Sob Pressão escancara triste realidade do Brasil na pandemia

Marjorie Estiano emocionou como Carolina em Sob Pressão: Plantão Covid
Marjorie Estiano emocionou como Carolina em Sob Pressão: Plantão Covid (Imagem: Paulo Belote / Globo)

Não é de hoje que a série Sob Pressão é aclamada pelos telespectadores. No ano passado, a terceira temporada chegou a ser anunciada como a última, mas diante da mobilização do público, o drama médico ganhou sobrevida.

Inicialmente, a pandemia de Coronavírus teria destaque na próxima safra de episódios, mas a Globo mudou de planos. Decidiu produzir dois capítulos especiais, intitulados Sob Pressão: Plantão Covid. O último deles foi ao ar na noite de terça-feira (13).

Para garantir a saúde de toda a equipe e atores envolvidos, a emissora mostrou o seu poder de fogo. Além de todos os protocolos de segurança – que também valem para todas as produções cujas gravações foram retomadas -, construiu um hospital de campanha cenográfico. O elenco foi submetido a dois testes por semana e utilizava os Equipamentos de Proteção Individual.

Corrupção, escolhas difíceis e negacionismo

O que se viu no ar foi um retrato triste, porém fiel, da realidade do Brasil na pandemia. Das escolhas difíceis que devem ser feitas pelos médicos – na falta de respiradores, como escolher a qual paciente dar prioridade – à falta de estrutura, passando pelo estresse emocional que acomete a toda equipe de saúde. Houve críticas também à compra de equipamentos inadequados.

Foi assim, por exemplo, quando Evandro (Júlio Andrade) teve que fazer adaptações em um respirador para que ele pudesse atender a dois pacientes simultaneamente. Ao retratar o dilema da enfermeira Marisa (Roberta Rodrigues) que teve que se isolar da família para não expô-los ao vírus, Sob Pressão escancara a fragilidade de quem está na linha de frente.

Tantas histórias recorrentes nesse período atípico foram retratadas com sensibilidade. Do desespero de um familiar para saber notícias de quem está internado, ao perfil negacionista.

Aqui, coube a Marcello Melo Jr dar vida ao sujeito que menospreza a pandemia e frequenta festinhas. Por seu comportamento negligente, paga um preço alto. Ele sobrevive, mas a irmã não resiste. Quantas histórias como essa devem ter dilacerado muitas famílias?

Como na vida real, foram mostrados os desfechos felizes – de quem se curou e voltou ao “novo normal” – e outros nem tanto. Foram retratados casos de pacientes que na internação estavam estáveis, mas pioraram rapidamente.

Show de atuações em Sob Pressão

Um dos pontos altos de Sob Pressão é o seu elenco. Marjorie Estiano é, incontestavelmente, uma das mais talentosas atrizes de sua geração, senão a melhor delas.

O desfecho do primeiro episódio, em que Carolina extravasa toda a sua angústia pelo estado de saúde de Evandro (Júlio Andrade) foi dilacerante. Mesmo sem texto, a intérprete transmitiu toda a dor da personagem apenas com o olhar e expressões faciais. Lágrimas rolaram.

Se o primeiro episódio terminou em clima de incerteza, o encerramento da temporada especial deixou uma mensagem de esperança. Após receber alta, Evandro – que contraiu Covid – faz um discurso necessário e pertinente em defesa da ciência, além de enaltecer todos os profissionais de saúde que atuam no SUS.

Do elenco fixo, os elogios se estendem também à Drica Moraes. Se, na ficção, Vera cumpria quarentena, mesmo assintomática, na vida real Drica atuou remotamente, pois integra o grupo de risco. Nas poucas cenas que teve, a veterana esbanjou talento.

Participações especiais emocionaram

Penha (Fabiula Nascimento) e o jovem Evandro (Ravel Andrade) nas cenas de flashback de Sob Pressão – Plantão Covid (Imagem: João Faissal / Globo)

As participações especiais engrandeceram ainda mais Sob Pressão: Plantão Covid. De Marcos Caruso à Heslaine Vieira, que viveu um perfil bem diferente da five Ellen, de Malhação – Viva a Diferença.

A presença de Fabíula Nascimento foi outro bom reforço. Em cenas de flashback, ela deu vida à Penha, a mãe de Evandro. Para viver o médico mais jovem, foi convocado Ravel Andrade. Se você se impressionou com a semelhança física, vale lembrar que ele e Júlio são irmãos na vida real.

A volta ao passado, além de explicar como nasceu a vocação de Júlio para a medicina, foi o gancho para o retorno de Samuel. O personagem de Stepan Nercessian foi morto na segundo ano.

Aqui, vale regatar uma curiosidade: ele deixou a série porque assinou um contrato com a Band. O programa que ele iria apresentar, porém, nunca saiu do papel. Diante disso, o veterano não esconde seu arrependimento.

Também é impossível não destacar as participações de David Jr e Roberta Rodrigues, como o neurocirurgião Mauro e a enfermeira Marisa. Ambos entram para o elenco fixo da série a partir da próxima temporada, prevista para 2021.

As críticas do Coren – SP

É verdade que a série alcançou uma repercussão altamente positiva. Mas, mesmo assim, não foi uma unanimidade.  O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren – SP) divulgou nota acusando a série de supervalorizar os médicos, em detrimento aos demais profissionais de saúde.

Ainda que você concorde com esse posicionamento, esse potencial equívoco não desmerece em nada o conteúdo que foi levado ao ar. Um retrato visceral e triste dos dilemas e angústias que muitos brasileiros viveram durante a pandemia.

Esperamos que com a realidade travestida de ficção as pessoas se conscientizem, de uma vez por todas, que o Coronavírus ainda é uma ameaça real. Se você perdeu, reveja no Globoplay.

Vida longa à Sob Pressão. Que venham as próximas temporadas!

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Piero Vergílio é jornalista profissional desde 2006. Já trabalhou em revistas de entretenimento no interior de SP e teve passagens pelo próprio RD1. Em tempos de redes sociais, criou um perfil (@jornalistavetv) para comentar TV pelo Twitter e interagir com outros fãs do veículo. Agora, volta ao RD1 com a missão de publicar novidades sobre a programação sem o limite de 280 caracteres.
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