A nova Juma de Pantanal: as (quase) novatas em papéis de destaque

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Cristiana Oliveira em Pantanal, uma das novatas em papéis de destaque. E agora, quem será a nova Juma? (Imagem: Divulgação / Manchete)

Com a confirmação de que a Globo vai mesmo produzir uma nova versão de Pantanal, começaram as apostas para saber quem será a nova Juma Marruá. O papel foi defendido por Cristiana Oliveira em 1990, na novela da extinta Manchete. Agora, tudo indica que o time de novatas em papéis de destaque deve ganhar mais uma integrante.

Em entrevista ao Fantástico, Ricardo Waddington, Diretor de Produção dos Estúdios Globo, defendeu a escalação de um rosto novo para dar vida à mulher que vira onça.

Pensando nisso, esta coluna do RD1 faz uma retrospectiva de atrizes (quase) novatas que, já na estreia ou ainda em início de carreira, encararam o desafio de interpretar papéis de destaque. E ficaram marcadas por eles. Vamos à lista?

Cristiana Oliveira – Juma Marruá – Pantanal (1990)

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Cristiana Oliveira (Juma Marruá) bateu na porta de Jayme Monjardim para a primeira oportunidade na TV (Imagem: Divulgação / Manchete)

Mesmo já tendo atuado antes em Kananga do Japão (1989), também da Manchete, Cristiana Oliveira admite que era uma desconhecida até ser convidada para participar de Pantanal. Ela abre a nossa lista de novatas em papéis de destaque.

Para conseguir seu primeiro papel na TV, ela bateu no escritório do diretor Jayme Monjardim, levando, de baixo do braço, a fita de um comercial do qual havia participado.

A Hanna, sendo um papel secundário, me deu oportunidade de mostrar meu talento, na medida em que ela cresceu na trama. A presença da personagem aumentou, a ponto dela se tornar a segunda mais importante da história. Através dela é que o Jayme percebeu que poderia me dar uma responsabilidade maior“, disse a atriz ao Jornal O Dia, em 1990.

Como Juma, Cristiana foi a grande revelação daquele ano. “O sucesso se deve a um conjunto de fatores. A Juma deu certo porque a personagem, em si, ela é linda. A Cristiana, apesar de já ser casada e mãe de família, mantinha uma pureza. A personagem criou uma identidade. Quando revejo cenas no Youtube, penso: é ela“, analisou ao Melhor da Tarde, da Band, recentemente.

Patrícia França – Maria Santa – Renascer (1993)

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Patrícia França (Maria Santa) fez tanto sucesso que permaneceu em Renascer, nos sonhos de José Inocêncio (Antonio Fagundes) (Imagem: Reprodução / Globo)

Foi também numa novela de Benedito Ruy Barbosa que Patrícia França se transformou em uma estrela. Depois de ter protagonizado a minissérie Tereza Batista (1992), veio o convite para interpretar a Maria Santa, de Renascer. A personagem era o grande amor do Coronel José Inocêncio (Leonardo Vieira / Antônio Fagundes).

A exemplo de Cristiana, ela foi Tereza porque enviou trabalhos seus à Globo. “Quando fui escolhida para ser a Tereza Batista, nunca tinha feito algo para milhões de espectadores. Sou meio mambembe. Fiz umas peças, uns comerciais e, de repente, protagonizei uma minissérie. Imagina, então, o que é pegar uma Maria Santa…“, confidenciou ao Jornal O Globo.

O sucesso de Santinha foi tão arrebatador que a personagem, que deixaria a novela ao fim da primeira fase, permaneceu na trama nos sonhos do coronel. Já em 1993, a atriz sabia da força do tipo que tinha em mãos.  “Maria Santa foi um presente para mim, sobretudo pela oportunidade de estar interpretando uma personagem que representa a mulher plena, absoluta e feliz“.

No mesmo ano, Patrícia e Leonardo repetiriam o par romântico em Sonho Meu, produção das 18h. Desta vez, para ficar a novela inteira.

Letícia Spiller – Babalu – Quatro por Quatro (1994)

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Com desistência de Adriana Esteves, Letícia Spiller trocou de papel em Quatro Por Quatro (Imagem: Divulgação / Globo)

Do time de novatas em papéis de destaque, também faz parte Letícia Spiller. Entre os 15 e os 19 anos, ela foi Pituxa Pastel, uma das Paquitas do Xou da Xuxa. Mas o que sempre quis mesmo foi se dedicar à carreira de atriz.

