Caso Camila Queiroz mostra que utopia da “fábrica de sonhos” é ilusão

Verdades Secretas
Camila Queiroz no papel de Arlete/Angel em Verdades Secretas (Imagem: Reprodução / Globo)

“Empresa não é casa de ninguém”. Este é um mantra que deveria ser repetido todo dia por qualquer funcionário que bate ponto na iniciativa privada. E quem pensa diferente, sinto dizer, vive em um mundo de ilusão. O caso Camila Queiroz é prova disso. E, não, este artigo não pretende assumir partido de A ou B e/ou pregar contra a iniciativa privada (da qual eu também faço parte).

A demissão apenas mostra que qualquer pessoa pode ser rapidamente trocada por uma corporação. Ninguém é único. Ninguém é insubstituível quando se trata de negócios. Em 12 anos cobrindo os bastidores da TV, nunca tinha visto a Globo se manifestar de forma tão veemente contra um ex-funcionário. E isso só mostra que ela não é a idealizada “fabrica de sonhos” vendida pela sua equipe de marketing e propagada por muitos dos seus contratados.

Em um comunicado ácido e direto, o canal da família Marinho anunciou que rompeu qualquer vínculo com a protagonista de outrora após exigências “inaceitáveis”. Ela, contudo, nega e diz que está sendo punida por mudar o vínculo no passado – já que também mantém um contrato paralelo com a Netflix, algo incomum para os padrões da empresa.

Fosse em outros tempos, qualquer polêmica interna seria “abafada” em um comunicado cheio de elogios e agradecimentos para a estrela. Ou até mesmo seria articulada uma nota conjunta, com a Camila anunciando que não queria continuar (e não sido cortada, como aconteceu).

Desta vez o caso foi bem diferente. A Globo fez questão de expor detalhes do enredo traçado atrás das câmeras, como a suposta exigência por parte da atriz de continuar na terceira temporada da novela do Globoplay (se isso for verdade, de fato, é completamente descabido mesmo).

O fato é que o posicionamento da Globo também é um claro recado para outros artistas. A “casa” não vai mais brigar por talentos. Não gostou? Tchau. É assim que funciona o jogo. Não se iludam. Se a saída do Faustão após 30 anos foi do jeito que foi, imagine os outros…

Felizmente, hoje existem opções alternativas e o canal carioca não é o único a produzir conteúdo de qualidade. Trabalho para Camila não vai faltar. Netflix, Amazon Prime Video, HBO Max, Discovery Plus, Disney Plus e outros estão aí para competir. Assim como, em breve, a Globo vai fabricar uma nova estrela.

E para você que está lendo este artigo, sugiro que economize no vale-refeição. Nunca se sabe o dia de amanhã…

MAIS LIDAS

Henrique Brinco
Henrique Brinco é baiano, formado em Comunicação Social pela Unijorge, de Salvador. Atua no jornalismo desde 2008, passando pelas editorias de política, cidades, cultura e entretenimento em diversos portais de notícias, locais e nacionais. É colaborador do RD1 desde 2012, onde já foi responsável pela editoria de Famosos e autor da coluna Por Trás da Mídia. É fã número 1 de reality shows. Fala besteira no Twitter (@brinco) o dia todo também!
Veja mais ›