Walcyr Carrasco x Manuela Dias: polarização chega às novelas

Walcyr Carrasco
Walcyr Carrasco e Manuela Dias: rixa entre fãs de autores limita discussões sobre novelas (Imagens: Divulgação / Globo)

Como tudo no Brasil nestes últimos tempos, as novelas atravessam um período de polarização. Há os aficionados por números de audiência, que encontram em Walcyr Carrasco o ídolo máximo; o autor responde por três das cinco novelas das 21h mais bem-sucedidas da última década. Do outro lado, estão os que se afinam com narrativas mais elaboradas; estes se apoiam em Manuela Dias, que, embora não tenha “inventado a roda”, traz frescor à faixa nobre da Globo com diálogos bem escritos e personagens, numa primeira leitura, coerentes.

Criticar um lado ou outro é incitar a terceira guerra mundial. O público de hoje minimiza os defeitos de quem “ama” e potencializa os erros de quem “odeia”. Quem não gosta de Walcyr Carrasco, não reconhece a destreza do autor, armando enredos capazes de chegar aos tão almejados 40 pontos. Quem não aprecia Manuela Dias, ignora a sagacidade da nova titular das 21h, atribuindo as qualidades de Amor de Mãe à direção. Sei bem porque também me deixo “contaminar” por este clima…

Walcyr e Manuela são equivalentes. Ambos criam tipos atraentes, como Maria da Paz (Juliana Paes) e Lurdes (Regina Casé). Ambos abastecem capítulos com cenas e mais cenas de impacto. Ele, porém, é estimulante natural de audiência. Ela, por sua vez, acalenta os ouvidos de quem aprecia bons diálogos. A alternância de estilos, e até de números, faz o horário das 21h, desde que Globo é Globo. E alimenta a repercussão, nos lares e nas redes.

Estão chegando, porém, ao ponto em que criticar este ou aquele autor – ou esta e aquela novela – virou ofensa. Os fã-clubes reagem com virulência. Nelson Rodrigues dizia que “toda unanimidade é burra”. Fato. E brigar porque “meu autor é melhor que o teu” é de uma burrice sem precedentes. No auge do rádio no Brasil, os apreciadores de Emilinha Borba ou Marlene depreciavam a oponente e seus seguidores. O tempo provou que as duas mereciam posição de destaque na história…

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Taís Araújo (Vitória) em Amor de Mãe: entrecho pouco convincente afeta novela das 21h (Imagem: Reprodução / Globo)

O conto da Carochinha

Feito o desabafo, vamos à crítica: pouco condizente com a proposta realista de Amor de Mãe a trama de Vitória (Taís Araújo) e do filho que ela deu a Kátia (Vera Holtz). Então a mocinha que vivia num lar confortável e bem estruturado – apesar da mãe omissa – forjou um intercâmbio na França, abrigando-se na casa de uma criminosa até parir? Não dividiu a gestação com ninguém, apesar do elo com as irmãs. Também não teve coragem de abortar, mas foi capaz de dar a criança para adoção.

Evidente que a gravidez compromete muito mais a vida da mãe do que do pai, como Vitória alegou, pretexto para não contar nada a respeito ao pai da criança, Raul (Murilo Benício). Ainda assim… Justificativas frágeis e narrativa pouco crível.

Este entrecho, conforme salientado por Maurício Stycer, do UOL, prova que Amor de Mãe não é nada além de uma novela. Com muitas qualidades, claro, mas também com seus deslizes. Nível Nina (Débora Falabella) sem pen-drive para salvar as fotos que comprometiam Carminha (Adriana Esteves) em Avenida Brasil (2012) e Vivi Guedes (Paolla Oliveira) se sujeitando à violência doméstica para proteger o amado bandido em A Dona do Pedaço. Olha só, Walcyr e Manuela juntos outra vez…

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Barbara Eden (Jeannie) e Larry Hagman (Anthony Nelson) em Jeannie é um Gênio; série estreia no Canal Viva (Imagem: Reprodução / IMDB)

Um toque de mágica

Além de Engraçadinha – Seus Amores e Seus Pecados, a partir do próximo dia 5, às 23h45, o Canal Viva vai resgatar a série Jeannie é um Gênio. A clássica produção estrelada por Barbara Eden faz sua estreia na casa dia 6, por volta de 1h30 – na sequência da reapresentação do capítulo do dia de Selva de Pedra (1986).

Jeannie é um Gênio contará com reprises nas manhãs do Viva, às 7h e às 9h – ocupando uma das faixas antes dedicada ao repeteco de Malhação (2007). A série voltará a “formar dupla” com A Feiticeira, como ocorreu há 20 anos, no lançamento da RedeTV!; também nas TVs Paulista, Excelsior, Record e Globo, nas décadas de 1960 e 1970.

