7 vezes em que Jair Bolsonaro deu piti e atacou jornalistas

Jair Bolsonaro
O presidente voltou a desferir ataques à imprensa na última semana (Imagem: Reprodução / Globo)

A imprensa foi novamente alvo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta semana. Ao menos três jornalistas sofreram ataques do político, que está em um momento conturbado por causa das novas acusações em torno de vacina contra a covid-19.

No começo da semana, o chefe do Executivo mandou uma repórter da TV Vanguarda, afiliada da Globo no interior de São Paulo, “calar a boca” após ouvir pergunta. Dias depois, ele gritou com uma jornalista que estava ao vivo na CNN Brasil e também mandou uma profissional da rádio CBN “nascer de novo”.

Como não poderia deixar de acontecer, os ataques promovidos por Jair Bolsonaro à imprensa não passaram despercebidos pelos internautas, que fizeram duras críticas ao “capitão” e se solidarizaram com as profissionais envolvidas nos casos.

As situações que ocorreram nos últimos dias, porém, não foram as únicas da atual gestão. Com dois anos e meio no comando da presidência da República, o político já desferiu ataques para vários outros repórteres de diferentes veículos de comunicação. O RD1, então, lista alguns casos mais polêmicos:

“Pergunta pra tua mãe”

Ainda em seu primeiro ano de mandato, em 2019, o presidente se irritou com questionamentos sobre as investigações do senador Flávio Bolsonaro, xingou jornalistas presentes na entrada do Palácio da Alvorada e questionou a sexualidade de um deles.

Entre gritos e ordens para que os jornalistas ficassem quietos, fez ataques à imprensa durante as respostas e, questionado por um dos profissionais sobre a mudança da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, ironizou o repórter.

“Você pretende se casar comigo um dia? Não seja preconceituoso. Você não gosta dos olhos azuis? Isso é homofobia, vou te processar por homofobia”, gritou. Apoiadores de Bolsonaro comemoravam a cada resposta torta dada à imprensa.

Em seguida, o presidente tornou a agredir um dos repórteres, que desta vez, voltou a questioná-lo sobre o caso de corrupção envolvendo o filho senador. “E se o seu filho tiver cometido algum deslize, presidente?”, disse o profissional.

Visivelmente irritado, Bolsonaro questionou a sexualidade do profissional. “Você tem uma cara de homossexual terrível. Nem por isso te acusam de homossexual, se bem que não é crime ser homossexual”, gritou.

Ele também ofendeu outro profissional que perguntou se o presidente tinha comprovantes do empréstimo feito a Fabrício Queiroz, seu amigo. “Ô, rapaz, pergunta para a tua mãe o comprovante que ela deu pro teu pai, tá certo?”, questionou.

“Ela queria dar o furo a qualquer preço”

No dia 18 de fevereiro de 2020, o político fez duras críticas à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, após polêmica, e ainda promoveu um ataque, com cunho sexual. “Ela [repórter] queria um furo. Ela queria dar o furo [risos dele e dos demais]”, disse o presidente, em entrevista diante de um grupo de simpatizantes em frente ao Palácio da Alvorada, na ocasião.

Após uma pausa durante os risos, Bolsonaro concluiu: “A qualquer preço contra mim”. A palavra “furo” é um jargão jornalístico para se referir a uma informação exclusiva.

Na época, a declaração do presidente foi uma referência ao depoimento de um ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa por WhatsApp, dado à CPMI das Fake News no Congresso.

“Não sou da sua laia”

Logo depois da polêmica com a jornalista da Folha, o político soltou o verbo contra a jornalista Vera Magalhães, apresentadora do Roda Viva, da TV Cultura. Durante uma transmissão ao vivo, Bolsonaro usou termos como “eu não sou da sua laia” e “toma vergonha na cara” para se dirigir à jornalista.

O político ainda repetiu frase que havia proferido contra outra jornalista, Patricia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, na semana passada, dizendo que Vera “queria dar o furo, um furo de reportagem”.

Em seguida, então, a jornalista respondeu aos ataques de Jair Bolsonaro também através das redes sociais. “O presidente Jair Bolsonaro me atacou na live semanal e, antes, na porta do Alvorada. ‘Já que você é mulher, se eu falar qualquer coisa vão falar que eu estou agredindo as mulheres, tenha mais vergonha na cara’. Eu tenho vergonha na cara, presidente. E espero o mesmo do senhor”, escreveu ela.

