De Bebel a Bibi Perigosa: 5 novelas que merecem reprise às 21h

A Favorita
Nunca reprisada, A Favorita merece ocupar a vaga de Fina Estampa no horário nobre (Imagem: Divulgação / Globo)

Com o retorno incerto das gravações de Amor de Mãe, a Globo pode optar por reprisar outra novela após Fina Estampa, a partir de outubro, ou logo depois do ponto final do enredo de Manuela Dias, em meados de novembro, antecedendo Um Lugar ao Sol, de Lícia Manzo.

As tramas mais cotadas, conforme informou o colunista Duh Secco, do RD1, são Gabriela (2012), Amor à Vida (2013) e A Força do Querer (2017), mas apenas a última ganhou a nossa lista de títulos que merecem uma reapresentação no horário nobre.

Confira:

Paraíso Tropical
Assassinato de Taís rendeu um dos momentos mais marcantes de Paraíso Tropical (Imagem: Divulgação / Globo)

Paraíso Tropical (2006)

Primeira novela assinada pela dupla Gilberto Braga e Ricardo Linhares, Paraíso Tropical é lembrada até hoje pelos vilões adoráveis. Olavo (Wagner Moura) conquistava a simpatia do público por conta de seu amor bandido pela prostituta Bebel (Camila Pitanga) enquanto tentava herdar a fortuna de Antenor Cavalcanti (Tony Ramos) e destruir o romance entre Daniel (Fábio Assunção) e Paula (Alessandra Negrini).

No meio desta disputa, o bandido firmou um pacto com uma figura até então desconhecida na trama: Taís, a irmã gêmea mau caráter de Paula. Idênticas e antagônicas, as duas chegaram a trocar de papel durante a história – a vilã fingiu ser a mocinha após tentar matar a irmã, e a mocinha, após sobreviver ao atentado, também se disfarçou de megera para desmascará-la.

A trama também ficou marcada pelo misterioso assassinato da Taís, e só no último capítulo o público descobriu que o autor do crime era o seu próprio parceiro, Olavo. Na época, para despistar a imprensa, o diretor Dennis Carvalho chegou a gravar várias versões da cena, o que poderia ser usado como final alternativo em uma eventual reprise.

Outra curiosidade é que, segundo o Memória Globo, a novela foi inteiramente gravada em HD, embora sua exibição tenha sido em SD por conta do atraso do lançamento da TV digital no país. Não se sabe, porém, se esses arquivos foram armazenados com a qualidade de gravação original – critério decisivo para uma reapresentação às 21h.

A Favorita
Mistério sobre assassinato em A Favorita conquistou o público e a crítica (Imagem: Divulgação / Globo)

A Favorita (2008)

Marcada pela estreia de João Emanuel Carneiro no horário nobre, A Favorita confundiu o público por não revelar a princípio quem era a verdadeira vilã da história. A trama se inicia no dia em que Flora (Patrícia Pillar) deixa a prisão após cumprir 18 anos de pena pelo assassinato de Marcelo (Flávio Tolezani), marido de Donatella (Claudia Raia), sua amiga de infância e com quem formou uma dupla sertaneja no passado chamada Faísca e Espoleta.

A rivalidade entre as duas explode quando a ex-detenta tenta se reaproximar da filha Lara (Mariana Ximenes) e da família de Marcelo. Apesar de conseguir convencer a menina e a ex-sogra, Irene (Glória Menezes), de que era inocente, Flora acabou admitindo para o público a autoria do crime no passado durante um acerto de contas com Donatella. As cenas exibidas no 56º capítulo marcaram a grande reviravolta da história.

A partir daí, a novela apresentou ao público novos entrechos e desdobramentos e acabou se tornando um sucesso popular. As cenas em que Flora canta Beijinho Doce e obriga os seus convidados a aplaudi-la, por exemplo, se tornaram virais nas redes sociais, mas o fato é que a trama demorou para conquistar a audiência, sendo prejudicada também pela saga de Os Mutantes, da Record.

Outro critério que torna uma reprise de A Favorita quase impossível no horário nobre é a falta de alívio cômico no momento em que a maioria dos brasileiros prefere se distrair com novelas leves e se distanciar do noticiário cada vez mais pesado. Assassinatos com requintes de sadismo, violência contra a mulher e corrupção são temas indesejáveis no momento.

Uma boa notícia é que a trama entrou no catálogo do Globoplay no dia 25 de maio.

A Vida da Gente
A Vida da Gente: Conflitos familiares marcaram a estreia de Lícia Manzo nas novelas (Imagem: Divulgação / Globo)

A Vida da Gente (2011)

No melhor estilo Manoel Carlos de ser, A Vida da Gente é repleta de dramas familiares e de histórias de amor que certamente continuam pertinentes nos dias atuais. Produzida para o horário das 18h em 2011 – embora não tenha necessariamente “cara” de novela das seis, o novelão poderia alçar voos maiores e antecipar a estreia da autora Lícia Manzo no horário nobre.

A trama narra a história de amizade entre as irmãs Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manuela (Marjorie Estiano), apesar da preferência da mãe, Eva (Ana Beatriz Nogueira), pela primeira. O primeiro conflito familiar já surge logo no início, quando Ana se apaixona e engravida de Rodrigo (Rafael Cardoso), que foi criado como seu irmão, no mesmo momento em que Eva e Jonas (Paulo Betti), pai dele, estão se separando.