A série acompanha Jeannie, gênio da lâmpada que Anthony Nelson (Larry Hagman), piloto da Força Aérea Americana, encontra numa ilha logo após sofrer um acidente aéreo. Apaixonada por seu “amo”, Jeannie o acompanha até sua casa nos Estados Unidos, tumultuando a vida do pobre rapaz.

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Adriana Esteves (Carminha) em Avenida Brasil; reprise faz jus ao título Vale a Pena Ver de Novo (Imagem: Reprodução / Globo)

Ligo

Em Avenida Brasil no Vale a Pena Ver de Novo. O folhetim de João Emanuel Carneiro prende a atenção do público com viradas de mesa a todo instante, como nesta semana, com Tufão (Murilo Benício) descobrindo o parentesco de Carminha (Adriana Esteves) e Jorginho (Cauã Reymond). A esta altura, aliás, já é possível afirmar que Jorginho, cheio de não-me-toques, incomoda mais do que o núcleo Cadinho (Alexandre Borges), sempre tão criticado. Cabe destacar também a correção de rota da tradicional faixa de reprises em 2019, dos acertos nas escolhas dos títulos – Cordel Encantado (2011) e Por Amor (1997) – à edição.

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Júlio Machado (Marco Rodrigo), Mariana Santos (Carla) e Caroline Dallarosa (Anjinha) em Malhação – Toda Forma de Amar; novela padece com mais do mesmo (Imagem: Reprodução / Globo)

Desligo

A discussão sobre milícias em Malhação – Toda Forma de Amar. O tema dominou os primeiros capítulos da trama de Emanuel Jacobina, quando Rita (Alanis Guillen), Raíssa (Dora de Assis), Jaqueline (Gabz), Guga (Pedro Alves) e Anjinha (Caroline Dallarosa) testemunharam um crime dentro de uma van. Tal conflito acabou em segundo plano, voltando à cena agora, com o suposto envolvimento de Marco Rodrigo (Júlio Machado) com policiais corruptos. O quase mal-entendido rende discussões que vão do nada para lugar nenhum, tal qual a disputa de Lígia (Paloma Duarte) e Rita pela guarda de Nina.

Fecha a conta – 1

Atenção para o calendário de estreias da Globo em janeiro! De 1º a 3, logo após Amor de Mãe, Festival Ano Novo apresenta Procurando Dory (2016), A Bela e a Fera (2017) e Uma Família de Dois (2016). No sábado (4), SóTocaTop Verão com Ludmilla e Mumuzinho; no domingo (5), The Voice Kids.

De 7 a 10, a versão remasterizada de O Auto da Compadecida (1999), já disponível no Globoplay. Também no dia 7 estreia Madiba; a minissérie sobre Nelson Mandela vai ao ar de terça-feira a quinta-feira, chegando ao fim no dia 16. Entre 14 e 17 de janeiro, a edição para TV do filme Chacrinha – O Velho Guerreiro (2018).

A partir do dia 21, BBB 2020 e Fora de Hora, “substituto” do Tá no Ar: A TV na TV. Na quinta-feira, dia 23, a volta do Lady Night com Tatá Werneck. E nos dias 22 e 29, Cinema Especial apresenta A Vigilante do Amanhã (2017), protagonizado por Scarlett Johansson, e Um Espião e Meio (2016), estrelado por Dwayne Johnson.

Fecha a conta – 2

Como sempre, a Globo promove outras estreias em abril. A faixa do SóTocaTop Verão pode vir a ser ocupada pelo novo programa de Angélica, ou por novas edições do musical, em 4 de abril. O Fora de Hora se despede em 14 de abril; a atração substituta, ainda não divulgada, será lançada dia 21, logo após o BBB.

O reality de Tiago Leifert, aliás, chega ao fim numa quinta-feira (23 de abril). Segunda Chamada vai substituir o programa às terças-feiras, dia 28. Também não há informações sobre a atração das quintas-feiras, lançada no dia 30. O The Voice Kids deve ser substituído pelo Tamanho Família, de Márcio Garcia, em 3 de maio.

Duh Secco é “telemaníaco” desde criancinha. Em 2014, criou o blog “Vivo no Viva”, repercutindo novelas e demais atrações do Canal Viva. Foi contratado pela Globosat no ano seguinte. Integra o time do RD1 desde 2016, nas funções de repórter e colunista. Também está nas redes sociais e no YouTube (@DuhSecco), sempre reverenciando a história da TV e comentando as produções atuais.

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