Depois que deixou o time de assistentes de palco da Xuxa, até fez uma ponta em Despedida de Solteiro (1992). Mas a sua carreira na nova profissão só começou a deslanchar em Quatro Por Quatro.

E foi aí que o acaso deu uma forcinha. “Eu já estava fazendo um papel menor na novela, a Maria Eduarda, quando a Adriana Esteves não pôde fazer a Babalu. Aí me chamaram e perguntaram se eu me achava capaz de fazer este personagem. Falei que achava”, contou ao Jornal do Brasil, em 1994.

E o resultado dessa aposta foi a química explosiva com Marcello Novaes. A relação entre a manicure desbocada e o mecânico mulherengo fisgou o público e saltou para fora das telas. Os atores foram casados e são pais de Pedro Novaes. Não à toa, Raí e Babalu estão entre os casais mais apaixonantes da ficção.

Mel Lisboa – Anita – Presença de Anita (2001)

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Aos 19 anos, Mel Lisboa se destacou no teste para viver Anita (Imagem: Divulgação / Globo)

Se as outras atrizes da lista de novatas em papéis de destaque já tinham feito alguma aparição na TV, este não é o caso de Mel Lisboa. Presença de Anita foi seu primeiro trabalho na dramaturgia.

E, para ganhar o papel da lolita que infernizava a vida de um homem casado, a então garota de 19 anos teve que seduzir o autor Manoel Carlos e o diretor Ricardo Waddington com o seu talento. A sua seleção foi fruto de um teste.

Há, aqui, uma divergência nos registros: o Memória Globo assegura que, desde o início, a proposta era lançar um rosto desconhecido. Na contramão, reportagem do Jornal O Globo crava que famosas também teriam se submetido aos testes.

Seriam os casos de Gabriela Duarte, Júlia Feldens – um dos rostos sumidos de Laços de Família – Samara Felippo e Júlia Almeida, filha do autor, que acabou escalada para outro personagem.

À Folha, Mel contou como foi descoberta. “O produtor de elenco da minissérie, Luiz Antonio Rocha, entrou em contato comigo porque precisava pedir autorização para veicular minha imagem em um comercial que eu fiz há três anos. Era um anúncio para um shopping do interior de São Paulo. Foi então que ele teve a ideia de me convidar para fazer os testes para ‘Presença de Anita’“.

Sobre as semelhanças com a personagem, a então estreante cravou. “A Anita é uma personagem interessante, instigante, uma mulher bem especial, enigmática. E as pessoas sempre me dão uma idade menor do que a minha. Não só porque tenho cara de criança, mas pelo meu jeito de sentar e de falar“.

Camila Queiroz  – Angel – Verdades Secretas (2015)

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Modelo de sucesso, Camila Queiroz recebeu o convite para Verdades Secretas por e-mail (Imagem: Estevam Avellar / Globo)

Por último, vale rememorar a escolha de Camila Queiroz para interpretar Angel em Verdades Secretas. A produção queria um novo rosto para interpretar a garota do interior que passa a se prostituir quando chega na capital.

Camila, que já tinha trabalhos como modelo, recebeu o convite com surpresa, quando ainda morava em Nova York. “Eu me assustei porque eu nunca tinha estudado para ser atriz, fiquei com medo de não dar conta. É uma responsabilidade muito grande você pegar uma protagonista que tem uma história tão delicada. Bruna Bueno (produtora de elenco) insistiu muito, graças a Deus. Fiz a mala e vim para o Brasil fazer o teste“, declarou ao Jornal O Globo, em 2015.

Sobre as sequências calientes, ela se acostumou com o tempo. “Desde o teste, em outubro, já sabia que isso ia acontecer, então vim me preparando psicologicamente, porque sou muito tímida. Tenho vergonha: acaba a novela, eu enfio a cabeça embaixo do travesseiro. É muita coragem fazer aquilo e depois ver. Mas gosto de assistir porque é tão difícil“.

Vale a lembrança que a personagem de Camila é uma das que tem retorno confirmado na nova temporada da série. O lançamento está previsto para 2021, no Globoplay.

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Piero Vergílio é jornalista profissional desde 2006. Já trabalhou em revistas de entretenimento no interior de SP e teve passagens pelo próprio RD1. Em tempos de redes sociais, criou um perfil (@jornalistavetv) para comentar TV pelo Twitter e interagir com outros fãs do veículo. Agora, volta ao RD1 com a missão de publicar novidades sobre a programação sem o limite de 280 caracteres.