A história ganha novos contornos quando as duas irmãs sofrem um acidente de carro e Ana entra em coma profundo. Enquanto cuidam de Júlia (Jesuela Moro), Manu e Rodrigo acabam se apaixonando e formando uma nova família juntos, sem imaginar que Ana voltaria do coma anos mais tarde, acontecimento que marca a reviravolta mais importante da trama.

Embora tenha tido uma audiência mediana, A Vida da Gente é uma das novelas brasileiras mais vendidas no exterior e se tornou queridinha da crítica especializada. Tramas realistas também ganharam força nos últimos anos, e isso pode ser comprovado pelo sucesso da reprise de Por Amor no Vale a Pena Ver de Novo e da novela Amor de Mãe às 21h.

O Astro
Remake de O Astro fez sucesso com folhetim clássico (Imagem: Divulgação / Globo)

O Astro (2011)

Em comemoração aos 60 anos da teledramaturgia brasileira, o remake de O Astro experimentou um novo formato – e horário – de novelas da Globo, às 23h, mas preservou todos os pilares da história original de Janete Clair, trazendo de volta um estilo popularesco e atuações melodramáticas que marcaram o clássico. A nova versão foi escrita por Geraldo Carneiro e Alcides Nogueira.

A novela conta a história do inescrupuloso Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi), um homem que é preso após aplicar um golpe na paróquia de uma cidadezinha e ser traído pelo comparsa Neco (Humberto Martins). No período de detenção, sua vida muda ao conhecer Ferragus (Francisco Cuoco), um veterano com poderes especiais que lhe ensina os seus truques de mágica.

Ao deixar a prisão e se mudar para o Rio de Janeiro, o rapaz começa a se apresentar como ilusionista em uma casa de shows e, mais tarde, acaba se tornando amigo de Márcio (Thiago Fragoso) filho do poderoso Salomão Hayalla (Daniel Filho). Após a morte misteriosa do empresário, Herculano ganha um cargo de confiança do herdeiro da empresa e desperta a desconfiança de muita gente.

Mas apenas no capítulo final o público descobre que quem matou Salomão Hayalla foi a esposa dele, Clô (Regina Duarte), como resultado de anos de tirania e humilhações. O capítulo marcou 26 pontos, enquanto a trama teve uma média geral de 19 pontos, acima do esperado pela emissora.

O Astro foi curtinha, teve 64 capítulos, o que poderia ser um tapa-buraco ideal neste momento de pandemia. Resta saber, porém, se a Globo também estaria disposta a resgatar a polêmica figura de Regina Duarte no horário nobre, principalmente por que os próprios autores da trama assinaram recentemente uma nota de repúdio contra a ex-secretária de Jair Bolsonaro.

A Força do Querer
A Força do Querer está entre as novelas cotadas pela Globo para as 21h (Imagem: Divulgação / Globo)

A Força do Querer (2017)

Ainda recente na memória dos brasileiros, A Força do Querer se tornou um sucesso de crítica e de audiência por levantar discussões sobre tolerância, diversidade e segurança pública no ano em que antecedeu a última eleição presidencial no país. A sensibilidade do roteiro de Glória Perez alinhada a direção cuidadosa de Rogério Gomes foram os pontos altos deste trabalho.

Um dos grandes destaques da trama foi Bibi (Juliana Paes), inspirada na história real de Fabiana Escobar, ex-mulher do traficante Saulo do Pó que se deslumbrou com o mundo do crime e contou no livro Perigosa todos os seus momentos como a “primeira-dama do pó”. Na ficção, a transformação da personagem em bandida e os embates com o outro lado desta história, representada pela policial Jeiza (Paolla Oliveira), renderam cenas antológicas e também críticas por parte do público que enxergou uma glamourização do crime.

A novela contou também com o protagonismo de Ritinha (Isis Valverde), personagem inspirada na figura mitológica das sereias. A moça adorava sentir o fascínio que exercia pelos homens e por isso seduziu Ruy (Fiuk) mesmo estando apaixonada por Zeca (Marco Pigossi). O triângulo amoroso dividiu a torcida do público e também acirrou a rivalidade entre os dois rapazes, que na infância tiveram os seus destinos traçados de forma misteriosa.

A transexualidade e as transformações de Ivana (Carol Duarte) também conquistaram a atenção da audiência. A filha de Joyce (Maria Fernanda Cândido), uma ex-modelo fascinada pela beleza e que criou a filha para ser o seu espelho, não se sentia representada pelo universo feminino e se revelou como um trans homem. Os conflitos com a mãe e as mudanças no corpo do personagem foram mostrados de forma sutil, para que o público compreendesse melhor sem se chocar.

Com o acirramento da crise política no país, A Força do Querer pode sofrer resistência para voltar ao horário nobre, o que deve facilitar a escolha por Amor à Vida.

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Daniel Ribeiro cobre televisão desde 2010. No RD1, ao longo de três passagens, já foi repórter e colunista. Especializado em fotografia, retorna ao site para assinar uma coluna que virou referência enquanto esteve à frente, a Curto-Circuito. Pode ser encontrado no Twitter através do @danielmiede ou no danielribeiro@rd1.com.br.

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