Aposta em ação favorece coprotagonista na estreia de Nos Tempos do Imperador

Nos Tempos do Imperador
Michel Gomes (Jorge) em Nos Tempos do Imperador; primeiro capítulo de nova novela das 18h privilegia ação (Imagem: Reprodução / Globo)

A expectativa para Nos Tempos do Imperador era alta. Afinal, a novela de Alessandro Marson e Thereza Falcão está em compasso de espera desde a conclusão do “prólogo” Novo Mundo (2017). A saga de Dom Pedro II – Selton Mello, de volta às novelas após 21 anos – entrou em produção no início de 2019, perdeu lugar na fila para Éramos Seis e, às vésperas do tão aguardado lançamento, foi suspensa por conta da pandemia de Covid-19. Após três edições especiais, o folhetim, enfim, entrou no ar.

Talvez pela ansiedade deste colunista, o primeiro capítulo tenha parecido apenas correto. Assim como no trabalho anterior, os autores privilegiaram a ação. Com isso, Jorge (Michel Gomes) e Pilar (Gabriela Medvedovski), que encabeçam a porção ficcional da narrativa, sobressaíram-se. O escravo em busca de liberdade, envolvido no mal-entendido que atribui a ele a culpa pela morte do pai, fazendeiro que engravidou uma cativa, dominou a cena. Pedro II, em viagem com a imperatriz Teresa Cristina (Letícia Sabatella) e temeroso quanto às ameaças de um general paraguaio, foi coadjuvante.

Novo Mundo estreou da mesma forma. Nas primeiras semanas, Pedro II (Caio Castro) e Leopoldina (Letícia Colin) não pareciam tão importantes quanto Joaquim (Chay Suede) e Anna (Isabelle Drummond). O nobre casal acabou tomando a ação com o avanço da narrativa. Em Nos Tempos do Imperador, a história real e a fictícia devem se equiparar, já que a obra está fechada, toda escrita e praticamente toda gravada, como convém aos protocolos adotados pela Globo nas atividades em meio à luta contra o coronavírus.

Nos Tempos do Imperador promete críticas contundentes à atualidade, tal qual a produção que, digamos assim, a antecedeu. Pedro II afirmou, em alerta ao General Solano López (Roberto Birindelli), que “o Brasil nunca se renderá a um ditador”. A fala, coincidentemente veiculada um dia antes do possível desfile de tanques de guerra articulado por Jair Bolsonaro, ganhou repercussão na web, assim como os muitos diálogos de Novo Mundo que reverberam pela afinidade com os acontecimentos políticos da era Michel Temer.

É de se lamentar que a ação tenha implicado na apresentação de personagens. O conflito de Jorge com o pai Coronel Ambrósio (Roberto Bonfim) foi apresentado e diluído em uma cena. Não vimos Ambrósio reencontrar o filho problemático, Tonico (Alexandre Nero promete!), ou Pilar driblar a vigilância do pai, Eudoro (José Dumont, sempre excelente), para fugir do destino de toda mulher da época, o casamento, e buscar a formação em Medicina. Neste sentido, foi bom reencontrar os já conhecidos Germana (Vivianne Pasmanter) e Licurgo (Guilherme Piva), destaques de Novo Mundo, promessas de bons momentos também em Nos Tempos do Imperador.

Embora o primeiro capítulo não tenha feito jus à expectativa, ao menos à minha, a nova novela das 18h merece atenção. As habilidades de Alessandro Marson e Thereza Falcão são conhecidas. E estamos diante de algo novo, o que já é um grande acontecimento para quem passou mais de um ano em ritmo de Vale a Pena Ver de Novo. Consideração final: Clara Nunes, Clementina de Jesus e Elis Regina abençoam a trilha, coroada por uma nova versão de Milton Nascimento para Cais, tema da abertura – belíssima, apesar dos créditos mal colocados.

Duh Secco
Duh Secco é  "telemaníaco" desde criancinha. Em 2014, criou o blog Vivo no Viva, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.
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