-feira (26), talvez seja o de Orgulho Além da Tela, documentário disponibilizado recentemente pelo Globoplay. Em seus depoimentos, entre a timidez e a modéstia, o autor “minimizou” seus feitos junto à representação LGBTQIA+ na TV. Gilberto afirmou que, em seu roteiro, o beijo de Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro) no primeiro capítulo de Babilônia (2015) era um mero selinho. Logo, a polêmica que se criou em torno das duas nada tinha a ver com ele…

Braga era o mais ferino dos autores em suas entrevistas. Quando encaminhei perguntas a ele sobre O Dono do Mundo (1991), por ocasião da reprise no Canal Viva, recebi como resposta: “Relembrar essa trama me dá depressão. Vou falar só das coisas boas…”. Sempre que questionado sobre seus melhores trabalhos, saía pela tangente. Ele apontava a trilha sonora ou a união da equipe para qualificar determinada produção e minimizava seu talento para criar cenas e diálogos inesquecíveis, sempre voltando sua artilharia para os equívocos e apontando o mais aleatório dos trabalhos como o preferido.

Assim, Gilberto Braga soava despretensioso… Logo ele, o homem que conquistou recordes de audiência às 18h, faixa que implantou, e de vendas no mercado externo, com Escrava Isaura (1976). O autor que ditou as regras de consumo no final dos anos 1970, através de Dancin’ Days (1978), e coloriu o horário das 20h com as externas de Água Viva (1980). A figura perspicaz que ludibriou a Censura do regime militar usando de trilhas para abordar a homossexualidade em Brilhante (1981), mas que escancarou o racismo, e seus termos pejorativos, com Corpo a Corpo (1984).

O Gilberto que conheci em Vale Tudo (1988), a melhor novela da TV brasileira, aquela que diz muito a respeito de todos nós. E por meio de Anos Dourados (1986), impregnada do romantismo com que sonhamos desde sempre. Também em Celebridade (2003), novamente o olhar aguçado para o fenômeno dos famosos de ocasião que nós promovemos. Isso tudo, claro, sempre amparado pela equipe que ele costumava enaltecer e insistia em não mudar – Cássio Gabus Mendes, Cláudia Abreu, Dennis Carvalho, Gloria Pires, Isabela Garcia, Malu Mader e a parceira, já falecida, Leonor Bassères que o digam…

Gilberto Braga se foi e com ele um período de ouro da TV brasileira, o da consolidação e o da identidade. Com todo grande nome da arte, a obra permanece. Ainda veremos Bebel (Camila Pitanga), de Paraíso Tropical (2007), exclamar “que boa ideia esse casamento primaveril em pleno outono” muitas e muitas vezes… E a cada repetição vamos celebrar essa trajetória cheia de bons momentos do autor.

Por Duh Secco

Momento inesquecível

Globo
Gilberto Braga foi um dos principais nomes da teledramaturgia da Globo (Imagem: Alex Carvalho / Globo)

Fernanda Cortês, jornalista e parceira do RD1, relembra com saudade um encontro profissional com Gilberto: “Eu estava ao lado dele nesta foto aí (acima). Lembro como se fosse hoje desta tarde, em seu apartamento no Arpoador, acompanhando a gravação para o programa Donos da História, do canal Viva, ouvindo grandes histórias desse mestre da dramaturgia. Ele relembrou trabalhos incríveis e eu ali, babando por estar vivendo aquele momento único. Vai com Deus, Gilberto Braga”.

Papo com amiga

Gabriela Prioli vai estrear o seu primeiro programa solo na CNN Brasil no próximo sábado (30). A convidada especial da estreia será a sua amiga pessoal Anitta. O programa de entrevistas À Prioli ainda contará com outros famosos na primeira temporada, são eles: Djamila Ribeiro, Douglas Souza, Giulia Be, Lázaro Ramos, Marcelo Tas, Preta Gil e Thiago Nigro. Durante a primeira edição, a influenciadora vai levar seus convidados a revelar um pouco mais de si, de sua personalidade e suas perspectivas de uma forma mais leve e descontraída.

Dose dupla

Seu Jorge estará em dose dupla no cinema brasileiro biográfico em novembro. O músico faz parte de duas coproduções da Globo Filmes: Marighella (4 novembro) e Pixinguinha – Um Homem Carinhoso (11 de novembro). No primeiro, que é dirigido por Wagner Moura, ele dá vida ao Carlos Marighella, que foi morto pela Ditadura Militar Brasileira, em 1969. Seu Jorge também é o protagonista da produção sobre Pixinguinha, dirigido por Denise Saraceni e Allan Fiterman.

Em alta

Priscilla Alcântara conseguiu uma visibilidade importante com a sua participação no The Masked Singer Brasil, da Globo. A cantora, que venceu o programa, engatou o lançamento de seu mais novo álbum, intitulado Você Aprendeu a Amar?, e obteve um crescimento de 301% no número de streamings na Deezer. Além disso, após o seu final de semana de estreia, ela alcançou o primeiro lugar no ‘trending artists’ Brasil.

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