“Cala a boca, eu não te perguntei nada”

No ano passado, em meio às polêmicas da troca do comando da Polícia Federal do Rio de Janeiro, o presidente se irritou com a imprensa. Em coletiva, aos gritos, ele mandou um dos repórteres presentes calar a boca.

“Para onde é que está indo o superintendente do Rio de Janeiro? Para ser o diretor-executivo da PF. Eu tô trocando ele? Eu tô tendo influência sobre a PF? Isso é uma patifaria! Folha… Cala a boca, eu não te perguntei nada!”, disparou.

Unido aos seus eleitores, que agrediram os profissionais de imprensa verbalmente, Bolsonaro soltou um segundo “cala a boca”. “Um jornal patife e mentiroso. Está saindo… Cala a boca! Cala a boca! Está saindo para ser diretor-executivo”, continuou.

“Vou encher tua boca na porrada”

Em agosto do ano passado, Jair Bolsonaro voltou a causar revolta em muita gente ao ameaçar um jornalista. Na ocasião, um repórter do jornal O Globo perguntou sobre cheques no valor total de R$ 89 mil que teriam sido depositados entre 2011 e 2016 pelo ex-assessor Fabrício Queiroz e pela esposa dele, Márcia Aguiar, na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Irritado o presidente afirmou aos jornalistas presentes: “Eu vou encher a boca desse cara na porrada”. Na sequência, o político emendou: “Minha vontade é encher tua boca na porrada”.

O vídeo viralizou e a pergunta foi repetida inúmeras vezes nas redes sociais. Bruna Marquezine, Caetano Veloso, Paolla Oliveira, Bruno Gagliasso, Camila Pitanga, Patrícia Pillar, Felipe Neto, Leandra Leal, Fábio Porchat e Paulo Vieira estiveram entre as celebridades que publicaram sobre o assunto.

“Bundões”

Alguns meses depois do início da pandemia da covid-19, Bolsonaro detonou os profissionais de imprensa enquanto relatava que, na década de 1970, quando estava na ativa do Exército, salvou um colega.

Ele mencionou que era atleta das Forças Armadas e fez uma referência ao seu pronunciamento de 24 de março, quando declarou que, por ter “histórico de atleta”, não precisaria se preocupar caso contraísse a doença.

“Era um jovem aspirante do Exército Brasileiro [em 1978 quando salvou um colega], tinha 23 anos, sempre fui atleta das Forças Armadas. Aquela história de atleta, né, que o pessoal da imprensa vai para o deboche, mas quando pega [covid-19] num bundão de vocês, a chance de sobreviver é bem menor”, disse ele, na época.

“Só sabe fazer maldade, usar a caneta com maldade, em grande parte. Tem exceções, né, como aqui o Alexandre Garcia [jornalista]. A chance de sobreviver é bem menor do que a minha”, acrescentou.

“Deixa de ser idiota, menina”

Em abril passado, o chefe do Executivo chamou de “idiota” uma repórter da TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia, que lhe fez uma pergunta sobre uma foto divulgada pelo próprio Palácio do Planalto. Na imagem, o chefe do Executivo aparece com um cartaz que simula um cartão de CPF com a palavra “cancelado”, o que normalmente acontece quando uma pessoa morre.

Na cidade de Feira de Santana, a repórter Driele Veiga questionou Bolsonaro sobre as críticas que ele recebeu pela foto do CPF cancelado em um momento em que as mortes pelo novo coronavírus no Brasil se aproximam de 400 mil.

O senhor foi criticado sobre uma foto postada dizendo ‘CPF cancelado’ num momento que tantas pessoas morreram. O que senhor tem a dizer sobre isso?”, questionou a jornalista. O presidente, então, reagiu irritado: “Você não tem o que perguntar não? Deixa de ser idiota, menina!”.

Ao vivo, a repórter do SBT afirmou: “O presidente agredindo a repórter verbalmente”. Driele Veiga seguiu, em conversa com o apresentador Casemiro Neto.

Luiz Fábio Almeida
Luiz Fábio Almeida é jornalista, produtor multimídia e um apaixonado pelo que acontece na televisão. É redator e colunista do RD1. Está nas redes sociais no @luizfabio_ca e também pode ser através do email [email protected]
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